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Qual o seu nome mesmo?

Sempre tive problema para lembrar os nomes dos outros. (As fisionomias também, o que me torna a pior repórter do planeta, mas elas serão tema de um post à parte.)

Às vezes até me lembro, mas muuuuito depois que a pessoa já soltou seu “Oi, Cris!” — e eu tive que responder com um daqueles genéricos de emergência, como “fio”, “pessoa”, “rapaz”, “moça” e afins. (Que, aliás, tornaram-se cacoetes e às vezes uso até com velhos conhecidos.)

Mas o normal é não me lembrar mesmo.

Apesar de não me lembrar deles, sempre dei de ombros e segui vivendo. Ninguém parece se importar muito com os genéricos.

Até que um dia conheci o hoje amigo Cheilon, psicólogo que era da “turma do blues” de Beagá. Ele me surpreendeu ao cumprimentar todas as dez pessoas da rodinha por seus nomes corretos no segundo dia em que as viu.

— Nossa, Cheilon! Como você consegue lembrar do nome de tanta gente tão pouco tempo depois de tê-las conhecido?! (E conhecido bêbado, devo ter acrescentado ;))

Ao que ele me respondeu, bem enfático:

— Cris, é muito importante sabermos os nomes das pessoas!

Ele só disse essa frase, lá pelos idos de 2007, e nem deve imaginar o quanto ela me marcou.

Comecei a pensar no tanto que essa lógica e esse esforço dele são verdadeiros: todos nós gostamos de ser tratados por nossos nomes. Todos nos sentimos felizes quando parecemos ter marcado alguém o suficiente para que ele se lembre de nosso nome pouco depois. Ou quando um atendente de uma loja nos trata pelo nome. Ou quando alguém é atencioso o suficiente para saber até quando é a hora de nos chamar pelo apelido ou pela abreviação.

Não é à toa que todos os bancos se preocupam em registrar em seus sistemas qual o nome específico por que aquela pessoa deve ser tratada. Você abre a página pessoal no banco e vê, em destaque: “Bom dia, cara Cris!” E pensa: é minha, é personalizada, é segura. (Tenho que confessar que me segurei várias vezes para não registrar “Mala” ou “Idiota” nos sistemas de clientes grosseiros quando eu trabalhava no Banco do Brasil, para ele se surpreender com o “Caro sr. Estúpido” ao abrir o site ;)).

Também não é à toa que há aqueles relacionamentos que acabam porque o namorado trocou o nome da namorada pelo da ex… “Como assim há o nome de outra pessoa gravado na cabeça onde só deveria pairar o meu?”

Meu amigo é psicólogo, sabe o quanto o nome mexe com nosso psicológico. É nossa marca eterna, para o bem ou para o mal. Os marketeiros da vida também são mestres nisso.

Desde então, tenho me esforçado colossalmente para me lembrar dos nomes das pessoas, ou pelo menos daquelas que terei de ver outras vezes na vida. Sempre que aparece um porteiro novo no prédio, faço questão de saber seu nome. Quando o cumprimento, é “Bom dia, Waldir!” ou “Bom dia, Silvânio!”, sempre com o vocativo, pra mostrar que sei.

É claro que minha memória não mudou muito de 2007 pra cá, então nem sempre sou bem-sucedida.

O que mais me incomoda não é não saber o nome de alguém que vejo todos os dias, mas não saber o de alguém que vejo todos os dias e que sabe o meu nome.

Assim, por exemplo, há uma faxineira no jornal que vejo todo santo dia no banheiro e a cumprimento e ela me cumprimenta. Eu não sei o nome dela, mas me consola saber que ela também não sabe o meu.

Mas fico inconformada por não saber o nome da moça que trabalha no caixa do restaurante onde vou todos os dias, porque ela aprendeu meu nome logo no início, ao ver no cartão de débito, e, como todo dia tem aquela conversinha enquanto pago a conta (“Que frio, né?”, “Nossa, Cris, hoje você comeu em uns 10 minutos!” etc), fico sem-graça de perguntar, a esta altura, dois anos depois, qual é, afinal, o nome dela.

Enquanto eu puder dizer “E aí, fia! Tá melhor da gripe hoje?”, beleza. O problema desse tipo de arrasto é que sempre surge aquele dia fatídico em que um amigo está de frente para aquela pessoa gente boa que você não faz ideia de como se chama e um pergunta o nome do outro e você, teoricamente, tem que apresentar, e aí fica naquele silêncio constrangedor… “Este é o…” e você olha com cara de pânico para os céus, ou para a beiradinha do RG no bolso da calça, tentando ver o nome do fulano.

Por isso, meus caros, gravem aí: meu amigo psicólogo tem toda razão. Os nomes dos outros importam. De todos os outros. Da faxineira, da caixa e do seu futuro namorado. Pergunte logo de cara, pra não passar pela sem-graceza de mostrar que você passou dois anos sem saber, e dê seu jeito de fazer associações* para registrar nesse buraco negro que você chama de cérebro!

* Uma vez meu irmão namorou uma moça chamada Wayne e eu não conseguia lembrar nem a pau, porque confundia com a Wendy, do Peter Pan. Fiz uma associação mágica que nunca falhou, desde o primeiro dia: “Uai, né?” = “Wayne”. E até hoje me lembro, várias namoradas depois 😀

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

10 comentários em “Qual o seu nome mesmo? Deixe um comentário

  1. Nossa, Cris, sofro desse desmemoriamento pra nomes também. O maior vexame é com a moça da academia, cujo crachá é minúsculo e não permite usá-lo como cola pra saber o nome dela, rsrsrs

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    • Crachá é uma das melhores invenções do planeta, né? Faço questão de olhar o crachá de quem me atende, pra já me dirigir à pessoa pelo nome. Outra coisa que esqueci de falar nesse post é que sempre que sento num buteco ou restaurante, pergunto de cara o nome do garçom, pra sempre chamá-lo pelo nome. Garçons se ofendem quando são chamados com assobios e afins e nos atendem muuuuuito melhor quando gritamos lá do outro lado: “Ô, Vaguinaldo! Traz mais uma pra gente!” O garçom da minha pizzaria favorita aqui do bairro se chama Dênis e ele também sabe meu nome, minha cerveja favorita e os dois sabores que prefiro na pizza meio-a-meio! No bar do Galo, tem o Jorge e o Anderson, que já sabem que o espetinho de salsichão é quase queimado!

      Mas a moça que atende lá no restaurante onde almoço não usa crachá também =/

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  2. Hahahaha imagina só uma pessoa registrada no sistema bancário “Bom dia sr.otário” eu sempre costumo lembrar o nome dos motoristas que eu pego o ônibus, eles são uns velhinhos super gentis!

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  3. Puxa minha amiga… Você puxou uma história beeeem antiga, não é mesmo? Uma vez em um curso que eu estava fazendo com outras pessoas, o professor (por acaso, psicólogo também) pediu que nos apresentássemos falando o nome e o lugar em que trabalhávamos. Até aí, tudo bem. Só que havia um diferencial. Estávamos sentados em círculo e o primeiro falou. Mas o segundo, tinha que falar o nome e o local de trabalho do primeiro e o dele mesmo. O 3º, tinha que falar do 1º, 2º e dele mesmo. E assim por diante. Eram por volta de 40 pessoas. Eu me lembro que somente eu e uma colega do grupo conseguimos falar o nome de todos os anteriores. Claro que também eles queriam testar o professor que também conseguiu lembrar de todos. O segredo está na associação. Quanto mais bizarra a associação que você elaborar, melhor. Essa do “Uai, né” foi ótima! []’s

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