‘Florence’: a história da dama supérflua que vive numa bolha

Para ver se tiver tempo: FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (Florence Foster Jenkins)
Nota 6

florence

Perto dos outros filmes do Oscar deste ano (especialmente aqueles baseados em fatos reais), que retratam conflitos muito mais profundos, este “Florence” é rasinho como um pires. Talvez porque tenha sido pensado como uma comédia, mas, como tampouco guarda muito humor, eu penso mais que é um drama supérfluo, como era supérflua a protagonista retratada.

Estrelas Além do Tempo” nos faz pensar sobre o absurdo do racismo e do machismo, sobre a grandeza daquelas mulheres da Nasa, que ajudaram a mudar o curso da história. “Lion” nos faz pensar sobre o sentido de família, de pertencimento, sobre a vulnerabilidade das crianças de rua, sobre choques culturais. “Até o Último Homem” nos faz pensar sobre a importância (ou não) de nos fiarmos em nossas convicções pessoais, sobre dignidade e lealdade. “Sully” nos faz pensar sobre injustiças, sobre como os heróis são construídos na mídia. Isso só para citar os filmes baseados em fatos reais, porque “Moonlight”, “La La Land“, “A Chegada” e “Manchester à Beira-Mar” também trazem reflexões importantes.

Sobre o que “Florence” nos faz pensar? No máximo, sobre como deve ser péssimo viver dentro de uma bolha de ilusão.

O filme retrata a história real de Florence Foster Jenkins, que tinha o sonho de cantar em uma ópera no Carnegie Hall, mas era dona de uma voz agudíssima, desafinadíssima, talvez uma das piores vozes do mundo (que aos seus ouvidos parecia maravilhosa, porque era o que escutava de todos, o tempo todo). Só que ela era ricaça e influente. E vivia protegida, numa bolha de afeto, mais ou menos forçado. Digna de pena.

O que torna este filme mais interessante é a presença iluminada de Meryl Streep, aquela atriz que deveria ser proibida de concorrer ao Oscar, que deveria levar um prêmio válido por toda a vida e ser considerada hors concours. Basicamente, a melhor atriz do universo, na minha opinião. Qualquer papel que ela pega pra encarnar, por pior que seja, fica impressionante. Ela faz par com Hugh Grant, que estava tão bem neste filme que até parecia ter a idade dela. Outro que faz um papel bem legal é o “Big Bang” Simon Helberg, que interpreta o pianista que acompanhava Florence em suas apresentações. A propósito, Simon tocou mesmo no filme, assim como Meryl também “cantou” em todas as vezes.

“Florence” não é pretensioso e colhe os frutos que planta, ou seja: concorre ao Oscar só naquelas categorias que realmente lhe dizem respeito. Meryl, obviamente, como melhor atriz, e o figurino exótico assinado por Consolata Boyle, que cuidou também de produções como “Philomena“, “A Rainha” e “A Dama de Ferro”.

Assista ao trailer do filme:

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2 comentários sobre “‘Florence’: a história da dama supérflua que vive numa bolha

  1. Achei esse filme chaaaaaaaaato.
    Só fiquei até o final porque vi no cinema – e, no cinema, só saio antes do final se o filme for realmente insuportável (nos meus 31 anos de vida, isso aconteceu apenas três vezes).
    Não entendi as gargalhadas da plateia. O filme não é nem um pouco engraçado e transforma a protagonista numa total caricatura.
    Muito melhor é o francês Marguerite, inspirado na história de Florence. Muito embora a história seja a mesma, a protagonista lá é uma pessoa de verdade, não uma caricatura.

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