‘Sully’: você não é deixado em paz nem quando faz tudo certo

Para ver quando chegar à tevê: SULLY
Nota 7

sully

Tom Hanks vem se especializando em interpretar papéis biográficos. Afora os filmes da franquia Dan Brown, ele encarnou, recentemente, um advogado norte-americano recrutado para defender um espião soviético capturado em plena Guerra Fria (Ponte dos Espiões), Walt Disney (Walt nos Bastidores de Mary Poppins) e um capitão sequestrado por piratas na Somália (Capitão Phillips). Agora, ele interpreta um piloto de avião que conseguiu a proeza de pousar em pleno rio Hudson, salvando a vida de todas as 155 pessoas a bordo – um fato que aconteceu e foi bem noticiado em 2009. Enfim, Tom Hanks pegou gosto pelo filão das histórias reais.

Para nossa sorte, o cara é tão bom ator que a gente até esquece que ele está interpretando. Desta vez, ficamos 1h36 diante de um autêntico piloto de avião bastante sisudo, que, apesar de ser aclamado como herói por toda a população e imprensa, passa a ser alvo de uma investigação que pode colocar em risco sua carreira.

“O senhor bebeu antes daquele voo? Está passando por alguma dificuldade em casa? Usa drogas?”

Não. Não. Não.

“Mas não teria como voltar ao aeroporto quando percebeu a falha no avião? Não colocou a vida daquelas pessoas em risco ao tentar pousar no rio? Não foi imprudente?”

E essas últimas questões são marteladas para o “herói da vez”, inclusive em seu próprio inconsciente, ao longo de todo o filme.

O que achei mais interessante nessa história foi mostrar um bastidor de que pouca gente tomou conhecimento. Seria bastante cômodo para Clint Eastwood fazer um filme sobre o acidente/pouso forçado em si. Já daria um caldo danado, mesmo com o final feliz já conhecido de antemão pelo público, por ser uma história recente e bem repercutida. Mas ele focou na incongruência que se deu depois do “milagre”, quando, em vez de ser aclamado, o piloto passou a ser, literalmente, perseguido.

Será que Sully conseguiu se safar dessa segunda tragédia – e como? É o que nos perguntamos enquanto assistimos, e só obtemos a resposta no final.

É, enfim, um bom filme, com ótima interpretação do inquestionável Tom Hanks, com essa história real que segura qualquer trama e com a direção clássica de Eastwood. Só que não é um filme marcante, nem traz qualquer diferencial. É daqueles que você pode esperar chegar à “Sessão da Tarde” para assistir, sem pressa. Ao Oscar, foi indicado apenas pela categoria técnica de edição de som.

Assista ao trailer do filme:

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2 comentários sobre “‘Sully’: você não é deixado em paz nem quando faz tudo certo

  1. Não vi o filme ainda, então não sabia que o piloto foi investigado por suspeita de uso de alcool, drogas etc.
    Mas isso me lembrou aquele filme “o voo”, você viu? O piloto estava absolutamente chapado quando realizou o pouso de emergência, e muito embora tenha salvado a vida de todos, foi alvo de investigação também.

    Curtir

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