Para ver no cinema: THE POST: A GUERRA SECRETA (The Post)
Nota 9
A partir de agora, todos os estudantes de jornalismo passarão a assistir a este filme em seus cursos de graduação, assim como já deviam ver Spotlight, Todos os Homens do Presidente, e tantos outros filmes clássicos nostálgicos sobre um jornalismo que já não se pratica mais. Mas não se iludam, caros aspirantes a repórteres e editores: vocês não encontrarão mais, em nenhuma Redação, esse nível de comprometimento com a notícia e descomprometimento com o governante da vez.
Talvez por isso mesmo, cheguei a chorar em determinado ponto do filme, saudosista de um jornalismo que nunca cheguei a viver, fora do meu sonho e da minha imaginação. Que me fez mergulhar nesta profissão tão cheia de altos e baixos, em constante montanha-russa. Saudosista ainda de um tempo em que as pessoas faziam manifestações nas ruas em defesa da liberdade de imprensa, em que os jornais se preocupavam em ter uma equipe de repórteres de grande qualidade, que ganharia salários decentes e teria até três meses para mergulhar numa história de forma aprofundada, para realmente soltar uma manchete de impacto. E que ocuparia até seis páginas de jornal, que depois seria lido e relido por todos, em todos os lugares.
Hoje temos Redações sucateadas, pequenas, jornalistas pouco preparados, com tempo corrido demais para fazer qualquer coisa realmente aprofundada, e leitores pouco interessados nessa leitura mais árdua, em tempos de tweets e zaps curtíssimos.
Enfim. Já estou mudando de assunto.
Voltando ao “The Post”, ficou claro que um dos motivos pelos quais adorei o filme foi por contar essa página empolgante da história do jornalismo, romantizada, mas que também já existiu de verdade. O filme faz isso de forma brilhante, com um roteiro que começa lento, com dezenas de personagens de nomes difíceis, que às vezes eu demorava a lembrar quem eram, mas que vai se animando e ficando mais rápido e tenso a cada minuto, até o clímax final. Esse roteiro levou o prêmio do sindicato dos roteiristas e, inexplicavelmente, ficou de fora do Oscar.
Aliás, as indicações desse filme ao Oscar foram um enigma para mim. Que Meryl Streep merece ser indicada (e premiada, SEMPRE), não é novidade pra ninguém. Acho até que ela deveria ser declarada hors concours. Mas como o filme pode ser indicado à categoria mais importante do Oscar — de melhor filme do ano –, sem estar presente em nenhuma outra? Como pode ser o melhor filme sem ter também melhor roteiro, melhor direção ou ao menos bons prêmios técnicos que justifiquem ser um conjunto de obra espetacular? A falha foi de quem deixou The Post de fora de outras estatuetas, e não do filme de Spielberg. Para mim, ele deveria ter entrado em melhor direção, melhor edição, melhor design de produção, melhor figurino e melhor roteiro, além de melhor ator para Tom Hanks. Teríamos, assim, oito estatuetas para The Post, em vez de duas — e aí haveria justiça nesse mundo cinematográfico…
Assista ao trailer do filme ‘The Post’:
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