‘Moonlight’: a autodescoberta do garoto que cresceu sem amor

Para ver no cinema: MOONLIGHT
Nota 9

moonlight

O que é um apelido? É uma definição de quem você é, concebida por uma terceira pessoa, muitas vezes a partir de uma caricatura que ela faz de você.

O “moonlight” que dá nome ao filme só é citado uma vez, quando o personagem Juan, maravilhosamente interpretado por Mahershala Ali (que foi até indicado ao Oscar pelo papel), fala sobre o apelido que ganhou na infância, quando uma velha disse que, no luar, garotos negros parecem azuis.

“É disso que vou te chamar. Azul”, disse a velha a ele.

Nosso protagonista pergunta a Juan: “Mas seu nome é azul?”

Ao que ele responde: “Não. Um dia, você terá que decidir quem você quer ser. Não deixe ninguém tomar esta decisão por você.”

 

Esse diálogo acontece na primeira parte do filme, que é dividido em três partes, não por acaso batizadas com os vários nomes/apelidos que são atribuídos ao nosso protagonista. Na primeira parte, ele é uma criança, chamado de “little”. Na segunda parte, já adolescente, é “Chiron”, seu nome de batismo. E, na última, adulto, é “Black”, outro apelido que ele recebe no filme.

Porque este é um filme, em essência, que fala sobre um garoto tentando decidir/descobrir quem ele é de verdade. Continuar lendo

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‘Manchester À Beira-Mar’: talvez o melhor roteiro do Oscar 2017

Para ver no cinema: MANCHESTER À BEIRA-MAR (Manchester by the Sea)
Nota 10

manchetes

O que achei mais legal neste filme é a forma como a narrativa vai se construindo delicadamente, um tijolinho sendo colocado sobre o outro, e não tudo jogado de uma vez em cima de nós, logo nos primeiros minutos. Nem mesmo o trailer estraga essa construção do personagem intrigante que é Lee Chandler, interpretado brilhantemente por Casey Affleck. No começo do filme, percebemos de cara que ele é caladão, sério, talvez um pouco perturbado. Aos poucos, nos damos conta de que algo grave aconteceu a ele. O que terá sido? E esse suspense é segurado (ou revelado a conta-gotas) até quase metade do filme.

Para mim, este é provavelmente o melhor roteiro dentre os indicados ao Oscar 2017. Um roteiro poderoso e dramático, mas, ao mesmo tempo, simples. Diante de nós, corre a vida, com suas minúcias, com as burocracias, com as dores, os momentos de raiva, de egoísmo, de cumplicidade.

A sinopse, que não estraga o suspense, é a seguinte: Continuar lendo