Homenagem ao melhor garçom do planeta

Dênis, o melhor garçom do mundo, servindo amiga na melhor pizzaria de São Paulo. Foto do Emílio Sant’anna.

Anteontem dividi aqui no blog meu lema sobre sempre tentarmos exercer nossas profissões da melhor maneira possível, sejam elas quais forem. Aliás, já tinha tratado disso aqui, mais ou menos.

Pois bem. Hoje eu queria homenagear uma pessoa que conheci aqui na Terra Cinza e que segue meu lema à risca.

Já conheci muitos garçons bons na vida. Garçom é um profissional que geralmente respeito e admiro muito. Especialmente aqueles das antigas, que lembram seu nome, te tratam como rei a noite toda, nunca perdem a elegância. Fora aqueles de butecos que precisam segurar barras pesadíssimas com todos os clientes bêbados sem-noção que surgem noite adentro.

Mas nunca conheci um garçom tão bom quanto o Dênis, da “minha” pizzaria, aqui de São Paulo (iniciei uma campanha para que pelo menos a “pizza da Cris” conste no cardápio. Já foi aprovada por todos os meus amigos!). Ontem falei com ele: “Dênis, você é o melhor garçom do planeta!” E ele abriu aquele sorrisão de sempre.

Na primeira vez em que fui àquela pizzaria, lá por volta de 2010, fiquei encantada com a pizza boa e barata, com catupiry de verdade e cerveja geladíssima. O lugar era simples, bem mais do que hoje (reformou e tá mais carinho), tinha uma tevê ligada (que é um ponto negativo, pra mim), mas era daqueles em que a gente se sente em casa.

Daí veio o Dênis com a primeira Serra Malte e, em vez de servir como qualquer outro garçom, ele tinha uma técnica só dele de encostar o bico da garrafa no cantinho do copo, tombando ele pra frente, e, sem NUNCA deixar o copo cair (que medo que dá), despejar a cerveja cuidadosamente, sem formar colarinho em excesso.

Aprendeu meu nome e o da amiga que estava comigo. Quando voltei pra lá, meses depois, ele me cumprimentou: “Oi, Cris!”, e perguntou pela amiga, nominalmente. Que memória!

Mais que isso: perguntou se eu queria a mesma pizza que comi e adorei naquele dia. Era uma Siciliana com Carne Seca, meia a meia, sendo que,  na de carne seca, troquei a mussarela por catupiry.

Eu disse: “Qual era a pizza? Nem lembro mais.”

E ele recitou direitinho, inclusive lembrando do detalhe do catupiry trocado.

Desde então, em várias outras ocasiões, ele perguntou: “Quer a de sempre, Cris?” Eu nunca lembrava bem qual era a de sempre, mas ela sempre chegava e eu sempre adorava. Às vezes também podia ser a “alternativa” (Fiorentina com Quatro Queijos), e ele sabia qual era a alternativa também. Tem um computador no cérebro.

Além disso, comemorei três dos meus aniversários lá, e o bota-fora de São Paulo (tinha que ser lá também, claro). Em todas as ocasiões, o Dênis me atendia pelo telefone, sabia que era eu, falava: “Tudo bem, claro!”, e separava as mesinhas no centrão do restaurante, vigiando pra ver se alguém estava de pé e, nesse caso, pegar mais mesas para juntar àquelas. Nada nunca foi problema: “Pode ser nesta quinta? Pode ser a partir das 20h? Pode ser pra 50 pessoas?” Pode, pode, pode, claro.

Sempre sorridente. O restaurante fecha à 1h, inclusive por força da lei municipal (se bem que é fechado, então não incomoda os vizinhos), mas já aconteceu várias vezes de o pizzaiolo ir embora, todos os garçons irem embora, a porta estar fechada, e o Dênis ficar lá sozinho, atendendo a gente até 2h, 3h, 4h (!) da madrugada, exausto, mas sempre com o sorrisão e a sensação de que está tudo bem, ele quer que nossa noite seja perfeita, nada vai atrapalhar a nossa noite, nem seu sono e as horas extras de trabalho.

Ele termina a noite suado, rosto vermelho, bloquinho cheio de pedidos, sempre correndo pra lá e pra cá, nunca deixando nenhum copo vazio na mão de ninguém (disse um amigo: “Nossa, virei pro lado e, quando olhei, meu copo já estava cheio de novo!”), sempre sorridente (“Pode guardar seus presentes ali no caixa, Cris. Perdeu o copo? Sem problemas, tenho outro aqui.”) e sempre profissional. No final da noite, ele tem todas as notinhas guardadas, faz as contas com o maior zelo, na nossa frente, e sempre bate direitinho. Faz o papel do caixa, por causa do horário.

Para mim, o Dênis é o exemplo do que é ser o melhor profissional da sua categoria, seja ela qual for, ou pelo menos dar o melhor de si. Conheci muitos garçons bons, eu já disse, mas nenhum é tão bom quanto ele. E seu atendimento faz total diferença para que o lugar esteja sempre cheio, mesmo sendo uma pizzaria de bairro, sem grife, sem esses prêmios manjados de guia e revista.

Na verdade, com aquela memória, ele pode ser qualquer outra coisa que ele quiser. E tenho certeza: ele sempre vai tentar ser o melhor do mundo de novo.

Que nos sirva de inspiração. E que a pizzaria valorize o trabalho dele, porque gente boa assim costuma escolher pra onde vai. Logo-logo um Famiglia Mancini da vida descobre o Dênis 🙂

***

PS. Querem conhecer a pizzaria? Fica na rua Martim Francisco, 195, em Santa Cecília. A duas quadras do metrô de mesmo nome. Os outros garçons também são ótimos e todos atendem a todas as mesas. Chama Quincazza (meio mineirês, né? Tipo “Aqui em casa”. E tem a ver, porque a gente se sente em casa mesmo) e dizem que, com minha volta pra BH, vai acabar falindo. Então visitem logo 😉

***** (ótimo)

$$ (de R$ 25 a R$ 40 por pessoa)

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4 comentários sobre “Homenagem ao melhor garçom do planeta

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