Um filme pra ver…

Para ver no cinema: O ARTISTA (The Artist)

Nota 9

O filme é uma homenagem ao cinema e, mais especificamente, ao clássico “Cantando na Chuva”, como percebi ao final.

Mas também é uma homenagem, por que não dizer, a todas as coisas maravilhosas do passado que acabam varridas para debaixo do tapete com as novas tecnologias e o tal do “progresso”. Como a vitrola, o disco de vinil, a película 35 mm, a orquestra acompanhando um filme mudo, o amor platônico, o sapateado — em breve, quem sabe, o jornal impresso.

Tecnologia nova é bom, facilita a vida, agiliza tarefas, mas empoeira coisas que deveriam ficar lustrosas para sempre, por seu charme e sua eficiência, por todas as alegrias que já despertaram, pela capacidade que têm de tocar na alma humana.

O filme é uma homenagem aos dinossauros de outras épocas, que merecem nossa eterna admiração e respeito, mesmo que achemos razoável a lógica de que o mundo deve deixar os caminhos abertos para os jovens. Eu defendo, na verdade, que os caminhos sejam largos o suficiente para que jovens e velhos possam compartilhá-los, com a ousadia e a disposição de uns e a sabedoria e experiência de outros.

É também essa a tese desse ótimo “O Artista”, na pele dos dois protagonistas. Que é um filme mudo e preto e branco, como os de antigamente, numa era digital e com o modismo do 3D. Mas que usa bem como poucos a interferência do som na trama, nos momentos exatos, criando vibração, tensão e êxtase, como poucos. É uma homenagem, é uma defesa e uma ótima história e interpretação, tudo ao mesmo tempo.

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