Cidade Administrativa e as promessas não cumpridas

Texto de José de Souza Castro:

Já escrevi sobre a Cidade Administrativa, construída na capital mineira durante o governo Aécio Neves a um custo excessivo, em agosto de 2009, em novembro de 2009, em fevereiro de 2010, em março de 2010 e em outubro de 2011.

Então, por que volto hoje a esse conhecido elefante branco? É porque o responsável maior pela obra e seus seguidores se acham num momento de euforia, imaginando que o principal adversário de Aécio Neves na disputa à presidência da República em 2014 pelo PSDB se pôs fora do páreo, ao optar pela prefeitura de São Paulo. E porque sempre vale refletir sobre a capacidade administrativa de um candidato, tendo em vista sua história.

A Cidade Administrativa foi considerada pelo próprio governo de Minas, na época, como a grande obra de Aécio, pois além de levar o desenvolvimento para a desvalorizada região Norte da capital, significaria uma grande economia em aluguel pago por secretarias e outros órgãos públicos, dispersos por prédios no Centro, que seriam reunidos num mesmo local, reduzindo ainda os custos de custeio do governo mineiro. De fato, uma grande obra, considerando-se apenas os custos de construção, até hoje nebulosos, mas bem acima de um bilhão e duzentos milhões de reais.

A economia de custeio, porém, parece ser uma promessa não realizada. O jornal “Hoje em Dia” abre neste domingo a seguinte manchete: “Mudança elevou custeio do Governo em R$ 528 milhões”. Informa, na primeira página, que a “transferência dos órgãos e secretarias de Estado para a Cidade Administrativa não trouxe a economia anunciada, que seria de R$ 85 milhões ao ano. Dados da Contadoria Geral do Estado revelam que, nos anos de 2009, 2010 e 2011, a manutenção da máquina pública ficou 30% mais cara. Aluguéis de imóveis em BH ainda são pagos. O Governo admite o aumento das despesas, mas culpa a inflação”.

Lembrando, a Cidade Administrativa, que recebeu o nome de Tancredo Neves, avô do governador, foi inaugurada há dois anos, em 4 de março de 2010.

A reportagem assinada por Ana Flávia Gussen e que ocupa as páginas 3 e 4 do jornal afirma que “as despesas de custeio com as secretarias aumentaram em R$ 528.968.057,61 desde que as pastas foram transferidas para a nova sede”. Informa ainda que “desde a inauguração da Cidade Administrativa, a proposta orçamentária registrou aumento de 13,5% na previsão de receita”.

Os gastos subiram mais que a receita. Mas não apenas por culpa da nova sede administrativa. Em 2010, o novo governador, Antonio Anastasia (PSDB), eleito com apoio do atual senador Aécio Neves (PSDB), criou cinco novas secretarias, além de outras secretarias extraordinárias, para abrigar políticos ligados à extensa coligação formada para garantir a eleição dos manda-chuvas tucanos.

Na Cidade Administrativa funcionam todas as secretarias estaduais e 25 órgãos públicos, que empregam ali 16 mil servidores. Mas o Governo continua ocupando prédios no Centro da cidade, sob a alegação de que tal coisa é necessária, “para manter órgãos e unidades de atendimento ao público no local”.

O governo, porém, continua prometendo que os custos vão cair, a partir deste ano. Quem viver, verá…


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Por José de Souza Castro

Jornalista mineiro, desde 1972, com passagem – como repórter, redator, editor, chefe de reportagem ou chefe de redação – pelo Jornal do Brasil (16 anos), Estado de Minas (1), O Globo (2), Rádio Alvorada (8) e Hoje em Dia (1). É autor de vários livros e coautor do Blog da Kikacastro, ao lado da filha.

3 comments

  1. Vendo que dois acessos ocorreram hoje, 4/10/2014, a este artigo, fui conferir: o texto do “Hoje em Dia” não está mais disponível. Não me surpreendi com isso.

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