O julgamento nosso de cada dia (uma fábula)

Para pegar na locadora: HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO (Il y a longtemps que je t’aime)

Nota 9

Logo no início, somos apresentados a duas mulheres, muito parecidas fisicamente.

Uma, que não para de fumar, tem o olhar distante, o semblante frio. A outra, agitada, alegre, tem o aspecto mais jovem e saudável.

Aprendemos em pouco tempo que a primeira estava longe há 15 anos, mas não sabemos por quê. Teria ficado doente? Estaria em uma clínica de reabilitação? Em coma? Teve que viver em outro país, num exílio?

Aos poucos, vamos descobrindo o que houve. E o melhor desse filme é justamente como o quebra-cabeças vai se formando sem pressa, de forma perfeita, mantendo um suspense no ar todo o tempo.

Esforçamo-nos por gostar de Juliette, esta do olhar distante, mas ela não se esforça para nos conquistar, confusos telespectadores. Sentimos que ela é uma boa pessoa, mas queremos entender o que a levou para longe da família por tanto tempo. O que teria feito ou vivido de tão grave?

O filme nos deixa intrigados, ansiosos por saber mais. E isso só vai acontecer 100% na última cena. Mas, até lá, já vamos aprendendo que, no fundo, este drama é uma fábula sobre os julgamentos.

Em dado momento, um personagem (irritante, por sinal) diz que Juliette está sempre calada, observando a todos e julgando todo mundo.

Não é o que fazemos todo o tempo? Desde quando entramos no elevador e miramos o vizinho, já estabelecendo todo um juízo de valor a respeito de quem ele é, até quando lemos (ou cobrimos) um caso policial e, sem praticamente nenhum recurso, apontamos o dedo para alguém e o condenamos por um crime que nunca saberemos se cometeu mesmo.

Esse filme é quase que uma interpretação de “Crime e Castigo”, mas com um Rodka bem peculiar.

***

As duas atrizes principais são fabulosas.
O diretor e roteirista é professor de literatura da Universidade de Lyon, o que explica as várias referências à literatura ao longo do filme.
Depois de assistirem, voltem aqui para lerem esta palavra: Orinoco. Também arrepiaram?
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5 comentários sobre “O julgamento nosso de cada dia (uma fábula)

  1. Achei muito bom esse filme, Cris. Se não me engano, foi na mesma época em que vi “Dúvida”, com o Philip Seymour Hoffman. E os dois têm tudo a ver um com o outro: sobre que nem tudo é o que parece. Foi bom ter lido, pra lembrar que preciso ver de novo este filme!

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