Que aumente a intolerância contra os intolerantes

Grande Laerte!

Há seis anos atrás, em junho de 2005, escrevi no meu primeiro blog sobre os grupos de pessoas que, amparados em ideologias nazistas, fascistas, integralistas e afins, cospem fogo contra negros, judeus, gays e outros grupos étnicos ou minoritários.

Na época, eu achava preocupante que usassem comunidades do Orkut (que ainda estava engatinhando) para discutir suas teses sobre as maravilhas de ser branco, sobre as diferenças entre os judeus e as tortas, sobre a afronta que é ser homossexual, sobre imigrantes indesejados etc.

Hoje resolvi dar outra passeada pelas comunidades do Orkut, para ver como está a situação. Tive que procurar com mais afinco (até porque a Justiça está de olho no Google), mas ainda assim encontrei comunidades defendendo o estupro coletivo de lésbicas, um sujeito dizendo que Nova Orleans (aquela terra linda do jazz e do blues dos pântanos!) tem mais casos de crimes do que o Japão por ter mais negros e outras coisas do gênero.

Mas o que preocupa mais, hoje em dia, não é a palhaçada de anônimos covardes dizendo asneiras em comunidades para pré-adolescentes. Mas saber que alguns deles se reúnem, têm bandeiras, leis, códigos, usam coturnos com bico de ferro, canivetes e outras armas e as usam para efetivamente desferir golpes contra pessoas que estão obviamente sozinhas, em menor número, desprotegidas. E que costumam apanhar e até morrer pelo simples fato de serem negras, gays, nordestinas ou judias.

Em São Paulo, já foram identificados 200 marginais, de 25 gangues, conforme a excelente matéria da Laura Capriglione, publicada hoje. E o pior é que acham o máximo ser presos, emolduram o B.O. por agressão na parede do quarto, qual troféu, talvez por saberem que seu crime não irá muito além do registro de um boletim de ocorrência, apesar de ser o chamado “crime de ódio”, gravíssimo.

E os que nem foram identificados?, cabe perguntar.

Também me pergunto, sempre, o que leva um grupo de jovens de 16 a 28 anos a cultuar esse tipo de coisa (que, como defendi em outro post, não é aceita por nossa Constituição democrática, justamente por ferir direitos humanos universais básicos). Problemas na educação? Problemas familiares? Problemas psicológicos? Psiquiátricos? Alguma razão, séria, deve haver. E essa razão deveria ser apurada e trabalhada pelo poder público e pela sociedade.

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Felicidadezinhas despretensiosas na hora certa

(Foto: CMC)

Felicidade é sair do cinema (um filme muito melhor do que o nada que era esperado, prova de que Harrison Ford e Diane Keaton ainda têm muito charme e que jornalismo ainda é bom tema para filmes), pedir um sundae de Chokito e ganhar o triplo da calda de chocolate (quase metade do copinho) porque a lanchonete está fechando e não querem desperdiçar — e, claro, porque a atendente é gente fina e adivinhou que hoje foi um mau dia.

O curioso, e até mágico, é que essas felicidadezinhas singelas, despretensiosas, costumam nos acontecer justo nos dias ruins. Como um lembrete amigo, um sopro de sax, um acordeonista alegre, a nos recordar que somos seres otimistas — e assim devemos permanecer (mesmo aos domingos).