Todo amor tem seu tempo

Para pegar na locadora: O AMOR EM 5 TEMPOS (5 x 2)

Nota 8

Ontem à noite assisti ao filme francês O Amor em 5 Tempos, da Mostra Internacional de Cinema da TV Cultura (que tem trazido filmes bem legais).

Começa com Marion e Gilles sentados lado a lado, sem se olhar, ouvindo em silêncio as decisões sobre seu divórcio: não possuem bens, o filho receberá a visita periódica do pai e morar com a mãe, vão tomar decisões sobre o filho em conjunto, ela vai continuar no apartamento alugado etc.

É impossível ver aquela cena, tão fria, e não pensarmos, pesarosos: por que alguém tem que passar por isso? Por que o amor um dia acaba?

Depois piora: os dois decidiram que iriam fazer sexo pela última vez antes do fim, e foram a um motel. Impossível não pensarmos: por que alguém teria uma ideia de jerico dessas?

E logo terminará o primeiro tempo. E a história desse casal passará a ser contada em feedback, em outros quatro tempos decisivos daquele casal. Acho que não prejudica o filme se eu contar quais são esses tempos, por tão óbvios para quase todos os casais: o declínio do amor; a gravidez; o casamento; o primeiro encontro.

Cada um desses tempos trará à nossa cabeça outros tantos pensamentos inevitáveis sobre essa difícil arte de se relacionar. Coisas como: por que este e não aquele? Por que nos entregamos a alguém? Por que casamos? Por que persistimos e insistimos mesmo sem dar certo? Por que às vezes somos tão babacas com alguém que gosta de nós? E assim vai indo.

Cada tempo é, em síntese, a síntese daquilo por que todos esperamos passar um dia, com o começo, o ápice, o declínio e o fim. Mas a graça do roteiro de François Ozon é ser contado de trás pra frente, que mantém nossa curiosidade a todo momento (inclusive nos últimos segundos de filme) e o suspense sobre como tudo começou.

O título em português é óbvio, mas bom, porque diz logo a que vem o filme. É a história de um amor. E, por isso mesmo, do tempo. Porque não existe amor sem tempo. Todo amor tem seu tempo. E sábios são aqueles que o vivem apenas até o momento em que esse tempo se esgota.


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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

2 comments

  1. “E sábios são aqueles que o vivem apenas até o momento em que esse tempo se esgota.” O Vinicius eternizou esta sapiência em um soneto famoso demais da conta, sô, que até me arrisco lascá-lo: “Amor, que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”
    É triste que o amor tenha um fim, mas é a realidade…
    Abraços.

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