Mônica Bergamo fala o que é preciso para ser jornalista

Há exatamente 1 mês, por ocasião da morte do jornalista Clóvis Rossi, recordei aqui:

“Quando eu trabalhava na Editoria de Treinamento da Folha, fiz cerca de 100 vídeos, que foram divulgados no blog Novo em Folha e na intranet do jornal. Eu tinha separado esses vídeos aqui no blog, para quem tivesse interesse em assistir (principalmente estudantes de jornalismo), mas descobri recentemente, com pesar, que não só o blog praticamente sumiu do mapa como todos os vídeos também desapareceram.

Por sorte, eu sou a pessoa mais organizada do universo e tenho todos esses vídeos salvos no meu computador. Um dia em que eu estiver bem à toa, vou colocá-los um por um no YouTube, para que não se percam, porque tem muita história bacana ali.”

Ainda não estive à toa o suficiente para fazer o upload de todas aquelas dezenas de vídeos que gravei e editei, mas decidi começar a subir aos pouquinhos, para que esse material possa ser recuperado, principalmente no interesse dos jornalistas mais jovens e estudantes de jornalismo. Vou tentar subir pelo menos um por semana aqui no blog.

Abro meu esforço com o vídeo da Mônica Bergamo, por ser uma jornalista que eu admiro pra danar, e acho que deus e o mundo também. Ainda na série “O que é preciso para ser jornalista”:

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O dia em que achei que falaria com Boechat

Nunca vi o Boechat pessoalmente, não peguei elevador com ele, ele não ajudou a alavancar minha carreira, não ganhei prêmio de jornalismo junto com ele, não dividi bancadas com ele, nada disso que li em tantos “eubituários” (expressão maravilhosa que pego emprestada de uma amiga) que surgiram ontem, com homenagens mais autoprestadas do que direcionadas ao grande jornalista da vez que o Brasil perde.

A única história pessoal que tenho envolvendo o Boechat é tão prosaica e tão nada a ver, que vou compartilhar só por isso.

Minha irmã Viviane Moreno era foca e eu estava ou no colégio ou no primeiro ano de faculdade. Ela estava cobrindo o “Criança Esperança” e me ligou de lá, toda empolgada. Uma barulheira infernal do outro lado da linha.

– Alô, Cris? Estou aqui com um grande ídolo seu, um cara de quem você é fãzona, por isso falei com ele que tinha que te ligar!
– Que legal! Quem?
– (Barulheira horrível, a resposta é ininteligível)
– QUEM?
– O (barulho) Bo… (barulho indecifrável)
– Quem?!
– (Impaciente) O (barulho parecendo “boche”)!!!!!!
– Boechat? Ricardo Boechat???
– NÃO, CRIS! O GUSTAVO BORGES! O nadador!
– Ah, tá…

A esta altura, quando ela passou o telefone pra eu falar com ele, Gustavo Borges já estava achando que eu não era fã coisa nenhuma, que minha irmã era doida, e ela já estava morrendo de vergonha. E eu sem saber o que falar com meu atleta favorito, que confundi com um jornalista famoso, graças aos ruídos telefônicos e ambientais…

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Agora, falando em depoimentos realmente singelos para o jornalista que morreu de forma tão inesperada, recomendo a leitura deste da Mônica Bergamo, que dividiu a bancada com ele durante mais de 10 anos.

Ela também é famosa, também é uma baita jornalista, mas seu depoimento não é sobre ela própria, e sim sobre o carinho que Boechat despertava em seus ouvintes/telespectadores/leitores. Aí, sim!  😀

 

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Gilmar Mendes ataca Lava Jato e o Judiciário ‘mais caro do mundo’

O presidente do TSE, Gilmar Mendes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do TSE, Gilmar Mendes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

Há muito não concordo com opiniões do ministro Gilmar Mendes, do STF, que neste ano vem presidindo o Tribunal Superior Eleitoral. Nesta segunda feira, 24 de outubro, ele conseguiu, pelo menos, me deixar confuso. Não poderia deixar de concordar com algumas coisas do que ele diz, em entrevista a Mônica Bergamo, relacionadas com o Judiciário e com a Lava Jato.

Razão da desconfiança: a quem interessa de fato a pregação do ministro, com seu costumeiro uso da imprensa.

A seus amigos do PSDB, como Fernando Henrique Cardoso e José Serra, interessaria, por exemplo, esvaziar o poder do juiz Sérgio Moro, agora que o poder político foi retirado do PT. Gilmar Mendes talvez ache necessário estancar a sangria da Lava Jato, antes que seja tarde para os amigos tucanos. Daí, dizer que o combate à corrupção e a Operação Lava Jato estão sendo usados “oportunisticamente” para a defesa de privilégios do Judiciário, do Ministério Público e de outras corporações. Continuar lendo

A Venezuela não somos nós (infelizmente)

petroleo

Texto escrito por José de Souza Castro:

O país com a maior reserva de petróleo parece ser a Venezuela, que foi explorada por mais de um século por petroleiras estrangeiras. Mas, desde Chávez, a situação complicou. Com Maduro, que deve ser eleito no próximo domingo, não vai ser diferente. Quem duvidar, achando que ele não passa de um reles ex-motorista de ônibus, fácil de ser cooptado pelos donos do mundo, deveria ler a entrevista do presidente venezuelano à Mônica Bergamo, publicado neste domingo pela “Folha de S.Paulo“. Fácil de ser cooptado parece ser o governo Dilma Rousseff, a julgar pelo artigo de Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia, fundado em 1880 no Rio de Janeiro. O artigo foi divulgado pelo Correio da Cidadania, entre outros.

Acho que a “Folha de S.Paulo” e nenhum outro grande jornal acolheria o artigo, embora ele fale mal do governo, coisa que gostam de fazer. Porque Metri diz cobras e lagartos da 11ª rodada de leilões de blocos para exploração e produção de petróleo marcado para os dias 14 e 15 de maio próximo, coisa que deve desagradar grandes anunciantes. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) criou todas as facilidades imagináveis para atrair investidores, como se isso fosse necessário num mundo faminto de petróleo. Alguns trechos do artigo:

• “Este fato é gravíssimo por representar a capitulação final do atual governo brasileiro às multinacionais do petróleo. Com relação às rodadas de leilões, o governo do PT se iguala ao governo do PSDB.

• A 11ª rodada só conterá blocos fora da área do pré-sal, sendo regida, portanto, pela lei 9.478 (…). Pela lei 9.478, quem descobre petróleo é dono dele e faz dele o que bem quiser. Nenhuma empresa estrangeira demonstra interesse em construir refinarias no país, quer seja para abastecer o mercado interno ou exportar derivados, como também não tem intenção de vender o petróleo a ser produzido à Petrobras. Então, o objetivo delas é unicamente exportar o petróleo in natura.

• Nenhuma empresa estrangeira compra plataforma no Brasil. Falo do item “plataforma” porque ele representa mais de 80% dos investimentos e as compras na fase dos investimentos são a quase totalidade das compras de um campo. As compras na fase de produção são pouco representativas. Desde 1999, quando ocorreu a primeira rodada, as empresas estrangeiras receberam concessões e nunca compraram uma plataforma no país. Só quem compra plataforma no Brasil é a Petrobras. Neste setor, a geração de mão de obra ocorre mesmo com a encomenda de plataformas. Como as empresas estrangeiras não compram no país, elas não abrem oportunidades de trabalho.

• Pelas determinações da lei 9.478, não existe obrigatoriedade de as empresas suprirem recursos para nenhum Fundo Social, como existe no caso da lei da área do pré-sal, que é destinado para programas sociais. Quando a lei 9.478 era a única a reger todas as explorações e produções de petróleo no Brasil e não existia a lei dos contratos de partilha, um estudo comparativo do nível das taxações em diferentes países foi feito, concluindo que as “participações governamentais” aqui representam somente 45% do lucro da atividade petrolífera, enquanto a média mundial está em 65%. Países como Noruega, Venezuela e Colômbia taxam até mais de 80% do lucro. Por isso é que classificamos o royalty cobrado atualmente no Brasil como irrelevante.

• Argumentam que há necessidade dos leilões para o abastecimento do país, o que seria cômico, se não fosse de extremo mau gosto. As empresas estrangeiras só querem exportar o petróleo que descobrirem. Se não tiverem esta possibilidade, não se inscrevem nos leilões. Quem abastece o Brasil é a Petrobras.

• Outro argumento usado é que só 7% das bacias sedimentares brasileiras teriam sido pesquisadas e, por isso, devem ser feitos leilões. Notar que a concessão é para a exploração, quando o petróleo é procurado, e se houver descoberta, para a produção também. Então, pelo argumento, o Brasil deve entregar um bloco para ser explorado, para melhorar o nível de conhecimento das nossas bacias. Mas, se for descoberto petróleo, ele será levado sem grande usufruto para a sociedade?

• Argumentar que esta rodada inclui áreas em regiões pobres que, hoje, não recebem nenhum royalty é explorar a inocência alheia. Supondo que vai ser descoberto petróleo na região, eu acharia até meritório se o royalty fosse, no mínimo, o triplo do que é hoje. Estão achando que prefeitos e governadores de regiões pobres aceitam qualquer esmola.

• Daniel Yergin tem um livro de 800 páginas citando inúmeros casos de guerras, conflitos, acordos, espionagens, traições, deposições e assassinatos ocorridos no mundo graças ao petróleo, além de mostrar claramente o poder que sua posse representa. Contudo, nós, brasileiros, entregamos a posse do nosso petróleo a empresas que irão arrematar um bloco no leilão por cerca de 0,2% do valor do petróleo a ser produzido no bloco, durante a vida útil. E mais nada!

• No entanto, o que mais me dói, atualmente, além da enorme perda para a tão sofrida sociedade brasileira, é reconhecer que, na última campanha presidencial, o candidato José Serra tinha razão, quando, no horário eleitoral gratuito, dizia que a candidata Dilma iria deixar as empresas estrangeiras levarem o petróleo brasileiro. Lembro-me bem da imagem na tela da TV de um canudinho, pelo qual o petróleo brasileiro era sugado pelas multinacionais. Obviamente, não acreditava nem acredito que José Serra fizesse diferente. Mas nunca pude imaginar que Dilma, consciente de todos estes aspectos citados, pela sua formação e trajetória, fosse chegar à presidência para abrir o setor petrolífero brasileiro às empresas estrangeiras sob a péssima lei 9.478.”