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O presente de grego da CIA à Lava Jato

Estados Unidos tinham interesse direto nos trabalhos que foram feitos no Brasil por Sergio Moro, Dallagnol e o restante da trupe da Lava Jato.

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Há uma semana, quando a defesa de Lula divulgou à imprensa parte dos arquivos liberados pelo Supremo Tribunal Federal, alguns sites, como o Conjur, destacaram a seguinte declaração feita por Deltan Dallagnol  em conversa com outros procuradores da Lava Jato, no dia em que foi decretada a prisão do ex-presidente da República pelo juiz Sergio Moro: “Foi presente da CIA”.

 

Rádios, televisões e jornais passaram batido, até este domingo, quando o UOL publicou este artigo de Janio de Freitas, que na “Folha de S.Paulo” teve como título “Delatores sem prêmio” e, como subtítulo, “Próprios integrantes da Lava Jato se delataram em gravações”.

Agora vai ficar difícil ignorar a atuação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em conluio com o então juiz Sergio Moro e com o coordenador da operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, para destruir Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores.

 

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A frase “Presente da CIA”, observa Janio de Freitas, “começa por suscitar curiosidade com seu sentido dúbio e logo ascende, vertiginosa, à mais elevada das questões nacionais — a soberania”.

Numa crítica velada à chamada grande imprensa, Janio afirma que as três palavras passaram quase despercebidas, “entre as novas revelações das tramas ilícitas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol, envoltas em abusos de poder e de antiética no grupo de procuradores.”

“Seca”, observa Janio de Freitas, “emitida como um repente fugidio de saberes velados, a frase de Dallagnol celebrava a informação mais desejada: Sergio Moro determinara, no começo da noite daquele 5 de abril de 2018, primórdio da campanha para a Presidência, a prisão do candidato favorito Lula da Silva”.

“Na véspera”, acrescenta o jornalista, “o Supremo Tribunal Federal acovardou-se ante a ameaça golpista do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas. Por um voto de diferença, entregou a candidatura e, para não haver dúvida, o próprio Lula à milícia judicial de Curitiba”.

Já prevendo a tentativa de justificação, Janio de Freitas se antecipa: “Não importa o que agora Dallagnol diga. Não será crível. O mesmo sobre quem embalou e entregou o presente, Sergio Moro.”

Conforme Janio de Freitas, o coordenador da Lava Jato tinha conhecimento da relação entre pretensões da CIA na eleição brasileira e a exclusão da candidatura de Lula. Nem lhe ocorreu falar de candidatos favorecidos, nem sequer do êxito da ideia fixa que dividia com Moro e disseminara nos companheiros. Era a CIA na sua cabeça.”

CIA não era a única agência americana envolvida na trama. Foi noticiado o envolvimento também do FBI e de outras agências dos Estados Unidos, como NSA, Tesouro, entre outros. Registra o colunista da Folha:

“Um grupo de 17 agentes chegou à Lava Jato em outubro de 2015, acobertado por uma providência muito suspeita: Dallagnol escondeu sua presença, descumprindo a exigência legal de consultar a respeito, com antecedência, o Ministério da Justiça. Eram policiais e agentes estrangeiros agindo com a Lava Jato, não só sem autorização, mas sem conhecimento oficial. Violação da soberania, proporcionada por procuradores da República, servidores públicos. Caso de exoneração e processo criminal.”

Para Janio de Freitas, o sigilo é tão mais suspeito quanto era certo que o governo nada oporia, mesmo porque há até uma delegação permanente do FBI no Brasil, trabalhando inclusive em assuntos internos como as investigações de rotas do tráfico. “O motivo real do sigilo é desconhecido, e só pode ser comprometedor”.

É uma questão que exige paciência, a julgar pelo nosso judiciário. E pela imprensa brasileira.

“Talvez se tenha que esperar por livros estrangeiros para saber o que foi e como foi, de fato, a Lava Jato conduzida por Deltan Dallagnol e Sergio Moro, este, hoje, integrado a uma empresa americana que lida com procedimentos do submundo empresarial. Mas nem tudo continua sob sombra ou como dúvida”, anima-se Janio de Freitas. E conclui, exemplificando com o que escreveu a procuradora Carolina Resende, que falando “no melhor vernáculo miliciano’”,  não disfarçou o objetivo do grupo: “Precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1) pra nós da PGR”.

Quem tiver tempo e estômago pode ler a última batelada dos vazamentos divulgados na “Folha de S.Paulo” pela jornalista Mônica Bergamo AQUI.

 

A nova manifestação ao Supremo foi encaminhada no dia 12 último por Cristiano Zanin Martins e outros três advogados do escritório que defende Lula (o reclamante). Lê-se na página 15 que Deltan Dallagnol tinha pressa em fechar um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para que a fundação de direito privado que a Força Tarefa estava criando, para que ela ficasse com 60% do que os americanos arrecadassem no Brasil da Petrobras, a título de indenização.

Tais circunstâncias, afirmam os advogados do reclamante (Lula) foram dissimuladas, segundo o diálogo dos procuradores da Lava Jato, para “NÃO PARECER QUE ESTAMOS AJUDANDO A FERRAR A PETRO”. [Destaque dos advogado de Lula, no Item 30 da manifestação]. Na página 16, sustentam que a análise dos documentos “revela a prática de atos processuais clandestinos com o objetivo de ocultar relações espúrias”. E concluem:

“Diante do material já trazido a lume e do material que integra esta manifestação, verifica-se uma vez mais, dentre outras coisas (i) que a Lava Jato promoveu uma verdadeira cruzada contra o Reclamante, (ii) que a operação ocultou provas de inocência em relação ao Reclamante, (iii) que a operação deliberou monitorar os movimentos migratórios dos advogados do Reclamante, mesmo após ter sido descoberta a interceptação ilegal do principal ramo do escritório de advocacia dos mesmos, para além da prática de outros atos manifestamente ilegais com o objetivo de inviabilizar o direito de defesa, e (iv) que a operação refutou os canais oficiais da cooperação internacional, inclusive em relação ao acordo de leniência firmado como grupo Odebrecht”.

Trata-se aqui apenas do Relatório de Análise Preliminar. O Relatório Final, informa Zanin ao ministro Ricardo Lewandovski, “será apresentado após o exame exaustivo do material disponibilizado”.

Lamento, mas esse “presente da CIA” é um cavalo de Troia para os defensores da Lava Jato.

 

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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