Um cerco no Congresso, no Supremo e na imprensa contra a democracia

Os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes participam da sessão do STF que adiou o julgamento sobre a validade da posse de Lula na Casa Civil (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro Gilmar Mendes na sessão do STF que adiou o julgamento sobre a validade da posse de Lula na Casa Civil (Antonio Cruz/Agência Brasil).

Texto escrito por José de Souza Castro:

O cerco ao governo Dilma se fecha no Supremo Tribunal Federal – que nesta quarta-feira adiou para data indefinida o julgamento sobre a posse ou não de Lula como ministro da Casa Civil – e no Congresso Nacional. Neste, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (também pendente de uma decisão do STF sobre sua permanência ou não no cargo) exige pressa do Senado para afastar logo a presidente da República, cedendo o lugar ao vice Michel Temer.

Enquanto isso, Dilma dá a Temer uma chance de presidir o país por três dias enquanto ela viaja ao exterior para denunciar o golpe, num rápido discurso durante evento da ONU, deixando seus inimigos a espernear. Como pode, a presidente falar mal do Brasil em Nova York? 

Dilma discursando na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2015. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma discursando na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2015. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR (Clique na imagem para ver maior)

A possibilidade de o país vir a ser governado por Michel Temer, quando Dilma for afastada pelo Senado, alegra Cunha e a maioria dos deputados, de olho na impunidade para os investigados na Lava Jato. E de olho gordo no erário. Não só os deputados, mas também os partidos. O PSDB teria exigido que o senador José Serra, defensor da entrega do pré-sal às petroleiras internacionais, seja nomeado ministro da Fazenda no governo Temer.

Outros interessados são os grandes grupos de mídia controlados por poucas famílias, alguns deles em crise, que esperam ser devidamente recompensados, mediante aumento da publicidade do governo federal, de assinaturas e de empréstimos a fundo perdido do BNDES, pelo esforço que têm feito para acabar com o governo Dilma e com o PT antes das eleições de 2018. Não há dúvida de que, depois da posse de Temer, essa mídia deixa de ser oposição ao governo.

E não se pode esperar muito da mídia estrangeira, para que os brasileiros sejam mais bem informados. Haverá alguns arroubos passageiros, como o deste editorial do jornal londrino The Guardian, saudado por blogs e sites na Internet que, talvez, evitem que o panorama no Brasil seja menos sombrio do que estou a prever.

Um dos que se entusiasmaram com as críticas do The Guardian, a Revista Fórum, escreveu:

“Com duras críticas ao processo aprovado neste domingo (17) na Câmara dos Deputados, o editorial do The Guardian classificou o impeachment de Dilma como “uma tragédia e um escândalo” e destacou que “nada ainda é muito claro no Brasil, exceto que o país vai sofrer as consequências deste impeachment por muito tempo”. “Longe de ajudar a resolver a polarização política e social no Brasil, o impeachment tem exacerbado o problema”, diz o texto, que destaca que o afastamento de Dilma “pode fazer com que a ação anticorrupção no país desapareça”.

No Senado, não há o que esperar de bom. Leio AQUI que o bloco que reúne PTB, PR e PSC indicou os senadores Wellington Fagundes (PR-MT) e Zezé Perrela (PTB-MG) como titulares da Comissão Especial que vai analisar o processo de impeachment.

Perrela! Em 2013, a Polícia Federal descobriu um helicóptero de sua família transportando 450 quilos de pasta base de cocaína, o que não passou de mero constrangimento para o nobre senador amigão do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, como se constata nessa notícia de O Globo. Ah, se o helicóptero fosse da família do Lula!

O helicóptero foi apreendido com 443 quilos de cocaína em novembro de 2013. Foto: Divulgação/PF

Helicóptero foi apreendido em novembro de 2013 com 443 kg de cocaína. Foto: Divulgação/PF

Perrela tem tudo para se sair muito bem também na Comissão Especial do Senado. Como na Câmara dos Deputados, haverá senadores que não concordarão com ele. Um deles é o senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná. No entanto, Requião não acredita que Dilma Rousseff, mesmo que ela sobrevivesse na Presidência da República, teria condições de continuar governando. Tanto que num comentário para emissoras de rádio na terça-feira, dia 19, distribuído por seu gabinete, ele propôs que Dilma faça a convocação de novas eleições presidenciais, para este ano. Leia AQUI.

A ideia é interessante, mas não acredito em sua viabilidade. Tão perto de abocanhar o osso, PMDB, PSDB et caterva aprovariam tal proposta partida da Presidência da República?

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