Como fraudar uma eleição

Bloomberg conversou com hacker responsável pela frente digital das campanhas da direita na América Latina. Foto: divulgação

“Bloomberg” conversou com hacker responsável pela frente digital (oculta) das campanhas da direita na América Latina. Foto: divulgação

Texto escrito por José de Souza Castro:

A Bloomberg Businessweek publica reportagem com data de 4 de abril de 2016 mostrando como as campanhas eleitorais na América Latina sofreram nos últimos anos ataques cibernéticos custeados pela direita, para influir nos resultados das urnas. O caso mais expressivo foi o do México, com a eleição do milionário Enrique Peña Nieto, que está privatizando o petróleo de seu país. 

O Brasil não é citado, pois a principal fonte da Bloomberg é o colombiano Andrés Sepúlveda, que, contratado por Juan José Rendón, um rico consultor político baseado em Miami, não trabalhou aqui. O colombiano liderava uma equipe internacional de hackers, incluindo brasileiros: “Brazilians, in his view, develop the best malware”, diz a versão em inglês da reportagem, que pode ser lida AQUI. Ou AQUI, para quem preferir ler em espanhol.

Quem acompanhou a campanha eleitoral de 2014 no Brasil sabe que o país não ficou livre dos hackers financiados pela direita. Uma campanha que ainda não acabou. Após a reeleição de Dilma Rousseff, ela continuou, visando impedir que Dilma governe e, se possível, substituir a presidente por seu vice, acreditando que Michel Temer seria um governante bem mais maleável aos que, de fato, dirigem o país mediante o controle de sua economia.

A reportagem é assinada por Jordan Robertson, Michael Riley e Andrew Willis. Ela está disponível no portal da Bloomberg desde o dia 31 de março – uma data especialmente significativa para os brasileiros, a partir de 1964.

Segundo a reportagem, pouco antes da meia-noite, quando foi declarada a vitória de Enrique Peña Nieto, candidato do PRI – o Partido Revolucionário Institucional que governou o México durante 70 anos, até o ano 2000, e voltava ao poder em julho de 2012 –, Andrés Sepúlveda começou a destruir tudo o que pudesse servir de evidência ao seu trabalho e de sua equipe, durante a campanha. O candidato vitorioso prometia combater a violência do tráfico de drogas, lutar contra a corrupção e abrir o mais transparente período da política mexicana.

Abriu, verdadeiramente, a exploração do petróleo às multinacionais. Tudo o mais, pode-se esperar sentado. (Quem diz sou eu, não a Bloomberg.)

Andrés Sepúlveda tem hoje 31 anos de idade. Durante oito anos, ele viajou pelo continente para manipular as mais importantes campanhas políticas. Seu orçamento era de 600 mil dólares. Ele liderava um time de hacker que roubava estratégias de campanha, manipulava a mídia social para criar falsas ondas de entusiasmo ou de repúdio, e para instalar espionagem em escritórios de políticos adversários.

A carreira de Sepúlveda começou em 2005. Seus serviços custavam de 12 mil a 20 mil dólares por mês, dependendo do pacote contratado. Este podia incluir clonagens de páginas da web e envio em massa de e-mails e textos, hackear smartphones, criar falsos comentadores em blogs e sites, entre outros. As equipes de Sepúlveda trabalharam em eleições presidenciais na Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador, Colômbia, México, Costa Rica, Guatemala e Venezuela.

Ele diz que não trabalhava tanto por dinheiro, mas por ideologia. Quando criança, testemunhou a violência das guerrilhas marxistas da Colômbia. Adulto, se aliou à direita emergente na América Latina. Sepúlveda acreditava que seu hacking não era mais diabólico do que as táticas daqueles a quem se opunha, como Hugo Chávez e Daniel Ortega. Muitos dos seus esforços não foram bem-sucedidos, mas ele teve vitórias suficientes para reclamar para si tanta influência sobre a direção política da América Latina moderna quanto qualquer um no século 21, diz a Bloomberg.

Segundo Sepúlveda, seu trabalho era promover ações da guerra suja, fazer operações psicológicas e propaganda falsa, espalhar rumores – todo o lado obscuro da política visível a quem prestar atenção.

Ele resolveu dar entrevista depois de ter sido condenado a 10 anos de prisão por uso de software malicioso, conspirar para cometer crime, violação de dados pessoais e espionagem, tudo relacionado com o hacking durante a eleição presidencial da Colômbia em 2014.

Sepúlveda ficará de molho durante algum tempo. Mas a direita brasileira – aí incluindo a Fiesp e seu pato – tem à disposição, se quiser, o apoio de uma reconhecida expertise estrangeira para acabar com o Partido dos Trabalhadores: Juan José Rendón, que por muitos anos liderou o hacker colombiano.

Se esse consultor político de Miami não estiver muito ocupado com as eleições nos Estados Unidos, ele pode dar uma mãozinha à Fiesp. Segundo a Bloomberg, com base em fontes anônimas, no ano passado a imprensa colombiana informou que Rendón estava trabalhando para a campanha presidencial de Donald Trump.

Por dinheiro e por ideologia, certamente.

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