Glenn Greenwald aponta fraude na pesquisa Datafolha

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Texto escrito por José de Souza Castro:

Merda, quanto mais se mexe mais fede. Quem não conhece esse provérbio português? O Datafolha conhece, mas parece que não lhe deu importância, ao divulgar nesta quarta-feira, dia 20 de julho, a segunda versão de sua pesquisa revelada sábado e que deu à “Folha de S.Paulo” a manchete de domingo “mostrando” que 50% dos brasileiros querem a permanência de Michel Temer na Presidência da República e que só 3% preferem novas eleições neste ano para escolher o sucessor de Dilma Rousseff.

Quem se deu ao trabalho de ler essa versão diz que a única coisa que mudou da versão original foi essa frase que vem logo abaixo do título: “58% querem afastamento definitivo de Dilma Rousseff, e 60% são favoráveis a nova eleição”.

Fiz uma busca na segunda versão da pesquisa do Datafolha e a expressão “nova eleição” só aparece uma vez. Exatamente nessa frase. Ou seja, a questão não constava do questionário respondido pelos entrevistados na pesquisa. Continuar lendo

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Como fraudar uma eleição

Bloomberg conversou com hacker responsável pela frente digital das campanhas da direita na América Latina. Foto: divulgação

“Bloomberg” conversou com hacker responsável pela frente digital (oculta) das campanhas da direita na América Latina. Foto: divulgação

Texto escrito por José de Souza Castro:

A Bloomberg Businessweek publica reportagem com data de 4 de abril de 2016 mostrando como as campanhas eleitorais na América Latina sofreram nos últimos anos ataques cibernéticos custeados pela direita, para influir nos resultados das urnas. O caso mais expressivo foi o do México, com a eleição do milionário Enrique Peña Nieto, que está privatizando o petróleo de seu país.  Continuar lendo

Apostando no colapso do sistema

Não deixe de assistir: A GRANDE APOSTA (The Big Short)
Nota 9

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Subprime. MBS. CDO. CDO sintético. Clientes ninja. Títulos com classificação AAA, AA, BBB, BB.

Toda essa sopa de letrinhas do mundo financeiro, frequente no noticiário de economia e nas rodinhas das bolsas de valores, não é muito comum no cinema. Mas em um filme sobre a crise financeira de 2008, um vocabulário como este — muito complexo para quem não está acostumado a pensar em economês — tinha que se fazer presente.

Um dos grandes méritos de “A Grande Aposta” é o didatismo. O filme pega esses conceitos abstratos e os explica, geralmente por meio de comparações simples, até meio boçais. Para que qualquer leigo possa entender a grande merda (outra palavra bastante repetida durante o filme) que foi feita pelos bancos, pelas agências de classificação de risco e pelo governo dos Estados Unidos, levando a uma crise mundial sem precedentes e com consequências sentidas ainda hoje.

Para que isso fosse possível, o filme precisou de direção, edição e roteiro de qualidade. Não é à toa que concorre ao Oscar 2016 nessas três importantes categorias. Também concorre na categoria principal, de melhor filme, e na de melhor ator coadjuvante, com o sempre ótimo e já premiado Christian Bale (embora eu tenha gostado ainda mais da atuação de Steve Carell, que ficou de fora). O elenco também inclui talentos como Ryan Gosling e Brad Pitt.

Não se enganem: o economês (ainda por cima explicado) não torna o filme tedioso. As fraudes e as sacanagens feitas no sistema financeiro norte-americano rendem suspense, emoções fortes, drama e reviravoltas que parecem de ficção. E o mais legal é que não são ficção. Aconteceram. E o mais “legal” é que, apesar de bancos, financeiras e agências de risco — para não falar no governo — terem sido os grandes vilões da história, foram os pobres e imigrantes que levaram a culpa. E mais “legal” ainda é ver aquelas mesmas agências de classificação de risco atuando ainda hoje, petulantemente rebaixando nota da Petrobras e o escambau, como se fossem os pilares da credibilidade. Quer dizer, foi logo ali, em 2008, que elas foram desmascaradas, como assim já deu tempo de isso ser esquecido?!

Ah sim, tem um motivo pra isso: a imprensa também teve sua parte na vista grossa de 2008, assim como no “esquecimento” desde então. Pena que isso é abordado bem superficialmente pelo roteiro.

Enfim, o filme escancara essas coisas todas, sem pudor. Do ponto de vista de quem apostou contra o sistema, de quem quis lucrar em cima do colapso. Com direito a muito cinismo, palavrões e rock’n’roll (trilha sonora de primeira!). Vale como aula — ou como tapa na cara, pode escolher.

Veja o trailer do filme:

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