O que resolveu a novela com o vizinho de baixo

Hoje eu estava relendo posts antigos e percebi que deixei uma lacuna para os leitores deste blog que acompanharam minha cruzada contra o vizinho de baixo.

Para relembrar, o vizinho primeiro interfonou uma vez, supostamente porque deixei o sofá-cama escorregar e cair com um barulho mais forte ao ser aberto, que durou um segundo.

Em outro dia, interfonou uma segunda vez quando eu estava deitada na cama, em silêncio absoluto, me acusando de estar fazendo muito barulho e ameaçando chamar a polícia.

Atendendo à sugestão de leitores do blog, tentei falar pessoalmente com ele, mas, como ele não me recebeu, falei pelo interfone, e imaginei ter resolvido a questão.

Só que não foi assim que resolvi, porque, passada uma semana daquele dia, o vizinho interfonou uma terceira vez, me acusando de estar arrastando móveis e fazendo uma barulheira quando eu estava novamente em silêncio absoluto!

Coloco aqui, tardiamente, o desfecho da história, para que sirva de exemplo a outras pessoas que estejam passando por algo semelhante com a vizinhança. O que resolveu definitivamente a questão foi eu ter escrito uma carta formal, com cópia para a administradora do condomínio e para o zelador, que é esta que segue abaixo:

“Caro sr. XXXXX,
Escrevo para tentar resolver mais uma vez esse problema que estamos tendo. Quero que o senhor entenda: eu moro sozinha e não fico arrastando móveis à meia-noite, que é a hora em que, se não estou já dormindo, estou me preparando para dormir. Portanto, se é que alguém possui esse hábito lá no prédio, esse alguém não sou eu.
Pensei que isso já tivesse ficado claro na última vez em que nos falamos, depois que o sr. ZELADOR me interfonou quando eu já estava deitada na minha cama, lendo um livro para pegar no sono. O senhor não quis me receber em seu apartamento para conversarmos, mas mesmo assim eu te interfonei e pensei ter mostrado ao senhor que é preciso averiguar bem a fonte dos ruídos que o senhor diz ouvir antes de sair interfonando para a casa dos outros, incomodando o sono alheio. Sim, porque eu até perco o sono depois de ser acusada de coisas tão injustas por três vezes seguidas e ameaçada de chamarem a polícia por minha causa.
Já disse ao senhor pelo interfone e repito agora: sou uma vizinha exemplar que, nas poucas horas em que fico em casa, ando sem salto alto, ouço televisão e rádio baixinho, e não tenho nem forças para produzir ruídos que possam atrapalhar o sono de alguém.
Mas mesmo tendo explicado tudo e conversado com o senhor, fui mais uma vez incomodada pelo senhor ZELADOR, sempre perguntando “O que está acontecendo aí?”, como se eu tivesse que explicar que estou deitada, lendo mensagens no celular, com a cabeça cheia de problemas e tristezas por razões pessoais, que não dizem respeito a ninguém. Será que meus pensamentos estão tão altos assim?
Assim sendo, envio esta carta como última tentativa de obter sossego e respeito do meu vizinho de baixo. Vou enviar uma cópia dela à administradora do condomínio e outra cópia ao sr. ZELADOR. Também pedirei a ele que nunca mais me interfone quando a solicitação partir do senhor – porque, até onde sei, não há nenhuma norma no prédio que permita ao zelador incomodar os vizinhos a pedido de outros vizinhos. O zelador tem que zelar pelo bem-estar e pelo sossego dos condôminos e tenho certeza que o sr. ZELADOR já percebeu que, pela terceira vez, ele foi forçado a atrapalhar meu sono injustamente.
Se mesmo assim o senhor continuar perturbando meu sossego, vou pedir à administradora que lhe envie uma notificação formal, seguida de multa, conforme está previsto no regimento do prédio.
Conto com sua colaboração para que nada disso seja necessário. A única coisa que quero é conviver em paz com meus vizinhos. Espero que o senhor queira o mesmo.
Cordialmente,
Cristina, do apto XXX”

Foi só depois desta carta que parei de ser amolada. E desde então, nunca mais fui. Por isso, fica a dica. Não é com todos que o “diálogo” funciona 😉

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4 comentários sobre “O que resolveu a novela com o vizinho de baixo

  1. Cristina, para mim não foi tão ”fácil assim”, não estou menorizando o incômodo que você deve ter vivido, não existe incômodo desejável. Mas no meu caso precisei mover uma ação judicial e ainda está em andamento. Esse tipo de problema nos deprime profundamente, e só quem passa por uma situação dessas é capaz de entender o quanto ela causa danos emocionais e até psicológicos a uma pessoa.

    Parabéns por resolver o problema.

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    • Olá, Viviane! Na verdade, aquela não foi a solução final, tampouco pra mim. Quando escrevi este post, já fazia um bom tempo que o vizinho me importunava e, por isso, achei que tivesse resolvido o problema. Mas depois já tive que chamar a polícia, aos prantos, me vendo perseguida pelo sujeito, e cheguei a fazer o B.O. O delegado deu um baita sermão nele, que fez realmente ele nunca mais me importunar — até eu resolver mudar de prédio (me mudei de SP pra BH). Ou seja, nem sei dizer se a ida à delegacia já seria o fim da novela mesmo, ou se eu teria que mover uma ação, usando o B.O. e as testemunhas como prova. Conto um pouco mais dessa história no seguinte post: https://kikacastro.com.br/2013/05/28/faltou-contar-ate-10-mas-sera-so-isso-mesmo/

      O pior é que vizinhos loucos me perseguem. Depois que voltei a BH, ainda morei um ano em um prédio sombrio, com um vizinho alucinado, que ficava gritando impropérios da janela (colada à minha) contra mim. Felizmente, há alguns meses estou morando em um prédio com estado de espírito muito mais leve, vizinhos educados, sem barulho nenhum e também sem reclamarem dos meus barulhos imaginários, sem todos esses problemas. Por mim, não sairia daqui nunca mais (mas é alugado, né…). Eu concordo plenamente com vc: só quem vive esse tipo de situação sabe o mal que faz pra nossa saúde, em todos s sentidos. É uma verdadeira violência psicológica (isso quando não descamba pra violência física, como falo no outro post). Leia este aqui tb, acho que vai gostar: https://kikacastro.com.br/2013/09/08/cada-predio-tem-um-estado-de-espirito/

      abraços e boa sorte!

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  2. Olá, Cris! (permita-me chamá-la, assim).

    Li os outros posts, obrigada por responder, fico feliz por poder compartilhar este problema.
    No outro post, tem uma parte em que você diz ser perseguida por vizinhos loucos. Saiba que não és a única “privilegiada”, por vezes penso ser vítima de “homovizinhofobia”, na verdade preciso de estudos que comprovem esta minha teoria, (rs). O fato é que ele também parece me odiar, e muito, já chegou a dizer em uma das vezes que me agrediu verbalmente: “eu não sei de qual inferno você saiu”.

    Sofri bastante com esta situação, fui prejudicada na faculdade e no convívio com a família por ter ficado algum tempo com reflexos de depressão e angustia.

    Por algum tempo fiquei muito pensativa. Como pode uma pessoa fazer algo tão ruim à seu semelhante? E o que é pior, gratuitamente! Já pensei tanto, que desisti de pensar.

    Sou uma pessoa muito tranquila, gosto de silêncio e sossego. Não tenho hábitos espalhafatosos; não ouço música em volume alto (na verdade só uso fones de ouvido). Não incomodo ninguém com minha existência. Mas…

    Tenho um casal de vizinhos, do apartamento de cima, que brigam todos os dias, em uma das vezes chamei a polícia porque acreditei piamente que ele a mataria nesse dia, tamanha era a violência. Para esses vizinhos ele nunca interfonou, nunca!

    Meu problema se torna ainda pior por não contar com a compreensão do síndico, que na verdade, além da aparente covardia não faz jus à sua ocupação como tal. E se agrava ainda mais por a subsíndica ser a mulher do “vizinho louco”. Ou seja, estou em maus lençóis…

    Contudo, tenho uma boa notícia. Antes que respondesse meu comentário, recebi a notícia de que estou sendo transferida para outro estado, o que a priori foi um grande alívio. Aceitei mesmo sem saber o valor do salário ou qualquer outra coisa. Deus ajuda quem cedo madruga (rs).

    E só para encerrar, acho que precisaremos estabelecer mais um critério quando formos alugar um imóvel. Depois de avaliar as condições hidráulicas, elétricas,lazer e etc…deveremos solicitar um teste de 30 dias para sentir a “vibe” do condomínio.

    Abraços.

    Viviane Schmidtke

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    • Olá, Viviane! Eu te entendo demais. Esse sofrimento é incalculável. E já percebi que o alvo preferencial desses vizinhos são as mulheres que moram sozinhas (não sei se é o seu caso), que era a minha situação naquele momento. Eles devem se sentir mais poderosos ao torturar uma pessoa que creem mais indefesa.
      No fim das contas, você vai resolver esse problema da mesma forma que eu: mudando para bem longe dali. E, olha, acho que é o melhor que você faz. Acho que há casos em que não há solução: não adianta chamar a polícia, acionar a Justiça… a pessoa sente esse prazer mórbido de importunar o outro, e tenho pra mim que isso é algum tipo de patologia.
      Tomara que, em seu novo apartamento no outro Estado, você encontre um estado de espírito agradável e uma vizinhança mais acolhedora. Acho que esse é o critério mais importante para vivermos bem, né? Boa sorte! 🙂
      abraços,
      Cris

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