Lula + Maluf

Não gosto muito das charges do Caco Galhardo, mas ele mandou muito bem na de hoje, na “Folha”:

Fico me perguntando qual a diferença entre Maluf e os anteriores ACM e Sarney, que já deram e ganharam apoio de Lula em outras ocasiões, desde 2003.

O jeito como se faz política no Brasil (e em boa parte do mundo) não comporta mais diferenças ideológicas muito grandes. A equação que interessa hoje, na cabeça dos petistas, é só uma:

Maluf = 1min30 de TV + Haddad

Muitos ontem já estavam cravando que, com a saída de Erundina, as chances de Haddad foram para as cucuias. Na verdade, não é bem assim. Ela deixou a prefeitura de São Paulo com apenas 20% de aprovação, melhor apenas do que Celso Pitta, que dispensa comentários. Atrairia votos apenas de petistas históricos, que muito provavelmente já votariam/rão em Haddad de qualquer jeito, vendo os demais concorrentes em jogo.

Eu acho que o tempo de TV vai fazer mais diferença do que Erundina no palanque. E a foto de Haddad sendo afagado por Maluf não deve ser muito explorada pelos candidatos concorrentes, porque eles próprios sempre se aliaram ao malufismo.

Haddad hoje tem apenas 8% dos votos, segundo o último Datafolha. Mas ele subiu 5 pontos, enquanto Serra se manteve estagnado em 30%. Temos aí uma tendência, que será amplificada nos próximos meses, quando a campanha eleitoral começar com força, com aparições de Lula — e Dilma — ao lado do candidato petista (coisa que não aconteceu ainda na Rede Globo, por conta de atrasos da campanha petista para registrar o programa).

Essa tendência é reforçada por outro dado: Serra tem o segundo maior índice de rejeição na cidade (32%), enquanto Haddad tem um índice de 12% — que vem caindo.

E permitam-me trazer um terceiro dado: nas eleições para prefeito em 2008, em Belo Horizonte, uma candidata despontava como a vitoriosa em todas as pesquisas antes do início da campanha eleitoral: a comunista Jô Moraes. Em julho, o Datafolha fez sua primeira pesquisa na cidade e disse que Leonardo Quintão (PMDB) tinha apenas 9% e Marcio Lacerda (PSB — o candidato da coligação petista) tinha 6%. Já perto da votação, o cenário se inverteu radicalmente, os dois últimos disputaram o segundo turno e Lacerda acabou vitorioso (e vem fazendo um governo criticadíssimo e, pelo que acompanho, ruim). Nesse meio-tempo, é claro, ele apareceu diversas vezes ao lado de Fernando Pimentel, Patrus Ananias e Lula, e subiu igual foguete, mesmo sendo um “candidato-poste”.

Ou seja, muita água ainda vai rolar. A saída de Erundina e o aperto de mão em Maluf pouco dizem sobre as chances reais de vitória de Haddad. Outros fatores — e espero que programa de governo esteja entre eles — contam mais na cabeça do eleitor.

Mas o problema da imagem, este está abalado desde os apertos de mão entre Lula e ACM e agora mais com o carinho a Maluf. Petistas históricos, como Ricardo Kotscho, se entristecem. E eu reforço minha opinião de que o melhor, hoje e desde sempre, é ser apartidária. Porque essa sopa de letrinhas brasileira não quer dizer nada.

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