Dos milagres do levedo de cerveja

Outro dia, já faz tempo, escrevi aqui sobre mais um dos meus casos de amigdalite/faringite/rinite/gripe/whatever que me atazanam em determinadas épocas do ano.

Daí a Talita, leitora assídua do blog (:D), comentou que seu irmão havia ido a um médico japonês, adepto de soluções alternativas aos remédios de sempre, que tinha indicado tomar levedo de cerveja todos os dias, para evitar as constantes gripes. O irmão dela seguiu a recomendação e nunca mais adoeceu.

Fiquei com isso na cabeça.

Um dia, quando fazia a compra da ceia do Natal, vi, pela primeira vez, o tal levedo de cerveja sendo vendido no supermercado. Lá estava ele, em pó, meio bege, nada atraente. Comprei, mesmo assim, lembrada da sugestão. Mas nunca tive coragem de experimentar (eu já falei que tenho paladar infantil, né?). Fui adiando a experiência até esquecer o pacotinho no armário e, quando fui faxinar aquele canto, meses depois, descobri que já estava vencido.

Há mais de duas semanas, gripei de novo. Começou com uma febre alta, dor de garganta, dor no corpo, dor de cabeça… Cedi a ida ao médico quando notei que estava com sangue no catarro, mas ele receitou o velho corticoide/anti-inflamatório de sempre. Tomei pelo prazo receitado, mas a tosse persistiu, fora a garganta dolorida e as dores de cabeça que nunca fui de ter (costumo ter uma por ano e nesses últimos dias tive quase diariamente).

Até que vi a solução para os meus problemas: numa farmácia, lá estava o levedo de cerveja em cápsulas!

Comprei e tenho tomado diariamente, desde que o remédio receitado acabou. E, coincidência ou não, os efeitos da gripe começaram a passar uns três dias depois do início dessa “medicação” alternativa. Detalhe: na embalagem, escrito em letras garrafais, há um alerta dizendo que não existe comprovações científicas de que essas pílulas tenham capacidade de curar qualquer coisa.

Só depois de quase sarada é que fui finalmente consultar o médico moderno (o doutor Google) sobre o que se atribui, afinal, ao levedo de cerveja.

E eis o que descobri:

ele combate a fraqueza muscular, fadiga, estresse e a falta de concentração, fortalece o sistema imunológico, cura doenças de pele, como acne e furúnculos, diminui queda de cabelo, é indicado para quem tem diabetes, anemia ou está grávida, para quem tem atraso no crescimento, tem arteriosclerose ou artrite, ajuda contra o alcoolismo e a gula (ajuda a emagrecer), protege o sistema nervoso, é tônico geral cardíaco e circulatório, ajuda o fígado, ajuda no funcionamento do intestino, aumenta a resistência de atletas, ajuda a combater a flacidez dos tecidos associada ao envelhecimento, intervém nos processos de cicatrização, reduz o colesterol, tem trocentas vitaminas e minerais, etc etc etc…

Enfim, ele é, basicamente, deus. Muito melhor que a boa e velha Minâncora (lembram dela e seus efeitos milagrosos contra chulé, cecê, espinha, calvície, micose etc?), ultrapassa em qualquer nível as 1.001 utilidades do Bombril, dá de dez a zero na aspirina e é capaz até que dispense o Viagra. Afinal, reza a lenda (e o historiador Google) que Hipócrates, o pai da medicina, e monges medievais, já usavam o levedo para curar suas chagas.

O fato é que, sendo verdade ou não tudo isso que encontrei em fontes relativamente razoáveis do esculápio Google, nada me dizia que o troço faz qualquer mal ou tenha uma única contraindicação. Então, vou seguir tomando minha cápsula diária. Algo que resulta da produção da cerveja não podia ser ruim mesmo, né 😀

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