#PérolasDoLuiz – Melhor que muito médico de verdade

Acordei no último sábado passando mal, depois de vômitos e diarreia madrugada adentro – provavelmente alguma coisa estragada que comi. Luiz, que adora brincar de “dotô”, ficou sabendo que “mamãe estava dodói”, me deitou na cama e começou a me examinar.

Pegou uma seringa e me tascou uma injeção na barriga. Depois, com a lanterninha, examinou meus ouvidos, olhos, garganta – exatamente como a dra. Rita faz nos exames de rotina dele. Cenho franzido, rosto sério, disse: “Vou escrever os ‘memédios’ que mamãe precisa tomar”.

Pegou um papel, a caneta, e começou a rabiscar, enquanto ia enumerando:

Receituário do Luiz

  • “Kaloba [o único nome de remédio que ele conhece],
  • ÁGUA, muita água,
  • limonada também,
  • limão azedo com mel,
  • o memédio de bolinha da mamãe,
  • sorinho no nariz,
  • ver Masha e o Urso na tevê,
  • massagem.”

 

Depois, foi até o armário, pegou o massageador de pescoço que eu tenho, voltou pra cama e começou a fazer massagem nas minhas costas.

Depois disso, sarei rapidim 😉

 

Não pude deixar de pensar: Luiz já é melhor do que 90% dos médicos que consultei na vida!

Leia também:

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Mensagem de um ex-alcoólatra*

alcool

Não é todo dia que alguém do quilate de Ruy Castro escreve um texto como este, que saiu na “Folha” de ontem, sobre alcoolismo. Sem pieguice, sóbrio, objetivo e, ao mesmo tempo, descritivo, ele consegue nos mostrar como é triste alguém se tornar dependente — um escravo mesmo — de uma substância química, que no caso é o álcool, mas também serve para o cigarro e para as drogas ilícitas e outras vendidas em farmácias. Ele descreve a degradação do vício em 14 linhas, o suplício e alívio da recuperação em 6 linhas e reserva para a última linha a delícia da libertação, que dá significado a todos os dias da vida, agora vívidos, com nitidez, contraste de cores e sintonia.

Segue o texto do Ruy, que se chama “Há 25 anos”:

Foi num dia 25 de janeiro, como hoje. Enquanto Alice tirava o carro, abri a geladeira e, tremendo muito, servi-me de quatro copos de vodca -pura, gelada, do freezer. Copos, não doses. Cheios, cada qual tomado de um gole, e que, como sempre, desceram como água. O tremor nas mãos não traía nervosismo. Tremia porque acabara de acordar e estava sem beber havia horas. Ainda não descobrira como beber dormindo.
Acordado, bebia um mínimo de dois litros de vodca por dia, só em casa — o consumo na rua era difícil de calcular. Uma vez por semana, a empregada botava os cadáveres para fora, à espera do garrafeiro. Os vizinhos deviam achar que os moradores daquela casa bebiam muito. Se soubessem que um único morador engolia aquilo tudo, não acreditariam.
Dali a pouco, estávamos na rodovia Raposo Tavares, rumo a Cotia, a 31 km de São Paulo, onde eu então morava. Sabia que, no lugar para onde Alice me levava — uma clínica para dependentes químicos –, não haveria bebida. Os quatro copos teriam de bastar até o fim do dia. Mas, e o dia seguinte? E os 30 dias seguintes? Não tinha ideia, nem me preocupava. Afinal, não vivia dizendo que “bebia porque gostava” e “seria capaz de parar quando quisesse”?
Os primeiros cinco dias foram de horror — o organismo reagindo ao corte súbito do suprimento com tremores pelo corpo inteiro, agitação, insônia, diarreia, taquicardia, suores, possibilidade de delírio. Nas palestras, as vozes dos terapeutas soavam muito longe e o que eles diziam, um mistério. Os colegas de internação, fantasmas sem rosto. Mas, aos poucos, o horror passou e, em menos de duas semanas, foi sendo substituído por uma sensação quase insuportável de lucidez, vigor físico e vontade de viver — como nunca antes. Até hoje.
Enfim, foi hoje, há 25 anos. Mas hoje é apenas mais um dia.

 

Se algum de vocês, que me leem, quiser compartilhar suas histórias de vícios, tratamentos e curas aqui no blog, sintam-se à vontade. Acho que parte do processo de superação é entendermos que não somos os únicos com problemas no mundo, e o fórum de um blog é espaço maravilhoso para esse compartilhamento de experiências, inclusive usando o anonimato para o bem.

* Os mais entendidos dizem que não existe ex-alcoólatra: a doença está com a pessoa (e só algumas pessoas têm tendência a desenvolvê-la) e deve ser observada com cuidado por toda a vida. Mas vou permitir essa liberdade poética do Ruy, que tem nosso respeito com esses 25 anos de força de vontade.

Dos milagres do levedo de cerveja

Outro dia, já faz tempo, escrevi aqui sobre mais um dos meus casos de amigdalite/faringite/rinite/gripe/whatever que me atazanam em determinadas épocas do ano.

Daí a Talita, leitora assídua do blog (:D), comentou que seu irmão havia ido a um médico japonês, adepto de soluções alternativas aos remédios de sempre, que tinha indicado tomar levedo de cerveja todos os dias, para evitar as constantes gripes. O irmão dela seguiu a recomendação e nunca mais adoeceu.

Fiquei com isso na cabeça.

Um dia, quando fazia a compra da ceia do Natal, vi, pela primeira vez, o tal levedo de cerveja sendo vendido no supermercado. Lá estava ele, em pó, meio bege, nada atraente. Comprei, mesmo assim, lembrada da sugestão. Mas nunca tive coragem de experimentar (eu já falei que tenho paladar infantil, né?). Fui adiando a experiência até esquecer o pacotinho no armário e, quando fui faxinar aquele canto, meses depois, descobri que já estava vencido.

Há mais de duas semanas, gripei de novo. Começou com uma febre alta, dor de garganta, dor no corpo, dor de cabeça… Cedi a ida ao médico quando notei que estava com sangue no catarro, mas ele receitou o velho corticoide/anti-inflamatório de sempre. Tomei pelo prazo receitado, mas a tosse persistiu, fora a garganta dolorida e as dores de cabeça que nunca fui de ter (costumo ter uma por ano e nesses últimos dias tive quase diariamente).

Até que vi a solução para os meus problemas: numa farmácia, lá estava o levedo de cerveja em cápsulas!

Comprei e tenho tomado diariamente, desde que o remédio receitado acabou. E, coincidência ou não, os efeitos da gripe começaram a passar uns três dias depois do início dessa “medicação” alternativa. Detalhe: na embalagem, escrito em letras garrafais, há um alerta dizendo que não existe comprovações científicas de que essas pílulas tenham capacidade de curar qualquer coisa.

Só depois de quase sarada é que fui finalmente consultar o médico moderno (o doutor Google) sobre o que se atribui, afinal, ao levedo de cerveja.

E eis o que descobri:

ele combate a fraqueza muscular, fadiga, estresse e a falta de concentração, fortalece o sistema imunológico, cura doenças de pele, como acne e furúnculos, diminui queda de cabelo, é indicado para quem tem diabetes, anemia ou está grávida, para quem tem atraso no crescimento, tem arteriosclerose ou artrite, ajuda contra o alcoolismo e a gula (ajuda a emagrecer), protege o sistema nervoso, é tônico geral cardíaco e circulatório, ajuda o fígado, ajuda no funcionamento do intestino, aumenta a resistência de atletas, ajuda a combater a flacidez dos tecidos associada ao envelhecimento, intervém nos processos de cicatrização, reduz o colesterol, tem trocentas vitaminas e minerais, etc etc etc…

Enfim, ele é, basicamente, deus. Muito melhor que a boa e velha Minâncora (lembram dela e seus efeitos milagrosos contra chulé, cecê, espinha, calvície, micose etc?), ultrapassa em qualquer nível as 1.001 utilidades do Bombril, dá de dez a zero na aspirina e é capaz até que dispense o Viagra. Afinal, reza a lenda (e o historiador Google) que Hipócrates, o pai da medicina, e monges medievais, já usavam o levedo para curar suas chagas.

O fato é que, sendo verdade ou não tudo isso que encontrei em fontes relativamente razoáveis do esculápio Google, nada me dizia que o troço faz qualquer mal ou tenha uma única contraindicação. Então, vou seguir tomando minha cápsula diária. Algo que resulta da produção da cerveja não podia ser ruim mesmo, né 😀

O diabo do cigarro — e como enxotá-lo

Quer coisa mais nojenta que cinzeiro cheio desse negócio?

Lendo uma reportagem que saiu na “Folha” deste domingo, lembrei de um tema que fazia tempo eu queria abordar aqui no blog.

O cigarro.

Talvez por ser de uma família de convictos não-fumantes (bom, uma irmã já teve a fase não muito convicta quando era adolescente), sempre detestei cigarro.

Lembro até hoje quando vi uma foto na revista “Veja”, em 1999, do Bryan Lee Curtis, 34, aparentemente saudável e, apenas DOIS MESES depois, morrendo com enfisema pulmonar. Me marcou absurdamente antes de eu entrar na fase da adolescência em que eu poderia querer começar a fumar, já que é a idade em que muitos começam. Por essas e outras, sou 100% a favor das imagens fortes nas embalagens de cigarro e em livros escolares. Elas podem não atingir o viciado de anos em cigarro, mas atingem em cheio as crianças e adolescentes, antes que pensem em começar a fumar.

O cheiro, os dentes amarelados, o aspecto acinzentado que os fumantes adquirem com o tempo. Quando uma pessoa fuma há muito tempo, consigo identificar à distância, só de bater o olho. A pele é mais enrugada, mais encovada, tem uma nuvem ao redor da pessoa. Mas esses são os que fumam há realmente muito tempo. Os outros estão apenas chegando lá.

Pra piorar, o cigarro faz um mal absurdo, inquestionável e sabido por todos, e seus supostos benefícios são questionáveis e facilmente substituíveis. Relaxa? Beleza, mas um passeio de dez minutos numa pracinha relaxa ainda mais. Faz companhia? O.K., mas tem um negócio chamado “ser humano” que também serve pra isso — sem contar os bichinhos de estimação, o radinho ligado, o MSN… Ajuda na concentração? So does uma noite bem dormida de sono ou uma xícara de café (reza a lenda).

Enfim, a razão pras pessoas continuarem fumando é uma só: o vício, causado por dependentes químicos encrustados naquele tubinho ridículo. E os viciados se tornam escravos daquela droga, a R$ 5 o maço.

Bueno, não estou falando nenhuma novidade. Mas parece que são essas não-novidades que formam o novo método moderninho de arrancar os fumantes do vício, de que trata a reportagem de duas páginas. E, dizem alguns, funciona. É possível ler AQUI e ver AQUI.

O que eu sei é que, independente do método (há remédios, adesivos, chicletes, seminários, orientações por telefone, terapia etc etc), a única forma de parar de fumar só tem um nome: FORÇA DE VONTADE.

Minha irmã adolescente deu na telha e parou de fumar muito antes de ficar viciada. Um colega de trabalho que fumava há anos também decidiu, do nada, cuidar melhor da saúde e cortar os maços. Parou no dia seguinte e, meses depois, nunca teve uma recaída. Um amigo agora também resolveu se livrar da praga do maço diário. Já está longe dele há duas semanas, sem recaídas, e não passou pelos prometidos horrores da síndrome de abstinência.

Aliás, todo o sucesso desse novo método, se entendi bem, é bater na tecla de que a síndrome de abstinência de nicotina não é tão ruim quanto se propala, do ponto de vista químico, mas fica psicologicamente difícil pelo tanto que o fumante pensa que vai ser doloroso.

Mas aí, se a vontade apertar, já existem formas de contornar o problema, como remédios devidamente receitados para isso. Mas a força de vontade permanece o ponto-chave…

Por isso, recomendo que façam como meu amigo fez, soltando a plenos pulmões (que se tornarão mais plenos depois de alguns meses ;)) o grito de despedida:

Você me completou enquanto estivemos juntos
Era gostosa a sensação de estar contigo
Sentir seu cheiro , seu gosto…
Meus dedos e minha boca passeando por você
Quantas cervejas  tomamos juntos
Era minha melhor companhia.
Foram pouco mais de 2 anos, o suficiente para me apaixonar por você
Mas percebi que era só paixão…e ela acaba um dia
Não nos veremos mais, fui traído por você e por mim mesmo
Bonita por fora e venenosa por dentro
Conquistou-me para depois tentar acabar comigo
Usou-me, queria meu dinheiro…
É muita ganância e poder dentro de você
Não quero mais sentir seu cheiro, seu gosto…
Tocar então, menos ainda
Foi difícil tomar essa decisão…
Pensava em você…ficava noites sem dormir…não tinha mais vontade comer…
Hoje tou em outra, não quero mais te ver… “A fila andou”
Então encho de ar meus pulmões e digo com prazer:
“ADEUS CIGARRO!”

Um dia de cão

Quando fazia só um mês e meio que eu estava na Terra Cinza, ainda longe de estar adaptada com as agruras e felicidades de morar sozinha e com as bizarrices de São Paulo, tive uma daquelas noites em que se pensa: é hoje.

Era uma quinta à noite e percebi que estava com taquicardia. Já tive taquicardia umas poucas vezes na vida, tipo depois de tomar 500 ml de café, mas era coisa de segundos ou pouquíssimos minutos, e logo passava. Minha saúde é boa, meus exames são sempre OK e não tenho problemas cardíacos.

Mas aquela taquicardia foi ficando mais rápida e não passava. E o que se faz nessas horas? Toma água? Um comprimido? Fica de ponta-cabeça? Simplesmente desconheço soluções mágicas. Como era 23h, eu não quis ligar para meus pais em Beagá, para não preocupá-los.

Liguei a TV e fui assistir a um seriado, para tentar distrair e relaxar. O seriado acabou, uma hora depois, e meu coração continuava disparado. Pensei: é hoje que eu morro. E imagina que horror é morrer sozinha, num quarto de hotel! Àquela altura eu já estava em pânico, chorando horrores, e, apesar da vergonha, bati na porta do quarto contíguo, da minha amiga Paty (então em processo de formação da amizade), pelo menos pra alguém saber que eu estava mal.

Não sei como ela me acalmou e acabei dormindo. No dia seguinte, já normal, fui ao médico ver o que aconteceu. Ele disse que foi o componente (fenilefrina) do remédio pra gripe que eu tinha tomado, Trimedal, que faz isso com algumas pessoas. Era um remédio “tiro e queda”, daqueles que curam a gripe em seis horas. Avisei a todos os conhecidos para ficarem espertos com ele.

***

Quando fiquei gripada de novo no começo deste ano, com garganta inchada etc, fui ao médico, depois de quatro horas na fila durante uma noite chuvosa de domingo, e avisei que não podia tomar nada com fenilefrina.

Ele me indicou um remédio com fenilefrina, como fui descobrir na farmácia.

Em outra ocasião, em que minha garganta estava soltando pus e ardendo feito o diabo, o médico que me atendeu (sempre horas de fila depois, e olha que é plano de saúde) disse que era uma faringite virótica e me receitou um paracetamol da vida.

A garganta piorou, piorou, virou um monstro, e tive que voltar a outro médico, que viu que era uma amigdalite causada por bactéria e me receitou o antibiótico que eu já deveria estar tomando dias antes.

Enfim, por aí vocês devem ter uma ideia de como tenho resistência a sair na chuva, numa quinta-feira cinza, enfrentar quatro horas de fila no hospital, após gastar grana com táxi, e correr o risco de cair nas mãos de um médico picareta, que vai me ferrar ainda mais a vida.

***

Dito isso tudo, ontem eu estava doente. Aliás, desde anteontem, mas ontem foi um dia de cão.

Tosse igual de um velho de 100 anos asmático, dor de cabeça, dor nas costas, corpo todo moído, como se tivesse sido atropelada por um caminhão, coriza interminável, febrinha (chegou só a 38,1ºC), diarreia (provavelmente por causa do próprio xarope).

Com ajuda da minha mãe, que manja muito mais de medicina que esses médicos picaretas, eu me automediquei com as munições que tinha disponíveis de gripes anteriores: xarope fitoterápico pra tosse, um troço pra gargarejar que ajuda a desinflamar a garganta, paracetamol + cafeína, um troço pra pingar no nariz, litros e litros de água.

Passei o dia de repouso,

(vi três filmes:

  1. “Água para Elefante”, que é legal, embora o livro seja mais;
  2. “Larry Crowe”, uma bosta;
  3. “A Árvore da Vida”, um parto lindo, mas um parto. E eu esperava tão mais dele…!),

embora tenha trabalhado por umas três horas escrevendo a especial, cobrando resposta de fonte e de órgão público, tentando achar alguém pra fazer uma análise etc, e sofri as lamúrias de uma gripe em recuperação:

  • uma caixa com 150 lenços duplos de papel gastos + papel higiênico à vontade;
  • nariz estourado;
  • suadeira durante a noite, acordando toda hora;
  • carência absoluta (o que me fez ligar pra mãe, pra um amigo, pedir à Cida de Cotidiano pra me ligar, postar no Facebook — ouvir de alguém que é “drama” –, postar aqui etc).

Por fim, acordei hoje bem melhor, com 36,8ºC de temperatura, nariz mais sossegado e tosses mais esporádicas. Ou seja, deu mais certo do que na última vez que fui ao médico, embora tenha sido um dia de cão.

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Pra finalizar, uma descoberta (alerta: é nojenta):

Comprei o termômetro ontem, na farmácia (a única hora em que saí de casa).

Na bula, dizia que a temperatura pode ser medida pelas axilas, boca ou reto.

Reto!

Fiquei surpresa, eu não sabia que existiam pessoas que mediam a temperatura pelo reto. Por que fariam isso? Aliás, pra que fazer pela boca também, se é bem mais higiênico pôr debaixo do braço e pronto?

Não consegui evitar um pensamento nojento: alguém pegando emprestado meu termômetro pra medir pelo reto. Segundo pensamento nojento: alguém pegando emprestado pra medir pela boca depois 😯