
Um dia, Vovó Paterna foi à casa de uma amiga, visita de praxe.
Lá na roça, antigamente, era costume visitar os parentes e amigos com alguma frequência, como já não se faz mais hoje. Era até comum ter um “quarto de hóspedes” na casa, quando a visita vinha de outra cidade.
E, ao receber o visitante, no interior de Minas, era lei servir biscoito e café passado na hora.
A tal amiga ou parenta de Vovó, naquele dia, percebeu que o café (que também era moído em casa) estava acabando. Resolveu fazer com o que tinha, e o resultado foi o que já se convencionou chamar de chafé: fraco feito o diabo, daqueles em que se enxerga a estampa da toalha da mesa, por baixo da xícara de vidro.
Vovó tomou tudo, até o fim, provavelmente sentindo engulhos, e elogiou: Muito bom seu café.
A amiga, surpresa com o elogio educado, pensou que Vovó prefere café fraquinho.
A notícia se espalhou.
Depois daquele dia, toda visita que Vovó fazia, a todos os amigos e parentes, era recebida com um comentário: Vou fazer um café do jeito que você gosta, bem fraquinho…
Vovó revirava os olhos, antecipando a ânsia de vômito, mas não desmentia seu novo gosto, com medo de desagradar.
E assim, ficou condenada a tomar chafé pelo resto de suas visitas, enquanto, em casa, fazia o mais forte dos cafés para os 12 filhos, o marido e, ufa, para si mesma.
***
A história acima é baseada em fatos reais, mas com pitadinhas da minha imaginação.
A história abaixo aconteceu mesmo comigo:
Fui viajar com a família do meu primeiro namorado, pela primeira vez, e ele levou um saco de café para a mãe, a pedido.
Ele tinha comentado com ela que eu adoro café, e ela encomendou o pacote de um 3 Corações da vida, para me agradar.
Chegando lá, passou um café para mim, do jeito que ela gosta: ralíssimo, transparente, já adoçadérrimo.
(Eu gosto de café fortíssimo, quase da densidade do petróleo, com pouco açúcar.)
“Cris, fiz pra você uma garrafa inteira! Namorado disse que você ama café!”
Dei um sorriso amarelo e tomei, em goladinhas tortuosas e aflitas, sem saber se era arriscado demais virar tudo de uma vez.
Quando finalmente venci aquela xícara, ela ofereceu mais. E assim fez por todos os dias da viagem.
Mas nossa sociedade nos ensina a trocar a franqueza pela educação política, para não ferir os sentimentos de algumas pessoas, e o estômago que se vire!
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eu perco o amigo e/ou a namorada
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Eu geralmente tb sou sincera/franca, mas tudo depende da situação. Na primeira viagem com a família do meu primeiro namorado, e depois que o café já estava pronto e servido em minha homenagem, ao gosto da dona da casa, não achei legal dizer: “Sorry, não gosto de chafé”.
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era muito melhor tomar o café e simular um ataque epilético 😉
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😀
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Por conta dessa educação política temos que engolir poucas e boas! Até café ruim 😦
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pois é =/
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Vixie, e eu nem tomo café? rsrsrs
Não tomo porque não gosto mesmo. Fico no meio termo entre a honestidade e saída política:
invento sempre uma “gastrite” amiga para escapar tanto dos café petróleo, quanto dos chafés, rsrsrs
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Ah, mas quando eu não gosto de jeito nenhum, aí eu falo mesmo. É o que faço com os chás, pq não gosto de chá. Nem peixe. Nem muitas coisas verdes 😉
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Olá Cris, estou com um pouquinho de dificuldade de postar aqui… acho que meu PC tá super lento hoje! Visite meu blog, muitas crônicas falando sobre ser educado, gentil. Peço sua compreensão se aparecer posts repetidos.
http://www.maneirasimples.wordpress.com
Um abraço, Eduardo
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Ahahahaha identificação total! Lá no norte de Minas ainda rola muito isso!
Eu adoro café, mas forte e doce, daí qndo a gnte vai visitar algm e a pessoa serve um café mais amargo, meu pai que adora assim, toma a xícara dele e aí finge que “rouba” a minha pra me salvar! Queria ser mais sincera em situações assim, mas mooooooorro de vergonha!
Adorei o post!
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Acho que nesse caso não é nem falta de sinceridade, mas excesso de educação social, né? 😉
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Cristina, eu me pelo de medo de ofender a sensibilidade alheia, mas não comeria ou beberia algo de que não gosto. Comigo aconteceu o inverso. Quando ofereci café a uma pessoa, com quem teria contatos semanais, ela recusou delicadamente, contando-me que passara mal em identica circunstância, ao aceitar e tomar café, por isso me alertava desde logo. Portanto, essa situação é mais comum do que se possa imaginar.
Abraços. rs
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Depois daquela experiência com a ex-sogra, tb estou mais esperta nessas coisas 😉
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