Cheguei ao prédio e a vizinha, que não conheço, segurava o portão aberto para eu passar. “Gentileza urbana”, como gostavam de dizer as campanhas publicitárias da prefeitura de Beagá (será que ainda dizem?). Cruzamos o hall e, do elevador, ouvimos que vinha outra vizinha, conversando com alguém. Portanto, seguramos a porta do elevador para ela… Continuar lendo Gentileza urbana e conversa de elevador
Categoria: Crônicas e Contos
Crônicas e contos que às vezes me arrisco a escrever.
Sobre como eu queria saber proteger seu Antonio
Hoje vou sonhar com o seu Antonio. Ele me apareceu todo ensanguentado. Debaixo dos olhos, onde a ruga da olheira se firma depois de certa idade. No nariz. Nos lábios. A manga da blusa rasgada. “Fui espancado.” A informação já despertaria toda a minha compaixão vinda de qualquer pessoa, mas ainda mais daquele senhor frágil,… Continuar lendo Sobre como eu queria saber proteger seu Antonio
Fábula da sinceridade (ou: sobre cafés e sorrisos educados)
Um dia, Vovó Paterna foi à casa de uma amiga, visita de praxe. Lá na roça, antigamente, era costume visitar os parentes e amigos com alguma frequência, como já não se faz mais hoje. Era até comum ter um “quarto de hóspedes” na casa, quando a visita vinha de outra cidade. E, ao receber o… Continuar lendo Fábula da sinceridade (ou: sobre cafés e sorrisos educados)
Tchekhov propõe um concurso literário!
— Ficou assim depois que ganhou uma fortuna no cassino –, cochichou a senhoria, a escada rangendo atrás de si. — Acabrunhado, com medo de todos, sabe? Entra aqui, tira o chapéu com esse olhar vazio, sobe para o quarto, bate a porta. Às vezes passa dias sem comer. Não agüento ver isso. Acho que… Continuar lendo Tchekhov propõe um concurso literário!
Pra quem dá notícias ruins vestindo lingerie
Todos, a esta altura, já devem ter visto a propaganda da Hope com a Gisele Bündchen. E, obviamente, a polêmica decorrente dela (digam o que quiserem, senhores publicitários, mas, para mim, isso tudo foi friamente calculado, porque é claro que a polêmica dá visibilidade e a visibilidade se traduz em grana). Portanto, não vou tratar… Continuar lendo Pra quem dá notícias ruins vestindo lingerie
O telefone
Toca o telefone. (“You’re nobody until somebody loves you”, um clássico do Sinatra, mas numa versão alta e cheia de baterias do Jamie Cullum — irritante, para mim, desde que a selecionei como toque de celular, mas não vou trocar para não castigar outra boa música.) Estou tomando banho, não posso atender, mas me dá… Continuar lendo O telefone