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Reflexões sobre a correria, a passagem do tempo, a vida adulta e o sentido (ou falta dele) nisso tudo

Foto: Rodolfo Barreto

Desde que criei este blog, há quase 10 anos, nunca fiquei mais de um mês sem postar nada. Nunca, até agora.

Hoje levei um susto quando vi que o último post que fiz foi em 6 de agosto. Como assim? O que fiz nesses 40 dias?

Em resumo: trabalhei, trabalhei e trabalhei.

O que mais tenho feito neste ano de 2020 é trabalhar. Nos momentos em que não estou trabalhando com o jornalismo estou brincando com o Luiz. Ou dormindo.

Eu, que sempre fiz atividade física, estou sedentária há nove meses. Bom, para ser justa comigo mesma, voltei a fazer caminhadas na semana passada, acordando às 6h para aproveitar um pedacinho disponível do dia para isso.

O tempo de leitura (de literatura, e não de notícias) se limitou a uns dez minutinhos diários antes de apagar à noite na cama.

Não tenho falta de ideias para posts, o problema é só tempo mesmo. Meu dia é cronometrado no relógio, um minuto após o outro, com breves pausas corridas para o xixi ou para renovar o estoque de água. Na verdade, meu dia é cronometrado assim há anos, a diferença é que antes eu conseguia encaixar nas 24 horas um tempo para ver um filme e postar aqui, e agora não consigo mais.

Dia desses recebi um email que eu escrevi para mim mesma, via Future Me, há três anos. Vejam o que a versão mais jovem de mim dizia num trecho da mensagem:

“A vida ficou tão corrida, especialmente depois da maternidade (mas muito por causa da carreira também), que pouco tem me sobrado tempo para coisas simples e essenciais [listo algumas]. Tudo é feito com os minutos sendo contados, tentando encaixar, num malabarismo insano, maternidade-trabalho-casamento-cuidados com a casa-exercícios físicos-blog (tadinho, bem relegado ultimamente)-sono-lazer. Acabo conseguindo, acredita? Mas termino o dia com um grande UFA!, bem exausta mesmo, costas e ombros doloridos de tanta tensão, de tanto cronômetro.”

Me deu uma certa tristeza ao perceber que a correria só fez aumentar nos últimos três anos. Sem falar que, em 2017, eu nem imaginava o que seria viver num país governado por um Jair Bolsonaro ou num mundo atormentado por uma pandemia.

(Ninguém tinha me avisado que a vida adulta seria só correria e aflição.)

Recebi esse email no dia 30 de agosto. Hoje é dia 16 e eu ainda não tinha conseguido escrever todas as reflexões que esse papo do passado despertou em mim. No último sábado, acabei jorrando parte dos meus pensamentos no meu Instagram, que é fechado só para amigos. Como os leitores deste blog também são amigos, compartilho com vocês o que consegui  escrever:

“35 anos, 5 meses e 15 dias; mãe há 4 anos e 9 meses; casada há 6 anos e 9 dias; jornalista (oficialmente) há 13 anos e 2 meses; funcionária de alguma empresa há 16 anos e 6 meses; blogueira há 17 anos e 6 meses; míope dos dois olhos há uns 21 anos. Nove empregos em sete empresas em 16 anos, morei em 9 endereços diferentes só nos últimos 12 anos. Já fui atriz mirim de filme, atleta de natação, escoteira, bancária, roqueira, blueseira com programa próprio em rádio, frila, sócia de empresa, demitida num passaralho e recontratada de novo 20 dias depois, já levei calote grande, já renegociei dívidas de centenas de pessoas, já infringi algumas leis de trânsito, mas nunca cometi nenhum crime. Me sinto velha e ao mesmo tempo com uma vida inteira pela frente. Me sinto cansada, exausta, mas inquieta para fazer mais coisas novas, mudar, mudar e mudar de novo. Tenho rugas e cabelos brancos, não tenho tinta nem maquiagem. Ainda acredito no meu lema de que o bom humor é a chave da felicidade, mas isso não tem me impedido de perder a paciência e às vezes me descabelar com as pessoas ao meu redor. Não sou leve, sou pesada, nos dois sentidos da palavra. Hoje é um sábado de folga em que acordei às 6h depois de sonambular sonhando com o trabalho a madrugada inteira, e me vi no direito de pensar na vida que vivi, na que estou vivendo e na que ainda quero viver. Queria ter escrito no meu blog abandonado hoje, mas o Luiz também acordou cedo demais. Escapuli pra janela rapidinho e cá estou eu, vomitando palavras que um dia hão de fazer sentido. Ah, e não citei a pandemia hora nenhuma (até agora). Ela não pode ser tão importante a ponto de se sobressair diante de todo o resto. Uma coisa é a única certeza que tenho hoje: sim, vida que segue. Segue mesmo, inexorável. Boa ou ruim, é só ela que temos. Cabe a nós darmos algum sentido pra essa vivência toda, sabe-se lá como. Espero que com sentimento.”

E é isso. Os dias passam e continuo com todas essas caraminholas em minha cabeça, refletindo-refletindo, quando não estou apenas trabalhando sem parar ou afobada correndo no trânsito pra chegar em casa. E o blog segue aqui prejudicado, até o dia em que eu conseguir respirar um pouco e colocá-lo em dia, com todas as ideias acumuladas de posts finalmente ganhando o mundo.

Enquanto isso não acontece (quando? Depois das eleições, será?), deixo vocês aqui com estas reflexões de hoje e os outros 2.354 posts do imenso arquivo do blog, para todos os gostos.

Até a próxima!

 

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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