‘Dunkirk’: um filme de guerra sem heróis específicos

Vale a pena assistir: DUNKIRK
Nota 8

Tenho preguiça de filmes de guerra.

Dito isso, logo de cara, passo a explicar a notona 8 que resolvi dar a Dunkirk, que foi indicado a oito estatuetas do Oscar: melhor filme do ano, melhor direção de Christopher Nolan (de filmes marcantes como Amnésia, Insônia, O Grande Truque, A Origem e Interestelar), melhor edição, edição de som, mixagem de som, música, fotografia e design de produção.

Acho que o filme merece todos esses prêmios mais técnicos, porque é realmente impecável. Aliás, filme de guerra sem boa qualidade de som não chega nem merecer menção. A fotografia é maravilhosa, especialmente nas cenas do combate aéreo. A edição, intercalando pelo menos três histórias principais, é muito boa, eficiente e dá agilidade ao filme sem gerar qualquer confusão com tantos personagens.

Chama a atenção que nenhum ator tenha sido indicado ao Oscar. E acho que faz sentido. Nenhum personagem realmente se destacou — e tenho a impressão de que isso foi proposital. O filme não é sobre um soldado X que fez uma coisa notável (como naquele filme de guerra, “Até o Último Homem“, do ano passado, ou como “O Jogo da Imitação“, de 2015). O filme é sobre um episódio da História que envolveu meio milhão de soldados. O filme não é sobre os discursos de Churchill e as engrenagens políticas ou estratégias de guerra, de uma cúpula, para salvar esses homens. Mas sobre como eles, em massa, tentaram sobreviver, totalmente acuados numa praia do Norte da França. De Dunkirk, dava para ver a Inglaterra — home, sweet home –, mas não dava para chegar até ela, com todos aqueles ataques em terra, no mar e no céu.

Sim, temos participação de atores notáveis. Inclusive o excelente Mark Rylance, que levou o Oscar de ator coadjuvante em Ponte dos Espiões — outro filme que tem a ver com a guerra (a guerra fria, no caso), de 2016. Mas a maioria são atores novatos, de rostos inexpressivos, que não lembramos onde já vimos antes. E também penso que isso é proposital. Não é para criar apego ao personagem X, é para ver o quadro todo. As imagens mostrando aquele mundaréu de soldados enfileirados na praia, à espera do resgate que nunca chega, como nesta foto que ilustra o post, reforçam o objetivo geral de pintar um quadro amplo, independente da lupa nos grupos que ganham, vez ou outra, maior enfoque.

Minha primeira impressão, ao terminar de ver o filme, é que ele era nota 7. O filme é bom, mas é de guerra, que preguiça. Mas aí a gente vai pensando e se dá conta de que, independente de não gostarmos muito de um gênero, não podemos fechar os olhos para as qualidades produzidas naquele gênero. E este filme de guerra especificamente ainda teve o grande mérito de não ficar o tempo todo só fazendo propaganda dos Estados Unidos ou do aliado da vez (como no fraco Sniper Americano). Sim, é possível falar sobre uma guerra sem hastear uma bandeira na sala da nossa casa.

Assista ao trailer do filme:

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