Homenagearam demais

Assista se tiver tempo sobrando: SNIPER AMERICANO (American Sniper)
Nota 5

sniper

É, não tem jeito. Os filmes que concorrem ao Oscar deste ano estão realmente bem mais fracos que os do ano passado. Até agora, com a exceção de “Boyhood” dentre os mais indicados, ainda não vi nenhum “Ela“, nenhum “Nebraska“, nenhum “Clube de Compras Dallas“, nenhum “Lobo de Wall Street” e aquelas outras belezuras de 2014. Mas tudo bem, sei que ainda tenho muito a que assistir para cumprir meu desafio.

“Sniper Americano” concorre a seis prêmios importantes, incluindo de melhor filme, melhor roteiro e melhor ator. Ok, Bradley Cooper merece concorrer ao prêmio de melhor ator. Ele já tinha mostrado seu talento em filmes como “O Lado Bom da Vida” e, desta vez, fazendo o papel de uma lenda da guerra, baseado na autobiografia de um personagem real, o franco-atirador Chris Kyle, ele também convence muito. Até engordou 18 kg, de puro músculo, para se agigantar como o militar e, quando chegou ao figurino final, com barba crescida e corte de cabelo da marinha, dizem que ele ficou tão parecido com o original que os amigos e parentes os confundiam.

Já dizer que “Sniper Americano” tem um dos melhores roteiros do ano é rir da nossa cara. O filme tem pouco mais de duas horas e parece ter bem mais, de tão arrastado. E olha que estamos falando de um filme de guerra e sobre um sniper: ou seja, com tiros pra todos os lados, fugas, cenas de ação. Poderia ter tido um roteiro mais interessante se a parte dramática da guerra fosse melhor explorada, se o trauma do personagem tivesse aparecido com mais destaque, se a vida familiar se entremeasse melhor às quatro participações e mais de mil dias na Guerra do Iraque. Mas não houve nada disso. Pelo contrário: o filme é tão nacionalista, que mesmo os momentos de fraqueza e agressividade do “herói” (que, em dado momento, mais parecia um psicopata, quase sem freio para cometer seus mais de cem assassinatos) passam voando, são logo “curados”, e ele volta a virar herói rapidinho. Enfim, é um típico filme-homenagem, a um personagem ultracondecorado e que morreu muito recentemente, então cai naquele erro de anular defeitos e construir a imagem de lenda a qualquer custo, mesmo ao custo da razoabilidade.

Depois li que o pai de Chris Kyle disse pessoalmente a Bradley Cooper e ao diretor Clint Eastwood que ele faria um escarcéu se a memória de seu filho fosse desrespeitada no filme, mas que o ator e o diretor eram “homens em quem ele podia confiar”. Enfim, já viram o naipe do texano, né?

Só não dou uma nota mais baixa porque, mesmo sem gostar muito de filmes de guerra, achei muito boas as cenas bélicas de “Sniper Americano”. Muito realistas, muito interessante ver tudo do ponto de vista de um sniper, com imagens aéreas marcantes e uma sensação de estar mesmo dentro do campo de batalha. Inclusive, uma das melhores cenas do filme ocorre dentro de uma tempestade de areia, que parece também nos cegar e sufocar.

E, no fim das contas, chega a ser um filme assistível, se você deixar de lado todo o seu senso crítico em relação à Guerra do Iraque e considerar como os norte-americano são, na maior parte das vezes, patriotas demais. Melhor sermos condescendentes e levarmos a sério a ameaça do Kyle pai, né? Afinal, foi ele que ensinou o filho a atirar…

Veja o trailer:

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