Pelo fim da autocensura nos blogs e redes sociais

Saiu a segunda edição da revista “Pauta“, feita pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. Na primeira edição, eu tinha sugerido a leitura do texto escrito pelo meu pai sobre ser chefe. Desta vez, reproduzo o texto que escrevi lá, porque falo sobre um tema caro a este blog: a censura. Mais especificamente sobre a autocensura de jornalistas em blogs e redes sociais, uma discussão que gosto de abordar desde os tempos do Novo em Folha. Quem quiser ler diretamente na revista, é só clicar AQUI e ir até a página 38.

Mas aí está:

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Sem autocensura, blogueiros

Muito jornalista que trabalha em Redação fica se perguntando se pode emitir suas opiniões livremente em seu blog. Acho que deveríamos poder escrever sobre tudo e, como profissionais da comunicação, ser os primeiros a levantar a bandeira da liberdade de expressão e contra a autocensura.

Mas, se eu criticar o político X em meu blog, depois ele pode usar isso contra mim, em uma reportagem a seu respeito? Pode, se você não tiver sido profissional.

Ao fazer a reportagem, espera-se que você use técnicas que garantem o equilíbrio, como ouvir o “outro lado”, dar amplo espaço para todas as versões, evitar adjetivos, deixar clara a origem das informações etc. Já ao emitir sua opinião em seu blog – ou em uma coluna assinada do jornal – você também tem que tomar cuidados, como não cometer crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação) e também se ater a fatos.

Assim, ficará clara a distinção entre o repórter que fez uma apuração para seu veículo e o cidadão que também se expressa em um blog, em redes sociais e na mesa do bar.

Pode escrever sobre tudo mesmo? Até sobre o próprio jornal? Eu defendo que sim. Quem melhor que os jornalistas para fazerem crítica de mídia? A imprensa ganharia muito se houvesse maior tranquilidade em relação à autocrítica, mais ombudsmen ativos e mais espaço para seus próprios profissionais comentarem o trabalho publicado.

Recentemente, o “Hoje em Dia” entrou na Justiça contra um de seus funcionários, o jornalista Aloísio Morais, por ele ter feito uma crítica a uma decisão editorial do jornal em sua página pessoal do Facebook. A juíza Adriana Orsini entendeu que “a utilização de rede social, ambiente notoriamente informal, para expressar críticas, seja a partidos, candidatos ou a imprensa, é mera decorrência do exercício dos direitos constitucionais e políticos de qualquer cidadão”.

Essa decisão abre um precedente interessante para outros jornalistas que quiserem se expressar – usando, obviamente, o bom senso e o profissionalismo.

Jornalistas se preocupam mais com os blogs porque são ainda relativamente recentes. Mas formatos mais antigos escancaram a obviedade da situação. A charge, por exemplo. O Duke, de quem sou fã de carteirinha, certamente tem seu time do coração, mas é capaz de ilustrar cenas que destroçam ou exaltam atleticanos e cruzeirenses com o mesmo afinco. Bob Faria também deve ter seu time favorito, mas comenta os jogos dos dois maiores clubes mineiros com equilíbrio. Ricardo Kotscho é amigo pessoal de Lula e participou de seu governo, mas ainda assim desfere duras críticas ao PT e ao governo Dilma Rousseff no “balaio” (seu blog, hoje no grupo Record). E assim por diante, os exemplos são incontáveis.

É perfeitamente possível ser imparcial quando se é profissional. E, em alguns casos, a opinião posta às claras, no devido espaço para isso (colunas, blogs e páginas pessoais nas redes sociais), até mesmo contribui para agregar o bem mais precioso de um repórter e de um veículo de imprensa: a credibilidade.

Aproveito para recomendar a leitura do artigo da minha amiga Ana Paula Pedrosa, sobre a difícil tarefa de conciliar a reportagem com a maternidade. Neste chamado “mês das mulheres”, é um texto muito pertinente. Está na página 43 da revista. Esta edição também traz outros artigos muito legais, em especial sobre a cobertura da tragédia de Mariana e sobre a quase falência do jornal “Estado de Minas”, que levou seus funcionários a fazerem uma greve histórica.

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