Sabedoria aos 20 anos

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Em maio de 2011 — há quase quatro anos, portanto –, escrevi um post neste blog chamado “Intelectuais X Sábios“. Eu diferenciava os dois rótulos, puxando a sardinha para os sábios e criticando a arrogância inerente aos autointitulados intelectuais. E ilustrava tudo com belas tirinhas do gênio Laerte.

O post rendeu uma porção de comentários, alguns discordando, outros concordando, normal. Mas, em meio a eles, apareceu um comentarista que chamou a atenção: um garoto de 17 anos, fã de filosofia, que veio discutir teorias da comunicação, alienação cultural, e outros temas normalmente pouco afeitos a rapazes desta idade (nossa, como estou soando velha! hehehe). Seja como for, me chamou a atenção.

Mas os anos se passaram e, claro, esqueci daquele post depois de tanto tempo e de tantos posts. Só que o Matheus Iwison, o rapaz de 17 anos, não se esqueceu.

Nesta semana, fui surpreendida com um comentário dele, hoje estudante do quarto período de Engenharia, com ainda jovens 20 anos de idade. Achei o comentário tão bacana — e tão sábio — que pedi a ele para reproduzir num post. E, com sua autorização, segue aí embaixo:

“Cada mente é um Universo. Desejos, vontades, gostos, tudo isso é apenas a expressão dos nossos sentimentos particulares. Obviamente, sofremos influência do mundo ao nosso redor, nesse sentido, mas a mente é mais complexa do que isso. O grande problema está em nós mesmos, na nossa arrogância, por acreditarmos na maior das ilusões de nosso mundo: A ilusão da grandeza.

Os “intelectuais” citados no texto são os pequenos príncipes de seus reinos particulares. Aqueles que, por serem tão pobres de alma, não veem outra opção senão apostar na “riqueza” recebida pela “grandeza”, pelo status quo. É puro e simples desespero. Desespero por algo que justifique sua existência simplória…

Os sábios não são aqueles que arrotam informações. Não são aqueles que acreditam enxergar horizontes impossíveis para outras pessoas (como um dia eu, infelizmente, já fiz). Eles reconhecem sua simplicidade, sua ignorância. Ouvem mais e falam menos. Não se orgulham apenas de aprender pequenas lições de monumentais eventos e fantásticos nomes como Nietzsche, mas sim de aprender grandes lições de pequenos eventos e nomes comuns, como o Seu Edson do táxi…

Realmente, não faltam intelectuais por aí. Não faltam aqueles que se vangloriem por ouvir Mozart, nem aqueles que intimidem os mais simples com mecânicas citações de Sartre, Heidegger entre outros. O que falta mesmo são os que se questionam sobre o porquê da necessidade de intimidar ou se vangloriar…

É isso que eu, hoje com 20 anos, penso desse texto. Acredito ter entendido melhor sua mensagem agora, Cristina. E ainda mantenho meu sonho de algum dia fazer filosofia…”

Fica sendo nossa reflexão da semana 😉

Tradução livre: “Olhe de novo para aquele ponto. É ali. Ali é nosso lar. Ali somos nós. Ali, todos aqueles que você ama, todos que conhece, todos aqueles de quem já ouviu falar, todo ser humano que já existiu viveram suas vidas. O conjunto de nossas alegrias e dores, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiáveis,  todos os caçadores e saqueadores, todos os heróis e covardes, todos os criadores e destruidores da civilização, todos os reis e aldeães, todos os jovens casais apaixonados, toda mãe e todo pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, todo professor de moral, todo político corrupto, toda “celebridade”, todo “líder supremo”, todo santo e pecador da história de nossas espécies viveu ali — naquele grão de poeira suspenso num raio de Sol”.

Tradução livre: “Olhe de novo para aquele ponto. É ali. Ali é nosso lar. Ali somos nós. Ali, todos aqueles que você ama, todos que conhece, todos aqueles de quem já ouviu falar, todo ser humano que já existiu viveram suas vidas. O conjunto de nossas alegrias e dores, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiáveis, todos os caçadores e saqueadores, todos os heróis e covardes, todos os criadores e destruidores da civilização, todos os reis e aldeães, todos os jovens casais apaixonados, toda mãe e todo pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, todo professor de moral, todo político corrupto, toda “celebridade”, todo “líder supremo”, todo santo e pecador da história de nossas espécies viveu ali — naquele grão de poeira suspenso num raio de Sol”.

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