Críticas de Aécio poderiam ter sido feitas a FHC

Charge do Benett na Folha de ontem.
Charge do Benett na Folha de ontem.

Meu pai já abordou aqui um dos pontos do tal discurso dos “13 fracassos do PT“, feito por Aécio Neves nesta semana. Ele criticava a perda de lucro da Petrobras e meu pai demonstrou todo o contexto, dizendo que a perda só chamou a atenção porque, nos anos anteriores, houve um avanço sem precedentes no lucro da estatal.

Mas o que mais me chamou a atenção quando li esse discurso foi o tanto que ele aborda problemas — existentes e reais, neste governo Dilma — que também existiram, às vezes com mais gravidade, durante os dois mandatos em que o partido de Aécio esteve à frente do governo federal.

Em resumo: as críticas que ele agora dispara contra os petistas poderiam ser disparadas, talvez até com mais vigor, contra a era FHC.

Uma análise muito boa, na “Folha” de ontem, escrita pelo ótimo Gustavo Patu, explora essa questão. Um trecho:

“No que deveria ser um marco da mensagem oposicionista, o presidenciável tucano Aécio Neves não ofereceu propostas ao falar na tribunal do Senado e praticamente se limitou a um revide histórico –que leva a comparações desfavoráveis ao PSDB. (…)

Se é verdade que a primeira metade do mandato de Dilma foi uma espécie de “biênio perdido” para o crescimento, FHC viveu dois biênios do gênero, que somam metade de seus dois mandatos.

No primeiro (1998-1999) houve a implosão do controle das cotações do dólar, que era a base do Real, devido ao excesso de endividamento e à escassez de reservas cambiais. No segundo (2001-2002) houve a combinação de racionamento de energia elétrica, colapso da Argentina, turbulência financeira internacional e incerteza doméstica com a eleição de Lula. (…)

Aécio argumenta que os governos do PSDB e do PT enfrentaram “conjunturas e realidades absolutamente diferentes”, mas nem ele nem seu partido explicaram até o momento como deveria ser enfrentada a conjuntura atual. (…)

Em um exemplo, o controle da escalada dos preços, cobrado por Aécio, certamente significaria juros mais altos e dólar mais baixo, o que agravaria ainda mais a situação da indústria nacional, deplorada pelo tucano.”

Patu também critica o fato de os tucanos estarem batendo nos problemas de Dilma, Aécio entre eles, sem apresentar soluções alternativas. Coisa, aliás, que o PT já tinha feito durante a era FHC.

Vale ler na íntegra, AQUI.

O discurso de Aécio Neves ganhou Primeira Página de todos os jornais brasileiros (nem vou falar das manchetes em alguns jornais mineiros…). Vem sendo usado pela oposição como arma contra Dilma. E, pela situação, como arma contra FHC. O importante é que, partidos à parte, os brasileiros tenham noção do contexto histórico, das realidade econômicas em cada período, dos legados que cada governo pôde trazer e do que fizeram de errado, tendo oportunidade de fazer diferente.

Só assim, com memória, é que é possível darmos conta, como Patu fez, de que esse discurso de Aécio é um dos mais cascateiros dos últimos tempos. Esse é o principal candidato que a oposição apresenta ao país? O pernambucano Eduardo Campos (PSB) tem o que comemorar, então.


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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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