Aquecimento global, uma farsa?

Texto de José de Souza Castro:

Nada mais polêmica, às vésperas da Rio+20, do que a entrevista do professor de climatologia da USP Ricardo Augusto Felício ao Programa do Jô, na Rede Globo. Entre outras coisas, ele afirma que a influência do desmatamento no clima global é inexistente, bem como o efeito estufa e a camada de ozônio.

Quem achar que ele é doido, pode conferir quem é Felício AQUI. E se ele é maluco, está bem acompanhado, como se observa NESTAS entrevistas de cientistas de outros países.

Alguns deles dizem que a farsa do aquecimento global foi montada por climatologistas em busca de verbas para suas pesquisas e que, adotada por governos, empresas e ONGs, se transformou numa grande indústria que emprega muita gente mundo afora.

Será que políticos como Barack Obama e Angela Merkel desembarcaram da Rio+20 para não participarem de mais uma farsa?

Mas, quem lucra com ela? Entre muitos outros, Felício aponta os fabricantes de gases para refrigerantes, geladeiras e aparelhos de ar condicionado. Ele diz na entrevista que na década de 1940 o gás CFC veio substituir o gás butano que tinha o mau hábito de explodir durante o processo industrial. Em 1987, começaram a quebrar as patentes do CFC, que passou a ser vendido a 1,38 dólares por quilo. Os antigos detentores das patentes lançaram então o HCFC, garantindo que este sim não prejudicaria a camada de ozônio (algo inexistente, segundo o professor da USP) e nem contribuiria para o aquecimento global.

Preocupados com o futuro da terra, os consumidores não se importaram de pagar 38 dólares por quilo do novo gás e foram alegremente às lojas para substituir suas geladeiras e aparelhos de ar condicionado.

Mas como as novas patentes só tinham vida útil de 25 anos, os fabricantes já estão lançando um novo gás, que vai custar 128 dólares por quilo e, mais uma vez, fará a festa dos fabricantes de equipamentos de refrigeração. Há três anos, descobriu-se que o HCFC também prejudicava a camada de ozônio – aquela que não existe, segundo o professor Felício.

Enquanto a farsa durar, essa alegre ciranda não vai acabar.


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Por José de Souza Castro

Jornalista mineiro, desde 1972, com passagem – como repórter, redator, editor, chefe de reportagem ou chefe de redação – pelo Jornal do Brasil (16 anos), Estado de Minas (1), O Globo (2), Rádio Alvorada (8) e Hoje em Dia (1). É autor de vários livros e coautor do Blog da Kikacastro, ao lado da filha.

12 comments

  1. Ja tinha ouvido falar isso mesmo. Mas nao se pode negar que o desmatamento potenicaliza as enxentes, por exemplo.
    Há que se tormar cuidado para isso fundametar a destruiçao que emana a natureza. Afinal, só resta um tiquinnho de Mata Atlantica por aqui. E pra encerrrar: VETA DILMA !!

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    1. Só tomei conhecimento da polêmica hoje, porque um amigo me encaminhou esse vídeo do Jô Soares. Mas, pelo pouco que já apurei, sei que são fortes os argumentos de um lado e outro. Portanto, é grande o interesse jornalístico da questão. Como se vê aqui:

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      1. O Grande professor Molion…O favorito de todo jornalista criado nas terras baixas da Ufal pra crirar uma polêmica. Adoro o diadtismo dele. Ele defende também que estamos a caminho de uma era glacial. Também reclama que acusamos as pobre das vaquinhas de causar o efeito estufa, uma vez que a pecuária é uma dos maiores produtoras de O².

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  2. Se o aquecimento global existe, quem ganha? produtores de gás, pesquisadores de energia limpa e ambientalistas? Ok. E se o aquecimento global é uma farsa, quem ganha? o grande agronegócio desmatador, a índústria petrolífera e automobilistica? Hum… de que players vocês comprariam ações mesmo?

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    1. É elementar caro Sr . Para manter o petróleo alto depois de tantas reservas recentemente descobertas no Brasil e no mundo inteiro , é essencial estabelecer limites de extração e consumo . É esse o objetivo dos “teóricos” do aquecimento global . Será que isso é tão difícil de entender ?
      Obviamente não é para acabar com a natureza , mas isso é uma outra questão que pretendem misturar para nos confundir . Nós , seres humanos dependemos dela . Temos de preservá-la . Mas daí até nos culpar por um aquecimento ou esfriamento global , é uma honra que nós infelizmente não temos dimensão suficiente para assumir . O Planeta nos ignora !

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      1. Titio Adam Smith nos ensina que limitar a demanda faz os preços *caírem* e não aumentarem ou se manterem elevado.

        Limitar a extração pode manter o preço elevado por meio da elevação dos *custos*, que não seria nem pouco benéfico às petroleiras.

        []s,

        Roberto Takata

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  3. Caro VP, talvez esse seja um falso dilema. Sem dúvida, é preciso respeitar a natureza. Mesmo que não exista o aquecimento global provocado pelo desmatamento da Amazônia e de outras áreas, pelo uso do gás das antigas geladeiras ou pelos gases do gado, a humanidade ganha, sem dúvida, se preservar a natureza, aí incluindo as grandes florestas, as margens florestadas de rios e lagos, as encostas das montanhas e tudo mais, pois elas nos protegem do excesso de chuva e oferecem abrigo e meio de sobrevivência a outros animais.

    Parece-me que o professor da USP não discute isso. É uma verdade aceita sem maiores controvérsias – a não ser por capitalistas que só visam ao lucro imediato e, sim, a bancada ruralista.

    Como parecia ser uma “verdade” (que eu aceitava sem discutir até ver essa entrevista de Felício) o aquecimento global provocado provocado pela queima de carbono, pelo uso de gases que destroem a “camada de ozônio” (como não sou cientista, mas useiro e vezeiro da imprensa, nunca me ocorreu que pudesse não existir a tal camada de ozônio que nos protege do sol). Uma verdade poderosa como a de que a Terra é o centro do universo, da qual era arriscado duvidar até poucos séculos atrás.

    Chamou atenção, nesse terceiro link do artigo, a fala de um cientista reclamando que hoje é perigoso remar contra a maré do aquecimento global, que se tornou uma espécie de religião de fanáticos. E também a afirmação, não me lembro de quem, de que a questão vem sendo explorada para evitar que países periféricos ou em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, se tornem desenvolvidos.

    O que eu não duvido agora é que a questão tem grandes interesses econômicos envolvidos e que o esforço de proteção da camada de ozônio se transformou num importante negócio, como revela esta notícia do Ministério do Meio Ambiente, datada de 21 de maio de 2008:

    “O Ministério do Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas (PNUD) entregam nesta sexta-feira (10) o segundo lote de equipamentos para recolhimento de CFCs (gás de geladeira) no estado de São Paulo. Com as máquinas, empresas de refrigeração poderão coletar, armazenar e entregar os gases para regeneração, não permitindo que ocorram vazamentos durante reparos em refrigeradores domésticos e industriais e balcões refrigerados antigos. Depois de recolhido, o CFC usado ou contaminado será comprado das empresas de refrigeração e enviado para regeneração.

    O primeiro centro de regeneração de gases está em operação desde o inicio de 2005, em São Paulo. O centro é operado por uma empresa especializada, que será responsável pela reciclagem e retorno ao mercado dos CFCs antigos. A recuperação dos CFCs antigos é necessária porque a eliminação desses gases tem custo muito elevado e não seria correto obrigar a população a trocar seus refrigeradores e outros equipamentos. Até o final deste ano, uma nova central de regeneração será instalada no estado do Rio de Janeiro.

    O repasse dos equipamentos, adquiridos com recursos e apoio do Fundo das Nações Unidas por meio do PNUD, será em regime de comodato. A entrega será no hotel NH Della Volpe – Rua Frei Caneca 1199, na cidade de São Paulo, a partir das 14h30. Na solenidade, haverá palestra do diretor do Programa de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Ruy de Goés, apresentação em vídeo sobre o manuseio do equipamento e demonstrações de recolhimento de gases em refrigeradores domésticos e comerciais.

    Os CFCs são formados por cloro, flúor e carbono, e eram amplamente utilizados para refrigeração até 1999, quando o Brasil proibiu seu uso e fabricação. Esses gases são prejudiciais à Camada de Ozônio quando liberados no meio ambiente.

    Até 2007, o Ministério do Meio Ambiente e o Senai, com recursos e apoio da GTZ (Sociedade Alemã de Cooperação Técnica), deverão capacitar 35 mil técnicos em todo o País. Para o treinamento, que faz parte do Programa Brasileiro de Eliminação da Produção e Consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio, estão sendo investidos US$ 3,7 milhões. Ao todo, o programa conta com US$ 27 milhões para eliminar os CFCs, de acordo com o Protocolo de Montreal, do qual o Brasil é signatário.

    Desde 2004 foram treinados 5.249 refrigeristas para a correta operação dos equipamentos, em São Paulo e no Rio de Janeiro, cidades com grande consumo de gases CFC. Os técnicos estão capacitados para recolher e substituir o fluido refrigerante dos equipamentos antigos sem deixar que o gás escape.

    Além de capacitar os refrigeristas para o correto manuseio dos CFCs, o treinamento contribui para a qualificação da mão-de- obra, pois os técnicos também são instruídos sobre manutenção geral e preventiva dos refrigeradores e uso correto de outros equipamentos. Os técnicos interessados no curso devem se inscrever em unidades do Senai e também no Cadastro Técnico Federal, que pode ser acessado pela página do Ibama (www.ibama.gov.br).

    A capacitação está ocorrendo, por enquanto, apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os critérios para seleção de refrigeristas e repasse de equipamentos estão detalhados nas portarias 158/2004 e 159/2004 do Ministério do Meio Ambiente.

    Gases – Em frigoríficos, freezers, geladeiras e frigobares antigos, o CFC é usado para retirar o calor e liberá-lo do lado de fora do congelador. O uso e a emissão desse gás provocou a redução na espessura da Camada de Ozônio em algumas regiões, principalmente no sul do Planeta. A camada protege a saúde humana e os seres vivos dos efeitos nocivos dos raios ultravioleta, funcionando como um grande filtro.

    A exposição excessiva à radiação ultravioleta, que ganha força com a degradação da Camada de Ozônio, é a principal responsável pelo câncer e pelo envelhecimento precoce da pele. Em função disso, desde 1987 esses gases vêm sendo substituídos por outras substâncias, como o HFC134A e HCFC22. No futuro, com a eliminação total dos CFCs em todos os países, o “buraco” na camada deverá diminuir ou desaparecer.

    Estima-se que ainda estão em uso mais de 30 milhões de refrigeradores com CFCs no Brasil. São aparelhos fabricados até 1999, quando a produção de equipamentos com esses gases foi proibida no País.

    A partir desta data, as indústrias passaram a substituir os CFCs por substâncias que não prejudicam a Camada de Ozônio. Essa operação seguiu o determinado em resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e portarias do Ibama, também de acordo com o que pede o Protocolo de Montreal.

    O Brasil aderiu ao Protocolo de Montreal em 1990 e, desde então, vem cumprindo e inclusive antecipando as metas para eliminação de substâncias prejudiciais à camada de ozônio, conforme recomendado pelo acordo global. Até o ano passado, por exemplo, o País registrou uma eliminação de 82,8% dos CFCs, 88% dos Halons (usados em extintores de incêndios), 77,3% do tetracloreto de carbono (usado pela indústria química), 76,3% do brometo de metila (utilizado principalmente no setor agrícola). O programa brasileiro de eliminação de CFCs tem contribuído, ainda, para a modernização da indústria nacional.

    Empresas que queiram se candidatar a receber as máquinas recolhedoras devem entrar em contato com o PNUD, http://www.pnud.org.br/cfc ou diretamente pelo e-mail recolhedoras@undp.org.br.”

    Termina aí a extensa notícia oficial. Não me interessei em receber as máquinas, pois meu negócio, como jornalista, não vai além da notícia. Já o dos cientistas, seria muito bom se continuasse a ser apenas ciência.

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  4. A respeito dessa polêmica sobre um assunto complexo que envolve professores e cientistas, veja essas reflexões de um filósofo britânico que eu lia na juventude e que me foram enviadas há pouco pelo professor Stefan Bogdan Salej:

    “Bertrand Russell’s 10 Commandments for Teachers
    1. Do not feel absolutely certain of anything.
    2. Do not think it worth while to proceed by concealing evidence, for the evidence is sure to come to light.
    3. Never try to discourage thinking for you are sure to succeed.
    4. When you meet with opposition, even if it should be from your husband or your children, endeavour to overcome it by argument and not by authority, for a victory dependent upon authority is unreal and illusory.
    5. Have no respect for the authority of others, for there are always contrary authorities to be found.
    6. Do not use power to suppress opinions you think pernicious, for if you do the opinions will suppress you.
    7. Do not fear to be eccentric in opinion, for every opinion now accepted was once eccentric.
    8. Find more pleasure in intelligent dissent that in passive agreement, for, if you value intelligence as you should, the former implies a deeper agreement than the latter.
    9. Be scrupulously truthful, even if the truth is inconvenient, for it is more inconvenient when you try to conceal it.
    10. Do not feel envious of the happiness of those who live in a fool’s paradise, for only a fool will think that it is happiness.

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  5. Coerente com o primeiro conselho de Bertrand Russell, registro aqui um artigo publicado hoje pela Folha de S. Paulo que reforça os argumentos de Roberto Takata, entre outros comentaristas. O paralelo com a polêmica sobre o cigarro e a questão dos financiadores me parecem pertinentes. O artigo é de Moisés Naím, um escritor venezuelano, editor chefe da Foreign Policy e colaborador da Folha às sextas-feiras. Escreveu ele:

    Cuidado com os céticos

    Paralelos do debate sobre câncer e cigarro com discussão sobre mudança climática são fascinantes

    Em 1953, as empresas de cigarros publicaram nos jornais americanos uma página intitulada “Nossa declaração franca aos fumantes de cigarros”. A mensagem era que fumar não faz mal à saúde e que essa afirmação tinha bases científicas.

    O diretor científico do Comitê de Investigações da Indústria do Tabaco (CIIT) escreveu em 1957: “Apesar de toda a atenção voltada à acusação de que fumar provoca câncer do pulmão, ninguém comprovou que a fumaça do cigarro ou qualquer um de seus componentes cause câncer no homem”.

    A estratégia do CIIT era financiar cientistas que enfatizassem a diversidade de fatores que podem causar o câncer, evitando que fosse atribuída ao tabaco a importância que ele realmente tinha. A ideia era gerar ceticismo e “um debate científico saudável”. E conseguiram. Os jornalistas, sempre sedentos de controvérsias e obrigados a buscar pontos de vista divergentes de maneira equilibrada, davam espaço e respeito igual a ambas as partes.

    O problema é que em 1950 já havia evidências indiscutíveis que vinculavam o tabagismo ao câncer pulmonar. Foi preciso esperar várias décadas para que a desonestidade das empresas de tabaco e dos cientistas a soldo delas fosse desmascarada e o vínculo entre tabaco e câncer deixasse de ser questionado.

    Meio século mais tarde, estamos na mesma situação. Mas a controvérsia agora não se dá entre os céticos e os cientistas que acreditam que fumar provoca câncer, e sim entre os que acreditam que o clima está mudando em decorrência de atividades humanas, como a industrialização e o desmatamento, e os que creem que não ocorrem tais mudanças no ambiente.

    Os paralelos com o debate sobre câncer e cigarro são fascinantes -estratégias e até frases usadas agora pelos céticos das mudanças climáticas são muito parecidas.

    Qualquer dos céticos atuais poderia tomar como sua a seguinte frase do diretor científico do CIIT, mudando apenas a palavra “câncer” por “mudanças climáticas”: “O problema da causalidade de qualquer tipo de mudança climática é complexo e difícil de analisar”, diriam.

    E é essa a estratégia: a primeira linha de defesa foi que as mudanças climáticas não existem. Uma vez que os dados derrubaram essa defesa, a segunda linha é afirmar que não existem provas de que a atividade humana seja a causa das mudanças (portanto, que não há nada o que mudar). E, quando essa defesa é derrubada pela avalanche de dados, o refúgio dos céticos consiste em argumentar que as variações climáticas são o produto de muitos fatores e que a atividade humana é apenas um deles.

    A única diferença em relação à controvérsia sobre câncer e tabaco são os interesses que financiam os céticos mais estridentes.

    Enquanto a confusão sobre o tabaco foi semeada unicamente pelas empresas de cigarros, os céticos das mudanças climáticas têm mecenas vários e generosos: as empresas petrolíferas, as de gás, o carvão, a eletricidade e as montadoras de automóveis, entre outros.

    Por isso às vezes é saudável ouvir os céticos com grande ceticismo.

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