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O fim da novela da Olympikus, em quatro capítulos

Capítulo 1: em que a heroína compra um tênis e, três meses depois, ele já não presta mais. Ela tenta solução no SAC da marca, mas demora vários dias para ser atendida.
Capítulo 2: em que os vilões do SAC da Olympikus não obedecem o código de defesa do consumidor — nem o bom senso — e não apresentam alternativas para a troca do produto. A heroína, desolada, precisa ir até a agência central dos Correios e enviar o tênis para o Rio Grande do Sul e ouve a promessa de que terá um novo de volta em longuíssimos 30 dias.
Capítulo 3: em que, passados 75 dias, em vez dos 30 prometidos, finalmente é feita a troca. Mas, em vez de receber um tênis novo, preto, 37, feminino, a heroína descobre ter em mãos um tênis masculino, número 40, branco e usado! Um tal de Paulo deveria tê-lo recebido.

E assim, caros espectadores, chegamos, finalmente, ao capítulo final da novela! O final feliz! Feliz por haver um final!

Antes, é claro, a heroína teve que enfrentar mais percalços com os vilões do SAC. Ela teve que ouvir da atendente Franciele que a única forma de devolver o tênis enviado por engano por um erro deles seria voltando à agência central dos Correios, lá na PQP. Que não ia estar sendo possível enviar via Sedex a cobrar, por exemplo, da franquia dos Correios AO LADO DE CASA. E que eles acharam uma solução mágica para o problema da troca (quase 3 meses depois!): depositariam o valor da compra (uma das soluções brilhantes que a heroína deu logo no primeiro capítulo), mas sem acrescentar o frete.

A heroína, furiosa, não se contém e, apesar de geralmente ser meiga e dócil, desta vez bate o telefone na cara da atendente. Alguns minutos depois, envia à vilã o seguinte email definitivo:

“Estou absolutamente indignada com o atendimento de vocês. Vocês já haviam demorado vários dias para me responder quando procurei falando do problema, depois me deram como única possibilidade de troca a entrega do tênis pelos Correios e devolução em apenas UM MÊS. Não bastasse isso, demoraram DOIS MESES E MEIO para finalmente entregarem o tênis, depois de vários emails de cobrança que enviei. E, pra piorar, o tênis enviado foi um usado, masculino, número 40, de outra cor. Ou seja, um engano completo. Pra piorar, oferecem pagamento de R$ 114 e a única possibilidade de enviar o tênis na agência central dos Correios, que já expliquei ser difícil para mim. Vocês, como SAC da Vulcabras/Olympikus, são inflexíveis, incompetentes e não agem com bom senso, oferecendo as melhores soluções para seus clientes, como prega o Código de Defesa do Consumidor.
Como solução definitiva para essa novela, eu quero o reembolso imediato do valor que paguei pela compra em fevereiro (R$ 119,90 do produto + R$ 8,33 do frete – R$ 6,41 do desconto pelo pagamento em boleto = R$ 121,82) e o valor que eu gastar com o envio de Sedex pela franquia dos Correios ao lado da minha casa, ou a possibilidade de eu enviar via Sedex a cobrar pela mesma franquia dos Correios.
Reparem que vocês me ofereceram reembolso de R$ 114 e eu quero R$ 7 a mais. Esses R$ 7 não fazem a menor diferença na minha vida, mas faço questão deles, porque foi o valor que paguei por esse tênis que estragou em menos de três meses de uso e que me causou tanta amolação desde então. Também faço questão de não ter que sofrer o incômodo de ir até uma agência central dos Correios, tendo uma ao lado da minha casa, para corrigir uma falha provocada exclusivamente por vocês. Vocês avaliem minha proposta e me respondam ainda hoje, ou vou entrar em contato com o Procon e com o Juizado de Pequenas Causas, para vocês verem que a solução apresentada por eles será muito melhor.
Estou cansada do desrespeito de vocês.”

Depois desta, os vilões mudam totalmente o tom e enviam a seguinte mensagem a nossa heroína desolada (com grafia mantida intacta):

“Cara Cristina,
 Pedimos desculpas pelos transtornos.
Verificamos outras formas de lhe atender da melhor forma e o que podemos fazer para solucionar seu contato seria, uma coleta domiciliar do produto que você recebeu, para isso precisamos que nos informe um dia útil para agendarmos a coleta (lembramos que deve ter alguém no local para fazer a entrega ao carteiro). 
E para Reembolsarmos podemos abrir uma exceção e oferecer o valor de R$ 125,00 de acordo com a nota fiscal mais o valor do frete, caso tenha interesse em receber este valor pedimos que informe os dados abaixo:
– nome completo do titular da conta; – cpf do titular da conta; – nome do banco; – número da agência; – número da conta.
O depósito será efetuado no dia útil seguinte ao recebimento das informações.
Aguardamos o seu retorno, o mais breve possível.”

E, assim, o carteiro busca o tênis na casa da heroína, que recebe, dois dias após a troca de mensagens — ou seja, hoje — o Reembolso (em maiúscula) de R$ 125 em sua conta corrente.

Com o qual comprará um tênis de qualquer outra marca. Da Olympikus, nem nos pés de um príncipe encantado!

E viverá feliz para sempre!

The End
 
 
Leia todos os capítulos desta novela:

  1. Três meses depois, e o tênis não presta mais
  2. Ainda a novela do tênis da Olympikus
  3. Dois meses e meio e vem o tênis errado!
  4. O fim da novela da Olympikus, em quatro capítulos
  5. Epílogo surpreendente (e positivo)

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

10 comentários em “O fim da novela da Olympikus, em quatro capítulos Deixe um comentário

  1. E a heroína mostrou que não dá beijinho em sapo…! 🙂

    Procon e o Juizado de Pequenas Causas: duas expressões mágicas que fazem muitas empresas mudarem o tom da conversa rapidinho. ( ao menos comigo deu certo, quando adquiri um monitor da AOC que deu deu problema com 5 dias de uso – e 30 dias pra trocar por um novo, já que foi constatado defeito de fábrica)

    E expressar a indignação através dos canais disponíveis, como o blog. Azar da Olympikus / Vulcabrás, que se queimou nessa.

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      • Hahaha… apoiadíssimo Liard!
        Propaganda enganosa TAMBÉM fere o código de defesa do consumidor, Srta. Cristina.
        Brincadeiras de lado, adorei o post! Não devia, mas admito que morro de preguiça de lutar pelos meus direitos assim… Triste, eu sei…
        Abração Cris! Saudades!

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      • Que calúnia, vocês dois, tsc tsc…
        Rick, uma coisa que eu nunca tinha feito antes era ameaçar de entrar na Justiça por uma troca de produto. a próxima vez, quem sabe, eu já entre direto!
        bjos

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  2. Cris, a partir de agora, você está nomeada a defensora plenipotenciária de nossos direitos do lar… É como sempre digo, em relação a você: eles não sabem com quem estão lidando!

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