A nadadora dentro de mim

Um dos poucos registros que tenho como nadadora, aos 14 anos

Um dos poucos registros que tenho como nadadora, aos 14 anos

Pois bem, a esta altura acho que muitos de vocês já terão lido o texto que indiquei ontem.

Eu o li ainda em janeiro, de uma sentada, e lembro que, durante a leitura, experimentei várias sensações, ao lembrar da minha própria saga como aprendiz de nadadora, atleta de uma das maiores equipes de natação do país e, por fim, “aposentada” precocemente aos 15 anos, vítima de uma tendinite no ombro.

(Já contei tudo isso AQUI.)

Acima de tudo, me identifiquei com vários trechos do texto. Por exemplo:

“Há, enfim, o terceiro tipo de nadador. Ele não tem o talento natural do segundo nem a incompetência crassa do primeiro. Fez aulas, treinou um pouco e aprendeu – mas, por mais que tente melhorar suas braçadas e pernadas, jamais deslizará sobre a água como o gordinho descrito por Leanne. Deve seu aprendizado ao esforço, à insistência, à disciplina, sobretudo ao tempo. Pertencem a esse terceiro grupo a maioria daqueles que sabem nadar – entre eles, eu.”
“Três anos atrás (…), decidi voltar a nadar. Eu tinha parado havia uns 15 anos, pouco depois de começar a trabalhar numa redação.”
“Brinca comigo que é entediante ficar contando azulejos – algo absolutamente impossível para um míope como eu, mesmo com óculos de nadar de grau. Penso então em como nunca consegui um par de óculos decente – que não deixasse entrar água, não fizesse pressão em volta dos olhos e, bem, permitisse contar os azulejos…”
“A natação é famosa como “o esporte mais solitário do mundo”. (…) Na piscina, você fica olhando uma linha no fundo; em águas abertas, uma vastidão sombria e alucinante (…). “Em qualquer lugar, você está sozinho com seus pensamentos e sua dor, submerso por longos períodos” (…). “Tive um treinador, Kip, que dizia que os bons nadadores precisam ser inteligentes. Ele queria dizer que eles devem se sentir confortáveis em suas mentes; devem ser capazes de suportar, e até de desfrutar, longos períodos de conversação consigo mesmos.” Nadar também é uma atividade mental, penso. Impossível nadar sem pensar.”

Às vezes, assustadoramente, eu parecia estar lendo minha própria história. Só que escrita por um homem, de 45 anos, paulistano. Não interessa: nossas histórias como nadadores são muito parecidas.

Mas o texto de Hélio Gurovitz é bem mais profundo: além de relembrar a infância, ele faz reflexões sobre a natação (como esta do “esporte mais solitário do mundo”), conta como resolveu voltar a nadar depois de 15 anos fora das raias e — o mais legal, ao meu ver — como superou os diversos desafios de suas limitações físicas e foi melhorando, aos poucos, até conseguir a consagração pessoal de chegar em antepenúltimo lugar numa prova que nada valia, depois de percorrer 5 km em uma hora e cinquenta minutos.

Quando li essa história em primeira pessoa contada com tamanha franqueza e riqueza de detalhes sobre algo que fez parte tão profundamente da minha vida e da minha formação, senti um troço.

Sim, um troço. “Acho que quero voltar a nadar”, eu disse ao meu pai, fechando a revista (que, por sinal, resolvi guardar).

Ao mesmo tempo em que sentia um misto de saudade e nostalgia e de curiosidade sobre a terapia solitária que é a natação (e que conheci tão bem, em plena adolescência), senti bastante medo. De voltar a ter dor nos ombros, de me embrenhar no vício que todo treino propicia, sabe-se lá quais outros tantos medos.

Fiquei maturando a ideia nesses últimos quatro meses. Até que, ontem, resolvi tentar.

(CONTINUA amanhã…)

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Um texto que mexe comigo há quase quatro meses

Amanhã vou escrever um post sobre um desafio que me propus.

Mas, antes, recomendo que tirem 15 minutos do seu dia para lerem o texto “Desaprendendo a nadar“, de Helio Gurovitz, diretor de Redação da “Época”, publicado na edição de 20 de janeiro da revista.

Com essa leitura, meu post de amanhã fará muito mais sentido… E prometo que vale a pena, especialmente para quem já teve a experiência de ser nadador 😉

CLIQUE AQUI para conferir.

Foto: Moysés Gurovitz. Publicada na edição da "Época" de 20.01.2013.

Hélio Gurovitz aos 9 anos. (Foto: Moysés Gurovitz. Publicada na edição da “Época” de 20.01.2013.)

Tudo o que eu acho sobre a PEC dos domésticos

Até o gato mais preguiçoso do mundo já aprendeu a se virar, então os homens podem e devem também dividir as tarefas de casa, igualmente, com as mulheres. Nada de "ajudinha".

Até o gato mais preguiçoso do mundo já aprendeu a se virar, então os homens podem e devem também dividir as tarefas de casa, igualmente, com as mulheres. Nada de “ajudinha”.

Não é sempre que gosto do que escreve a mineira Miriam Leitão. Mas sua coluna de hoje, “Porta da modernidade”, publicada em jornais do Brasil, simplesmente brilhou. Tudo o que penso sobre a PEC e o avanço que ela representa (ao menos quando tudo estiver regulamentadinho) está lá. Merece ser lida por todos.

Destaco os melhores trechos com o negrito-itálico:

“A nova lei do emprego doméstico é uma grande oportunidade de mudanças. Não será fácil nem indolor, mas terá profundas repercussões sociais, econômicas, comportamentais, familiares. Demandará muito de todos nós, imporá exigências às políticas públicas. É progresso. Chegou em um momento em que as domésticas podem escolher onde trabalhar.

O número de trabalhadores no emprego doméstico tem caído, e a renda tem aumentado. Sinal de que há mais demanda que oferta dessa mão de obra e novas oportunidades no mercado de trabalho.

Ficará mais caro ter empregado doméstico, mas é um avanço natural. Dar os mesmos direitos a todos os trabalhadores é progresso. Quer que a pessoa trabalhe até mais tarde num dia em que receberá amigos para jantar? Perfeito, a funcionária será paga por hora extra. Quer romper o contrato de trabalho? Perfeito, ela terá o mesmo direito que todos os trabalhadores do mercado formal.

Há uma burocracia infernal no mercado de trabalho. Ótima hora para o governo simplificar. Nas casas, isso é mais urgente porque não há contador. O governo poderia simplificar também a parafernália regulatória para a pessoa jurídica.

Novas oportunidades se abrem em todas as áreas. A família que tem duas empregadas, ou mantém a funcionária em horas excessivas, terá agora de exigir colaboração de todo o grupo familiar.

A revista ‘Época’ fez, há uma semana, uma reportagem sobre “o que as mulheres querem dos homens”. No texto sobre a nova divisão de tarefas, o subtítulo é “os homens nunca ajudaram tanto nos afazeres domésticos e no cuidado com os filhos”. Na legenda: “Os homens se sentem mais à vontade para ajudar no cuidado com os filhos.” Na segunda legenda: “Ele ajuda tanto nas tarefas domésticas que o casal dispensou a empregada.” O que me espantou foi a insistência no verbo errado. Quis escrever uma carta para a publicação:

“Querida revista Época, como leitora, assinante e admiradora da publicação, gostaria de lembrar que “ajudar” pressupõe que a obrigação – no cuidado da casa e dos filhos – é da mulher. Isso não faz mais sentido. Portanto, sugiro que da próxima vez que fizerem reportagem tão interessante esqueçam o verbo “ajudar” se forem falar da divisão do trabalho entre pessoas que têm responsabilidades iguais.

Crianças mimadas que crescem gritando que a empregada lhes dê tudo na mão, como se inválidas fossem, ou que não sabem manter o mínimo de ordem em seus espaços, terão que mudar os hábitos. [Nota da Cris: adultos mimados também!] A funcionária terá menos tempo, pois terá que se dedicar às questões essenciais.

As políticas públicas terão que aumentar a oferta de creches ou escolas em horário integral. Antes, isso era uma aflição das domésticas. Elas também são mães e precisam deixar seus filhos. Agora, a classe média exigirá creches.

A expressão “ela virou uma pessoa da família” não precisará ser abolida, mas não será mais a desculpa para uma relação ambígua em que não são respeitadas as exigências de remuneração extra para o trabalho extra. Favores, presentes, pequenas concessões não substituem direitos, garantia e remuneração.

Essa lei é o umbral da modernização há muito tempo necessária na cena brasileira. O governo terá de simplificar regras burocráticas. As famílias terão que formalizar relações que hoje são pouco claras. Os maridos trocarão o verbo ajudar por dividir e compartilhar. As crianças terão que ser menos exigentes. As empresas terão que ter políticas corporativas mais flexíveis para que trabalhadores de ambos os sexos possam compatibilizar o cuidado com os filhos e a carreira. Não vai ser fácil para ninguém, mas o Brasil será mais moderno.”

PS. A observação sobre o mau uso do verbo “ajudar” pela “Época” foi especialmente pertinente, porque pensei exatamente a mesma coisa quando li aquela reportagem. E já tinha me chocado quando, em pleno Dia da Mulher, o UOL fez ESTE teste sobre divisão “igualitária” de tarefas entre marido e mulher e as alternativas não eram nada igualitárias, sempre na base da ajudinha. A mulher aparentemente ainda não passou da porta da cozinha em algumas publicações.

Leia também:

A resposta e o atendimento das empresas, uma semana depois

Há exatamente uma semana, postei aqui no blog problemas de atendimento que tive com quatro empresas diferentes: Ricardo Eletro, Editora Globo, Locaweb e NET. Além de postar aqui, registrei também no Facebook, no Twitter (sempre com cópia para os canais de atendimento dessas empresas nas duas redes sociais) e no site Reclame Aqui (links acima).

Passada esta semana, todos os problemas já foram resolvidos. No entanto, o atendimento prestado por cada uma dessas empresas foi bem diferente, com níveis de respeito ao consumidor lesado também muito diferentes.

Compartilho, com as devidas notas, para vocês saberem como foi:

Nota 10 – Locaweb: No mesmo dia que reclamei do atendimento da Locaweb, recebi um tweet de um atendente da empresa, oferecendo ajuda. Foi a única empresa que se manifestou pelo Twitter; as demais ignoraram meu post no microblog, demonstrando que estão bem atrasadas no tempo. E olha que meus tweets foram bastante repercutidos, sempre com cópia para as empresas. Bom, mas a Locaweb prontamente deu andamento ao meu pedido de cancelamento da hospedagem, por meio de email, do canal próprio da empresa e de telefone. Ontem recebi uma última ligação, com um pedido de desculpas e promessa de que receberei um reembolso pelos meses que não vou mais usar o serviço. A empresa também se manifestou no site Reclame Aqui e dei minha ocorrência por encerrada, com uma nota 10 e boa impressão final. Se um dia eu precisar de novo de um serviço de hospedagem, acho bem provável que eu volte a procurá-la.

***

Nota 6 – Revista Época/Editora Globo: A empresa nunca se manifestou nem no Twitter, nem no Facebook, nem jamais me ligou para dar qualquer satisfação sobre o que houve com a entrega de três das minhas cinco revistas, que não haviam chegado. No Reclame Aqui, respondeu logo no dia seguinte ao meu registro, mas também sem qualquer explicação ou justificativa. A resposta apenas disse, de maneira bastante arrogante, que a empresa é “conceituada”, “famosa” pela “alta qualidade” de suas publicações e tem “excelência” nos serviços prestados aos assinantes. Nem sequer se deu ao trabalho de pedir desculpas. Por fim, disse que o caso seria solucionado em até sete dias úteis, com normalização da entrega. O lado positivo é que recebi duas das três revistas. Dei de ombros a respeito da terceira, que já ficou até defasada a esta altura. Mas tenho certeza de que não vou renovar a assinatura quando esta vencer, em um ano, nem indicá-la a outras pessoas.

***

Nota 6 – NET: Quando eu disse à NET que já tinha enviado o equipamento, eles não checaram, simplesmente responderam ao email dizendo que eu precisava enviar um comprovante de entrega. Só que a entrega foi feita em outubro e eu não consegui encontrar o comprovante. Até fui à agência dos Correios para tentar uma segunda via, mas ainda sem sucesso. Ontem, recebi uma ligação, imagino que de alguém de outro setor, dizendo que realmente já tinha sido dado baixa no equipamento e ele constava como entregue desde 13 de novembro. Pedi para ela me enviar isso por escrito, uma vez que já tinham me dado a mesma informação em novembro, mas vieram me cobrar de novo agora em janeiro. Ela disse que “não poderia enviar por escrito“. No Reclame Aqui, colocou apenas que o “devido atendimento” foi prestado, também sem reafirmar a entrega do equipamento. No Twitter, não houve resposta. Considerei uma postura também dúbia e sujeita a novos problemas. Por via das dúvidas, ainda vou insistir nos Correios e guardar aquele comprovante, para evitar cobranças e amolações futuras.

***

Nota 1 – Ricardo Eletro: Esta foi a mais desrespeitosa. O prazo de montagem do armário, de dez dias úteis, venceu na última sexta (18). Desde a quinta anterior, eu tentei ligar para o canal de atendimento para cobrar a prestação do serviço, sem sucesso. Na loja também não fui atendida. Até que, na segunda (21), consegui finalmente ser atendida pela central. A moça apenas confirmou o atraso, disse que não tinha nenhuma justificativa para me dar e pediu que eu aguardasse outros seis dias úteis! No Twitter e Facebook, fui solenemente ignorada. E até mesmo no Reclame Aqui esta foi a única empresa que não se manifestou. A nota só não é zero porque hoje de manhã, sem nenhum agendamento prévio, apareceram funcionários para montar o armário, e a dor de cabeça passou. Mas nunca mais compro na Ricardo Eletro. Como eles próprios dizem eu sua musiquinha interminável de espera no telefone, os móveis e equipamentos de todas as varejistas “são todos iguais”. O diferencial é o preço e o atendimento, diz a musiquinha. Pois bem, o preço também é questionável, e esse atendimento não me engana nunca mais.

Consumidor sustenta o Brasil, mas é tratado como lixo


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Uma das razões para o Brasil não ter afundado na crise que assola os Estados Unidos e a Europa desde 2008 é o fato de os brasileiros ainda estarem confiantes na economia e comprando sem parar. A indústria de automóveis bateu recorde de vendas em 2012 e já emplacou quase 150 mil novos carros só nos primeiros dez dias úteis de 2013, mesmo sem redução total de IPI. O comércio varejista cresceu em todos os setores: farmácia, roupas, livros, material de construção, brinquedos etc. A tal da “classe C”, que teve os rendimentos valorizados pelo aumento do salário mínimo nos últimos anos, também não para de comprar. O governo federal tem estimulado esse consumo. Em resumo, tá todo mundo consumindo sem parar, mesmo com a inflação em alta, mantendo a indústria e o comércio aquecidos no Brasil, apesar dos pesares mundiais.

E não é que, mesmo assim, apesar do bem que o consumidor tem feito ao país, ele ainda é tratado como lixo? Adquire o produto, mas se, por alguma razão, ele vem com defeito, não chega direito, atrasa na entrega ou precisa ser alterado ou cancelado, a empresa deixa de prestar o atendimento àquele consumidor que foi, momentos antes, fisgado e tratado com todo carinho na hora da compra.

Vemos um investimento monstro das empresas em atendentes voltados para venda, tanto nas lojas físicas quanto nos outros canais de atendimento, mas nada é investido para o atendimento de manutenção e cancelamento. E as grandes varejistas, planos de saúde, editoras, bancos e empresas de telefonia podem me contestar com o dado que quiserem, dizer que investem zilhões de reais em atendimento ao consumidor – mesmo se for verdade, esses zilhões são insuficientes ou estão mal aplicados, e sei disso porque sou consumidora e sofro constantemente com a via-crúcis dos SACs.

O SAC, aliás, deveria ser rebatizado como “Serviço de Aflição ao Consumidor“. Seria, no mínimo, mais honesto. Divido com vocês as quatro aflições que estão me amolando nos últimos dias:

Ricardo Eletro – Tirei o dia 31 de dezembro, o único dia útil em que tive folga nos últimos tempos, para comprar um armário para a minha cozinha, que era a única pendência da minha mudança. Passei por várias grandes lojas de varejo, mas nunca conseguia encontrar um modelo pequeno o suficiente para caber na minha minúscula cozinha. O atendente da Ricardo Eletro, que já era a sétima loja que eu visitava no dia, estava visivelmente com raiva por trabalhar no último dia do ano. Quase falei com ele: “Meu filho, eu  trabalhei nos últimos quatro Réveillons, você tá reclamando de quê?” Ele me mostrava os modelos já adiantando que não caberiam no espaço que eu queria, como que me mandando ir embora logo. Até que eu vi um armário que estava na loja. “Tem fita métrica?”, perguntei. “Não.” Respirei fundo, fui até a loja concorrente, ao lado, peguei uma fita métrica emprestada, e fui lá medir. Servia. Fechei negócio. Ele me disse que chegaria na minha casa até o dia 3 de janeiro e que, depois, era só eu ligar para o número tal e agendar a montagem do armário “quando quisesse”. Claro que o armário chegou com atraso e claro que, até hoje, 18 dias depois, ainda não foi montado. Tento há dois dias falar na central, mas, após 12 minutos de espera ouvindo musiquinha (“Bom atendimento, para nós, é obrigação”. Hahahaha.), a ligação cai, ou já ouço de cara que “todos os atendentes estão ocupados”. Me dei ao trabalho de ir pessoalmente até a loja onde havia comprado, apenas para me deparar com a gerente, Fernanda, provavelmente um robô, que só sabia dizer “Ligue para a Central, eu não posso fazer nada”. Fernanda é parte do sistema: ela também só foi programada para vender, nunca para atender.
Editora Globo Essa também é boa! Enquanto a imprensa está desesperada para conseguir assinantes, numa das maiores crises de sua história, com leitores cada vez mais migrando de impressos para a internet e com as revistas semanais se tornando cada vez mais objetos velhos e descartáveis, vítimas das equipes minguadas após imensos passaralhos, lá fui eu, por livre e espontânea vontade, na contramão da humanidade, assinar a revista “Época”. Em vez de me tratarem a pão-de-ló, para não me perderem mais, eles simplesmente não entregaram os dois primeiros exemplares para mim. Liguei, pacientemente, passei meu endereço, disse que aceitava receber as revistas atrasadas e tal. Elas vieram. E eis que as três seguintes também deixaram de vir! Ah sim, não moro no meio do mato, mas num bairro próximo ao centro de uma das maiores capitais do país. Tentei falar com os atendentes via chat, mas os chats misteriosamente caíram nas três tentativas que fiz. Registrei por email e recebi uma resposta perguntando se eu queria receber as revistas mesmo atrasadas. Respondi que sim e, surpresa!, a resposta seguinte veio dizendo que “minha solicitação já tinha sido resolvida”. Oi? Por quem? E cadê minhas três revistas? Melhor voltar para o doce mundo da internet…
Locaweb – Falando em internet, estou tentando cancelar meu serviço de hospedagem na Locaweb desde o dia 10 de janeiro, quando registrei um chamado pedindo o cancelamento. No dia 11, um funcionário me respondeu perguntando os motivos do cancelamento, oferecendo um mês de gratuidade, dizendo que não quer me perder. Até aí, tudo ótimo. Mas respondi no mesmo dia que não queria mais manter o site em questão e, para minha surpresa, em vez de receber uma resposta confirmando o cancelamento, recebi hoje, seis dias depois, uma resposta dizendo que, “como não tiveram interações nos últimos dias”, iriam “cancelar meu chamado automaticamente”!!!! Ou seja, minha resposta foi ignorada e ainda jogaram a culpa no meu silêncio imaginário para desistirem de fazer o cancelamento que solicitei há uma semana.
NET – Como não podia deixar de ser, a NET também está na minha listinha de aflições saquísticas. Lembram do meu sufoco para cancelar o serviço de São Paulo? Pois bem, a última pendência que faltava era enviar os equipamentos da NET pelos Correios, via Sedex a cobrar. Fiz isso ainda na primeira quinzena de outubro. Já foram entregues, tanto que recebi o dinheiro dos Correios uns quinze dias depois. Já falei com a NET na época, para confirmar que não tinha mais quaisquer pendências com a conta de lá. E não é que hoje recebi um email deles dizendo que não receberam os equipamentos e me dando um valor a pagar por eles?

É o que eu digo: os empresários brasileiros ou no Brasil ainda não aprenderam a tratar o consumidor como cidadão. Qualquer valor que invistam em atendimento é insuficiente. Qualquer treinamento que dão aos atuais atendentes é ineficaz. Isso precisa ser melhorado com urgência, ou os consumidores vão desistir de comprar, após serem tratados como lixo com tanta frequência, e vão descobrir que às vezes são mais rapidamente e mais bem tratados por serviços prestados nos Estados Unidos ou na China, pagos (por bem menos) via cartão de crédito pela internet, do que na loja da esquina.