Um Poderoso Chefão musical

Para assistir: JERSEY BOYS
Nota 9

jrsey

O filme começa contando uma daquelas histórias da máfia italiana nos Estados Unidos. Bad boys que entram e saem da cadeia a todo momento, apadrinhados por um poderoso chefão, Gyp DeCarlo (interpretado pelo sempre excepcional Christopher Walken), que calhava de ser dono de boates — inclusive dos clubes onde Frank Sinatra começou sua carreira.

A partir de um certo ponto, a história foca no talentoso Frankie Valli, que é dono de uma voz em falsete, afinadíssima, com um timbre muito peculiar e emocionante.

Aos poucos, sob a direção estupenda de Clint Eastwood, a gente vai entendendo que a história é sobre o grupo todo, os lendários The Four Seasons, que estouraram nos anos 60 com músicas do estilo doo-wop, com rock’n’roll de balada, vocal jazz, soul e que foram os precursores da disco music.

E aí a história passa a entrar naquele mundo dos estúdios (que já vimos em tantos filmes bons, como Cadillac Records), do empresariado musical, das dívidas, dos hits sendo estourados um atrás do outro. Com o diferencial de que, por mais que os quatro fizessem cada vez mais sucesso, permaneciam ligados por uma espécie de código de honra que os unia desde a adolescência no bairro pobre onde viviam em New Jersey. Por isso o filme não é só um musical, não é só uma biografia, é também um filme de gângster e de máfia, um “Poderoso Chefão” meio mecenas.

Pra melhorar ainda mais, os atores conseguem cantar tão bem quanto os personagens que interpretam. O ator que interpreta Frankie Valli, John Lloyd Young, o excelente Vincent Piazza, que faz o amigo-cafajeste Tommy DeVito, e os demais da banda, têm todos um vozeirão. E todos os atores cantaram ao vivo no estúdio durante as gravações, sem playback ou qualquer outro artifício — como é possível comprovar neste vídeo de bastidores.

Outra coisa legal do roteiro é a forma como a história vai sendo contada: com os atores olhando diretamente para a câmera, de tempos em tempos, para “conversar” com o espectador. Como se o filme brincasse de ser documentário. Não é sempre que isso funciona, mas ficou muito legal em “Jersey Boys”. Enfim, não se assustem se ele for indicado a várias categorias do Oscar, como melhor roteiro, direção, melhores atores, melhor trilha, melhor fotografia, e por aí vai.

É daqueles filmes biográficos que a gente assiste não por ser fã da banda em questão (pra falar a verdade, eu mal conhecia The Four Seasons, a não ser por uns poucos hits, como Can’t Take my Eyes Off You), mas porque traz uma boa história, com todos os ingredientes que a gente gosta (crime, amor, perseverança, superação, drama etc), e com a vantagem de ser baseada em fatos que incrivelmente aconteceram de verdade. Confirmando o que sempre digo: a vida real é muito mais sensacional e impressionante que a ficção.

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