As misses e os preconceituosos

Foto: Andrew Werner

A Miss América Nina Davuluri em foto de Andrew Werner

Em tempos de “Miss Brasil“, eu queria destacar aqui a também recém-coroada Miss América, Nina Davuluri. Não que um concurso importe mais que o outro (não costumo acompanhar nenhum dos concursos de beleza, pra dizer a verdade), mas porque a moça da foto aí em cima foi vítima de preconceito, racismo, xenofobia e ignorância — tudo ao mesmo tempo — e esses são temas caros a este blog.

Quando ela foi coroada, pipocaram mensagens no Twitter com o seguinte teor:

  • “Como diabos um estrangeiro vence o Miss America? Ela é árabe! #idiotas”
  • “11 de setembro foi há quatro dias e ela vence o Miss America?”
  • “Belo tapa na cara das pessoas do 11 de setembro. Que patético”
  • “Miss America ou Miss Al Qaeda?”
  • “Miss America é uma terrorista”
  • “Miss America ou Miss 7-Eleven”

Outras mensagens do mesmo naipe de ignorância, que colocam indianos e árabes no mesmo saco (não que ser árabe seja um problema), que atacam uma mulher que nasceu nos Estados Unidos apenas por sua ascendência, ou apelam para o racismo podem ser lidas AQUI, em inglês.

E o que ela respondeu?

“Tenho de ficar acima disso. Sempre me vi como americana em primeiro lugar. Para cada tuíte, post ou comentário negativo, houve dezenas de comentários positivos e de apoio.”

Como diria a apresentadora do “Jornal Hoje”, ela se saiu com elegância e inteligência.

Inteligência, aliás, que ela parece ter de sobra. Diz o perfil da revista “Época” da semana passada:

“Nina nasceu em Syracuse, a quinta maior cidade do Estado de Nova York, oito anos depois da chegada dos pais ao país. Na ocasião, ambos já tinham cidadania americana. Nina frequentou bons colégios locais, participou de corais e de atividades sociais e foi uma destacada cheerleader, a típica animadora de torcida do time de futebol americano do colégio. Estudante acima da média, entrou na Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan. Ganhou prêmios de mérito estudantil e formou-se em 2006, com especialização em comportamento cerebral e ciências cognitivas.”

Vale a pena ler todo o perfil AQUI.

Nina não tem o estereótipo da norte-americana típica, como a Miss Kansas, Theresa Vail. A Miss Mato Grosso, Jakelyne de Oliveira, vencedora do nosso concurso, também não tem o estereótipo da brasileira que aparece nas novelas. Não cheguei a ver mensagens de ataque a ela. Mas será que se a Miss Bahia, Priscila Cidreira, que é negra, tivesse vencido, não teríamos visto algo do gênero? Afinal, somos do mesmo país da jornalista que declarou, para quem quisesse ver, que as médicas cubanas nem parecem médicas, parecem empregadas domésticas. Do mesmo país da estudante de direito paulistana que declarou, pra quem quisesse ver, que “nordestino não é gente” (“mate um nordestino afogado”, completou). Do mesmo país da aluna de publicidade que declarou, pra quem quisesse ver, que foi atropelada por um casal de negros (“TINHA QUE SER, né?”) num carro importado, “certo que é roubado”.

Brasileiros e norte-americanos ainda têm um loooongo caminho pela frente para atingirem a civilidade e o respeito às pessoas, com toda a sua diversidade. Ainda bem que temos Ninas e Jakelynes para darem sua contribuição, à sua maneira.

Anúncios

2 comentários sobre “As misses e os preconceituosos

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s