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O nome das coisas (Ou: você sabe o que é um petrichor?)

Chuva numa noite em Beagá. (Foto: CMC)

O blog “O Buteco da Net“, de Humberto Oliveira, divulgou dez coisas que não sabemos como se chamam e que têm nome.

Por exemplo, aquela cavidadezinha entre o nariz e o lábio superior… Ou aquele branquinho na base da unha… A parte metálica da ponta do lápis, que segura a borracha… As luzes que vemos ao fechar os olhos com força, o cheiro da chuva depois de cair na terra seca, a parte oposta do martelo, que não serve pra bater nos pregos…

Convenhamos que são nomes inúteis, já que, se dissermos palavras como petrichor, fosfenos, ferrule, lúnula e filtro labial, dificilmente seremos entendidos.

O que me faz pensar que algumas palavras são ocas, porque, de tão desconhecidas, não cumprem seu papel fundamental de comunicar um significado. E também me faz pensar em como é o processo de criação de uma palavra e por que algumas “pegam” mais do que outras. E também me faz pensar que algumas coisas jamais deveriam ganhar um nome próprio, porque podemos passar a vida inteira sem saber como se chamam e, mesmo assim, continuarmos nos comunicando de forma satisfatória.

Afinal, todos aí entenderam o que eu queria expressar quando eu disse “cavidadezinha entre o nariz e o lábio superior”, né? Então, cumpri minha função de interlocutora de forma muito mais satisfatória do que se eu tivesse dito “filtro labial’, que é um conhecimento útil apenas para preencher palavras cruzadas.

O mais legal do post do Humberto é que, até agora, 47 pessoas comentaram, e muitas delas acrescentaram palavras ocas à lista original. Por exemplo:

  • quijo = rolo de “papelão” onde o papel higiênico é enrolado.
  • remalina = parte removível das folhas do caderno (confesso que não entendi bem).
  • vibrissas = pêlos dentro das narinas (e, em casos mais nojentos, fora delas..).
  • superpolicar = fazer o sinal positivo com o polegar levantado.

(Se bem que, lendo agora todos os comentários, vi que a maioria só falou bobeiras… :()

Como nenhuma dessas palavras comunicam nada, proponho a vocês que criem suas próprias palavras para falarem dessas coisas inomináveis da vida! Começo desde já dando um novo nome ao petrichor, que, feia palavra, não condiz com a beleza do cheiro da chuva caindo na terra.

Fica decretado que esse cheiro agora se chama ferorvalho!

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

16 comentários em “O nome das coisas (Ou: você sabe o que é um petrichor?) Deixe um comentário

  1. Em português, a forma é petricor, não petrichor. Não são todos os dicionários que o trazem – termo cunhado em 1964 em um artigo científico.

    Remalina é uma parte do formulário contínuo: entre a borda e a serrilha – que apresenta furo. Talvez seja termo usado para falar de parte similar em um caderno espiral. Ou então em caderno com folhas serrilhadas destacáveis.

    Embora, de fato, as palavras em si não comunicam nada. Nenhuma palavra. Não é verdade que sejam inúteis. Depende do contexto. Exemplo, jargão. No jornalismo, nariz de cera é uma coisa. Dito em no Madame Tussauds tem outro sentido. Em cada lugar tem sua função comunicativa.

    Lúnula está em meu vocabulário passivo. Tem alguma importância como jargão científico.

    Ferrule deve ser uma palavra usada em tecnologia industrial de lápis.

    LP é uma sigla amplamente desconhecida pela nova geração, que mal sabe o que é CD. (E convenhamos, mal sabíamos o que era um gramofone – salvo por referências de desenhos da década de 1930 como Tom & Jerry). A próxima dirá um ‘hã’ para o MP3.

    Que podemos usar expressões mais longas para substituir palavras ou expressões específicas, bem, é disso que vivem os dicionários. Todos entenderão: “Há *esse bicho emplumado* a cantar alegremente o chegar da primavera”, não será um gato, não será um giroscópio.

    []s,

    Roberto Takata

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  2. Cris,
    Imagine um formulário contínuo para impressora matricial; tem um serrilhado, um picote, que separa os furinhos, usados pelo tracionador da máquina, da parte útil do papel. Aquilo que se joga fora, aquela serpentina com furinhos, é a remalina.
    Muito útil para descobrir o tamanho do formulário: multiplique o número de furinhos por 3 e voilá: você tem o número de linhas. Uma folha comum, A4, em formulário contínuo, tem exatos 22 furinhos, ou, 66 linhas.
    Antigamente, eu estava no jardim de infância, quando surgiram cadernos com espiral em arame, as folhas também tinham o tal serrilhado: você destacava a folha usando o picote, e aí ficava uma parte presa ao carderno, a tal remalina.

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    • Sou cheia de amigos cultos! 😀
      Outro dia mesmo eu estava me perguntando por que diabos fizeram aquela primeira impressora doméstica com papéis grudados um no outro e com furinhos. Por que não fizeram logo no modelo atual, de papeis A4 colocados separadamente? Será uma tecnologia muito mais avançada?
      bjos!

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      • Eu sei! (um ano depois)
        Quando a impressora foi inventada, era o principal interface de saída de um computador (era raro haver monitores ou telas como agora).
        Assim, imprimia MUITOS dados, basicamente tudo o que quiséssemos tirar de um computador, incluindo programas (que eram impressos e copiados à mão, à falta de disquetes).
        Os mecanismos de transporte de papel não eram tão sofisticados como os atuais, e folhas separadas encravariam a impressora constantemente, enquanto que as folhas pegadas umas às outras não necessitavam nenhuma “introdução” de papel, pelo menos até se acabar a resma. Simplesmente iam rolando, e mantinham a vantagem de se poder dobrar ou destacar folhas individuais. Mais uma vantagem, dada a longura dos documentos, era que se mantinham arrumados, sem a bagunça de folhas espalhadas por todo o lado.
        Um abraço de Portugal, e que linda palavra para o petricor!
        U

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      • Esta pergunta é ótima ! E pode ser generalizada, por exemplo: por que não inventaram logo a TV OLED, ficamos perdendo tempo com os “tubos de imagem”, ou porque não invetaram logo o avião a jato, a humanidade ficou andando de avião com hélice por anos ! Ou porque não inventaram logo a penicilina ficamos tomando chá e rezando com curandeiros por anos … Em matéria de pergunta idiota estas estão no top + !!

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      • A diferença é que eu sei que há um abismo tecnológico entre o jatinho e o 14-Bis, mas não sabia — como deixei claro na sequência — qual era a diferença tecnológica entre uma impressora que só comporta papéis com remalina e uma que já imprime nos papéis avulsos.

        Felizmente há leitores muito mais cultos e desprendidos, generosos ao compartilhar sua cultura — como o Liard e o Francisco Belard — que resolveram a questão, ainda por cima de maneira educada. Tenho certeza que outros leitores que chegaram aqui no blog em busca do que quer dizer a palavra “remalina” agradeceram aos dois.

        Felizmente também, pessoas maleducadas como você são minoria por aqui.

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  3. Há palavras com vários significados e outras com um único e bem específico, tal como defenestrar, que significa jogar ou lançar alguém pela janela; se a pessoa for jogada pela sacada ou varanda, tecnicamente não pode ser descrita como defenestrada.
    Há também o “de cujus”, para designar o falecido, de cuja sucessão se trata, por exemplo, no inventário, para designar o autor da herança. É uma forma reduzida da expressão latina “de cujus sucessionen agitur”. No entanto, utilizam-nas de forma inapropriada, para indicar qualquer falecido.
    Há também palavras que nascem de acasos e se incorporam no vernáculo. Por exemplo: Gandula, era o nome de um jogador argentino que jogava do Vasco da Gama, frequentemente na reserva e que por isso mesmo, vivia buscando a bola lançada fora do gramado. Pronto, virou a designação nacional para o pegador de bolas. Do mesmo modo, a palavra guaribada. Guariba era o nome do empregado de loja de compra e venda de automóveis usados, que limpava e polia os carros à venda….
    É isso. O idioma é lindo, não só pela sonoridade, mas também pela origem dos termos. Abraços.

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  4. Pelo amor de Deus, que desprestígio com o próprio idioma. E que “latinha” fazer um blog sem entender nada do assunto. Parabéns, show de ignorância

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    • Me reservo o direito de manter um blog contendo toda a minha imensa e bem-vinda ignorância — e não será nem o primeiro nem o último do tipo na internet. E vc fique livre para visitar e ler apenas aqueles blogs que considerar menos ignorantes, combinado? (Xô, mau humor!)

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  5. Oi Cris! Estava passeando pela internet e achei seu blog, parabéns! Gostei muito do post, descobri palavras que nem sabia que existiam. Discordo apenas de uma coisa: acho a palavra ‘petrichor’ tão bonita! rs
    Posso contribuir com uma palavra que gosto? Redamar – Ato de amar e ser amado – mas prefiro entender como ‘amar quem te ama’.
    Sucesso pra ti! Bjos

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