Polícia Federal sai na frente nas Olimpíadas

Encenação que é parte de um protesto de policiais federais, pedindo melhores condições de trabalho. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Encenação que é parte de um protesto de policiais federais, pedindo melhores condições de trabalho. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

O Brasil já tem um medalhista de ouro nas Olimpíadas que começam no dia 5 de agosto. O primeiro ganhador é a Polícia Federal. Uma simples ameaça de greve antes da corrida pelo ouro levou o presidente em exercício Michel Temer a assinar um projeto de lei concedendo reajuste de 37% a todas as carreiras da PF, em parcelas a serem pagas entre 2017 e 2019.

Há quatro anos, no dia 7 de agosto, os policiais federais desafiaram Dilma Rousseff, numa greve que durou 70 dias e foi acompanhada por policiais rodoviários federais e outras categorias. O governo apresentou proposta de aumento de 15,8% dividido em três anos, e encerrou as negociações no dia 26 de agosto.

Dilma Rousseff pagou caro pela ousadia. O vice, Michel Temer, aprendeu como é arriscado desafiar grevistas armados com memória de elefante. Continuar lendo

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Perguntas e respostas sobre o que está em jogo DE VERDADE no impeachment de Dilma

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (31/03/2016)

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (31/03/2016)

É no meio de mais uma mamada que escuto um barulho a princípio indecifrável. Tec-tec-tec. Logo um vizinho responde, aos gritos: “E O AÉCIOPORTO DE CLÁUDIO?”, e percebo que o primeiro barulho era uma panela agredida por uma colher. Outro brada: “Fora Dilma! Fora PT!”, e um quarto sujeito ressuscita o jingle da campanha de Lula em 1989: “Lula-lá, brilha uma estrela…”.

Que confusão, penso, absorta nas tarefas de mãe. Com algum esforço descubro que tudo isso se deu por causa da abertura de um “Jornal Nacional” espetacularizado ao máximo, uma das edições que certamente serão estudadas pelas futuras turmas de jornalismo, se esta profissão ainda existir no futuro. Se não me engano, foi no dia em que o ex-presidente Lula foi levado para depôr na Polícia Federal. (Depoimento que vale a pena ser lido na íntegra, diga-se de passagem).

Quando entrei em licença-maternidade, o mundo, literalmente, entrou em colapso. O maior desastre ambiental da história do país aconteceu aqui pertinho, em Mariana. A zika ganhou os noticiários internacionais. E Eduardo Cunha deu início a seu projeto de acelerar ao máximo o impeachment da presidente Dilma Rousseff no Legislativo para ganhar, como recompensa, o perdão de seus companheiros no Conselho de Ética e a manutenção de seu mandato, mesmo após participação comprovada em escândalos de corrupção.

Só estando em outro planeta para não saber o que está acontecendo no Brasil, não é verdade? Pra estar alheio aos panelaços e buzinaços da vida. Pois bem, é como se eu estivesse em outro planeta mesmo: vamos chamá-lo de Bebelândia. E é um esforço diário o que faço para, já à noite, cansada dos trabalhos que amanhecem junto com o dia, aterrissar de volta ao planeta azul e me informar, minimamente, sobre os rumos do meu país. E voltar a me preocupar mais com o golpe anunciado que com a noite de sono do meu bebê.

Em minhas pesquisas para entender o que está em jogo, acabei montando este breve FAQ. Eu fiz as perguntas, corri atrás das respostas e, claro, pincelei o resultado com a minha análise e opinião pessoal. Algumas das fontes usadas para cada afirmação estão linkadas ao longo do texto. Fica como sugestão de leitura para outros terráqueos que, por um motivo ou outro, tenham ficado perdidos nesta novela do impeachment.

Vamos às perguntas e respostas:

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