- Texto escrito por Cristina Moreno de Castro
O Ponteio Lar Shopping é um shopping quase na saída de Belo Horizonte, fora de mão, sem lugar para parar o carro além de um estacionamento caro, especializado em lojas que vendem móveis também caríssimos.
Nem mesmo uma praça de alimentação decente o Ponteio tem: são só meia dúzia de restaurantes. Para se ter uma ideia, desde que o Turi, que ocupava o maior espaço do “Espaço Gourmet”, fechou, lá em 2024, nenhum outro restaurante ocupou o lugar dele, mesmo depois de tanto tempo.
Então por que eu iria frequentar um shopping desses, certo? Eu vou lá justamente por causa do cinema, que é da rede Cineart e, além de passar bons filmes, costuma estar mais vazio do que em outros shoppings da cidade, por todas essas razões óbvias.
Foi lá que vi, por exemplo, “Ainda Estou Aqui” – só tinha eu e mais uma pessoa na sala, enquanto em outros cinemas eu só encontrava as sessões esgotadas, em qualquer dia da semana ou horário.

Mas já passei tanta raiva no cinema do Ponteio que prometi a mim mesma, depois do último domingo, nunca mais assistir a nenhum filme lá.
Não conhecem as próprias regras do programa de fidelidade
Minha primeira sessão de raiva foi em dezembro de 2024. Eu tinha me cadastrado no programa de fidelidade Cineart Club. Um dos benefícios para quem está na categoria Prata desse programa é a meia-entrada às segundas-feiras.
Eu não tenho direito a meia-entrada há tempos, desde que deixei de ser estudante, e nunca ganhei as carteiradas que os jornalistas sempre ganham, apesar de ser uma das jornalistas que mais escrevem resenhas de filmes em Belo Horizonte. Então me programei para ir até o Ponteio em uma segunda-feira para poder ver um filme a um preço mais baixo.
Surpresinha: o atendente da bilheteria não conhecia a regra do próprio programa de fidelidade, da própria rede de que o cinema faz parte, e não me deixou comprar meia-entrada. Nem chamando a gerente adiantou, porque ela tampouco conhecia. E não adiantou também abrir o app da Cineart e mostrar o regulamento para eles. Ficaram irredutíveis.

Pra piorar, registrei a reclamação abaixo na rede Cineart e nunca recebi nenhum retorno:
“Mostrei à atendente que, como nível prata no Cineclube, eu tenho direito a meia entrada às segundas, conforme informação neste aplicativo. Ela disse que desconhece a regra. Solicito que isso seja repassado aos atendentes ou tirado do app, para não gerar constrangimento pra gente.”
Fiquei no vácuo.
Prometem um presente de aniversário e não entregam
Em março deste ano, passei por mais uma amolação. Pra piorar, foi no dia do meu aniversário. Chegou no meu email o seguinte “presente” da Cineart:
Fui ao Ponteio de novo, acreditando que ia pegar uma sessão mais vazia. Para isso, acabei enfrentando um congestionamento danado. Chegando lá, descobri pelos funcionários do Ponteio que não poderia assistir à sessão que eu tinha me programado para ver, porque ela estava passando em uma sala premium. Só que essa restrição não constava em nenhum lugar do meu email com o “presente”.
Pra piorar, descobri que o cinema não tinha mais convênio com o estacionamento do shopping, então agora, além de ser mau-atendida no cinema, eu nem teria desconto para estacionar num shopping que fica no meio de uma rodovia e não dá a alternativa de parar o carro na rua.

Desta vez, resolvi reclamar direto no Reclame Aqui. Apesar de o funcionário do Cineart que me respondeu lá ter sido bem grosseiro, colocando a culpa em mim por ter perdido minha caminhada, um dia depois chegou no meu email mais um “presente” idêntico. Ou seja, perceberam a cagada que fizeram.
Por via das dúvidas, desta vez fui resgatar meu ingresso grátis no Boulevard Shopping – onde não tive NENHUM problema, diga-se de passagem. Ganhei até um combo de pipoca e refri que eu não estava esperando.
O que me fez pensar: então talvez o problema seja do cinema do Ponteio, e não da Cineart, hein?
A cereja do bolo: não passam o filme completo!
No último domingo (12), lá fui eu de novo, A BURRA, assistir a um filme no shopping Ponteio. Já fazia um tempo que eu não ia lá, mas resolvi dar mais um voto de confiança.
A praça de alimentação continuava com um painel no lugar onde havia um restaurante que fechou há dois anos. A manteiga da pipoca do cinema continuava com o mesmo cheiro rançoso de sempre. O ingresso do cinema, mesmo pagando meia-entrada (agora porque sou cliente Unimed), continuava caríssimo, porque a sessão que eu queria ver estava numa sala premium.
Mas me conformei, paguei os R$ 40, reclinei a poltrona no cantinho, que era o único lugar que estava vago, e resolvi que ia aproveitar numa boa o filme “O Convite”.
Eis que, já quase no fim, na cena de clímax mesmo, a telona ficou preta de repente e, pouco depois, as luzes da sala se acenderam. Mas não é que o filme acabava do nada, porque os créditos não apareceram. É que deu pane mesmo.
Ficamos todos em espera, ou de que o filme voltasse a ser exibido ou que aparecesse alguém do cinema para trazer explicações, mas nada.
Aos poucos, um monte de gente começou a sair, imagino que para avisar/cobrar uma solução. Passaram-se vários minutos, e nada acontecia, então eu também saí. Falei com o único funcionário do cinema que estava visível, o bilheteiro, e ele respondeu que alguém já estava olhando. Voltei resignada para meu lugar e lá esperei por mais outros tantos minutos.
Quando finalmente apareceu uma mulher, com cara de gerente, e veio explicar que tinha acontecido um “pico de luz”, pensei: que bom, agora ela vai se desculpar e vão retomar a sessão. Mas, não: ela ficou se defendendo, dizendo que só tinha ficado sabendo daquilo naquela hora, que “ninguém tinha avisado”, ficou nervosa quando eu disse que eu e várias outras pessoas já tínhamos avisado havia vários minutos, nunca pediu desculpas e, quando insistimos em saber quando a sessão seria retomada, respondeu, grosseiramente, que já tinha uma pessoa cuidando disso. Putz, viu.
Esperamos mais alguns minutos até que alguém realmente voltou com o filme. Mas só com o som, sem imagem. E as luzes da sala ainda acesas. Depois que gritamos alertando, a tela também ligou, mas percebemos que a pessoa tinha voltado uns 20 minutos antes da cena em que o filme parou. Alguém gritou “passa pra frente!” e fizeram a proeza de acelerar, mas continuar o filme DEPOIS da cena em que a pane começou. Ou seja, perdemos um pedaço do filme!
Todo mundo começou a gritar e reclamar, mas ninguém fez mais nada. Lá fora, um monte de gente já esperava pela sessão seguinte, que devia estar atrasada. O bilheteiro gaguejava. A tal gerente que não sabia de nada tinha sumido. Ninguém estava nem aí.
Ou seja, pagamos 40 reais (meia-entrada, hein!) para ver uma sessão teoricamente “premium” de um filme, num shopping caro, fora de mão, com manteiga de pipoca rançosa e, no fim das contas, ainda perdemos um pedaço da história, sabe-se lá de qual duração ou importância para o filme.
Fui embora indignada. E ainda tive que pagar os R$ 20 do estacionamento, claro.
Mas agora tenho a convicção de que nunca mais vou assistir a um filme no cinema do shopping Ponteio, da rede Cineart. Paciência tem limite.
P.S. Já em casa, resolvi ver as avaliações do cinema do Ponteio no Google e não me surpreendi nada com as seguintes, relatando os mesmos problemas técnicos e de despreparo dos funcionários desde anos atrás. Será que a rede Cineart está ciente desses problemas?
P.S.2. Não sei dizer nem se amei ou odiei “O Convite”. Os quatro atores são excelentes, o roteiro tem alguns pontos altos, mas os 15 minutos perdidos por culpa do cinema cortaram completamente o clima e qualquer reflexão possível que eu poderia extrair da história. Só me lembro de ser uma sequência infindável de brigas. Muito adequado para meu espírito bélico recorrentemente provocado pelo cinema do Ponteio.
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