Ir para conteúdo

E a Covid-19 me pegou…

Novo SARS-CoV-2 de Coronavírus. Crédito: Niaid

 

Dois anos e meio desde o início da pandemia, e cá estou eu, isolada em casa, 24 horas por dia de máscara, como no começo de tudo. A diferença é que agora estou com três doses de vacinas no corpo, e menos medo de morrer ou de ter que ser internada por causa de um vírus que agora não é mais tão desconhecido da gente.

Mesmo assim, que doença mala, viu!

Na semana passada, eu já tinha voltado a usar máscara em locais fechados, mesmo com a não obrigatoriedade, e já tinha voltado a levar o Luiz de máscara para a escola. Eu já estava com coriza, mas era só coriza, e muito parecida com a rinite alérgica que sempre tenho na mudança de tempo. Foi, afinal, a semana mais fria da história por aqui.

Mas eis que os dias se passaram e nada de a coriza ir embora. No domingo, comecei a tossir. Passei a madrugada de segunda toda tossindo muito, e decidi ir fazer um teste de Covid-19 logo cedo.

Quando vi o “detectado” no resultado do exame, custei a entender. Como assim, deu positivo?! Eu tinha feito só por desencargo, não achava que estaria mesmo com Covid. Li e reli várias vezes. Chorei com o susto. Também fiquei chateada porque privaria meu filho das aulas por pelo menos uma semana, seguindo os protocolos direitinho.

O alívio veio com a notícia de que nem meu filho nem meu marido testaram positivo. Menos mal, era só eu aqui em casa. Mas tive que redobrar os cuidados, me isolar até dentro de casa, ficar os três de máscara o tempo todo.

Na segunda-feira, trabalhei normal, no home office. Meu marido no escritório e eu na sala, pra ficar mais isolada. No fim do dia, estava exausta. À coriza e à tosse, juntou o sintoma do cansaço, fraqueza no corpo. Passei uma noite péssima na madrugada de terça, tossindo sem parar. De 4h a 6h30 até desisti de tentar: acendi a luz e fui ler.

Na terça, achei melhor ficar de repouso em vez de trabalhar de casa. O corpo estava gritando: PAUSE! Resolvi escutá-lo. Outros dois sintomas se juntaram aos três que eu já tinha: perdi totalmente meu olfato e comecei a sentir muita dor no corpo, especialmente nas costas (mas isso pode ser por conta da cadeira ruim em que trabalhei na véspera).

A perda do olfato foi um capítulo à parte. Peguei um café pra tomar, fui cheirar, e não senti nada. Daí saí abrindo tudo quanto era pote e cheirando tudo, desesperada, sem sentir nada. Tempero, cebola, perfume. Nada, nada, nada. Chorei pela milésima vez. Estou chorona esses dias.

Dormi bem de terça para quarta. Mas acordei nesta quarta com um cansaço ainda maior que o da véspera, o corpo fraco, muita sonolência. E também tive mais um sintoma: dor de cabeça. Tomei uma dipirona e dormi de novo de 11h até umas 16h. Um sono pesado, com poucas interrupções para atender a um telefone e almoçar. Foi renovador. Acordei me sentindo bem melhor. Mais forte, sem dor no corpo. A coriza e a tosse persistem, mas acho que elas ainda vão levar uns dias para passar.

O Luiz estava chateado que ia perder o “Mãos na massa”, projeto que teria na escola dele hoje, em que eu iria até lá e faríamos experiências científicas juntos. Com o isolamento da família toda, isso não foi possível. Então fizemos a versão caseira. Primeiro, olhos vendados, testamos nosso paladar. Sal, açúcar, Toddy. Testamos também o tato. Pente, leque, estegossauro de borracha. Na hora do olfato, achei que eu não conseguiria adivinhar nada, mas, surpresa: senti o cheiro do café. Só do café, mas melhor que nada. Perfume, tempero, mexerica: todo o resto passou incólume. O cérebro e suas peças.

 

LEIA TAMBÉM:

 

Seja como for, o corpo está se recuperando aos poucos. Os sintomas se avolumaram, mas termino esta quarta me sentindo melhor do que hoje de manhã. Amanhã provavelmente vou voltar ao home office. E a Covid-19 foi útil para ver, de novo, como nossa família de três pode ser unida e se ajudar. “Na saúde e na doença”, dizem. Beto e Luiz me ajudaram todo o tempo, ainda que com um pouco de medo de ficar perto demais, rs. Luiz fez bilhetinhos carinhosos, me mandou um e-mail, Beto levou minhas refeições na cama.

E a rede de apoio é vasta. Como fiquei muito tempo deitada, acabei usando o Instagram mais que meus 15 minutos diários de sempre. Postei, por exemplo, minha cara inchada quando estava morrendo de dor de cabeça. O resultado é que recebi dezenas de mensagens de força, algumas de pessoas que não vejo há tempos, todos compartilhando suas próprias experiências ou simplesmente mandando um “vai passar”. Uma colega se deu ao trabalho de trazer o para-casa de toda a semana para o Luiz fazer, por iniciativa própria. A filha dela, que estuda com o Luiz, fez um desenho lindo dizendo estar com saudades.

São coisas assim que levantam a gente – e é importante isso também, porque a Covid-19 ainda tem um sintoma extra, da tristeza. A gente fica triste por se sentir isolado, contagioso e meio inútil. Por estar atrapalhando a rotina de outras pessoas, além da nossa própria. Então é importante combater a coriza, a tosse e as dores com seus devidos xaropes, vitaminas, soros, antialérgicos e dipironas. Mas também é importante combater a tristeza, com carinho e atenção.

Para não dizer que “tudo terminou bem”, já que nos últimos dois dias acordei sempre pior que na véspera, estou cautelosa sobre como vou acordar amanhã. Mas sou otimista, acho que estarei bem melhor.  Na sexta, vamos todos testar de novo e torcer para estarmos negativados. E ainda tenho que torcer para Beto e Luiz atravessarem esses últimos dias do isolamento incólumes (Beto começou a tossir hoje…).

Sei que tudo isso é “muito 2020”. Quer dizer, quase todo mundo que conheço já teve Covid-19, já passou por isso tudo que relatei ou por coisa pior. E eu já li e escrevi a respeito milhares de vezes, diariamente, nos últimos mais de 800 dias. Mas sentir é outra coisa, né? Foi minha primeira vez. E eu achava que ficaria livre desta praga, depois de dois anos e meio de cuidados sem fim, de imunização, e com a vida finalmente parecendo estar voltando ao normal. Mas ela me pegou, por fim.

Outro dia eu li que um estudo concluiu que vai ser comum as pessoas pegarem Covid duas ou até três vezes ao ano (!!) com a ômicron e suas mil subvariantes. Ou seja, esta foi minha primeira vez, não necessariamente a última. Mas tomara que seja! Eis uma experiência que não faço questão de repetir.

 

Leia também:

 

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

3 comentários em “E a Covid-19 me pegou… Deixe um comentário

  1. Repetindo nosso amigo Ricardo: Força aí, moça!
    Até porque isso também passa, e somos otimistas.

    Curtir

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: