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O que eu vou fazer quando a quarentena acabar

Se a quarentena acabar, significará que a pandemia de coronavírus, pelo menos aqui no Brasil, terá desacelerado e o convívio social não vai mais colocar vidas em risco. Significará alívio. Espero que não à custa de muitas mortes, já que, apesar das irresponsabilidades de Bolsonaro e sua trupe mais ignorante, alguns ministros, congressistas, a maioria dos governadores e prefeitos têm se empenhado para fazer valer as orientações da Organização Mundial da Saúde.

Que nossa pandemia não seja tão duradoura quanto a Segunda Guerra Mundial. Mas tenho certeza de que será tão marcante para nosso século como foram aquelas batalhas para o século 20. Daqui a alguns anos, haverá centenas de livros e filmes para falar da História que estamos vivendo agora.

Enquanto esse dia, sem data para acontecer, não chega, só nos resta sonhar. Sonhar com o que faremos quando a quarentena acabar e o mundo voltar a se aproximar do que um dia já foi. Eis os meus sonhos:

 

Abraçar, abraçar, abraçar, abraçar. Meus pais, meus sobrinhos, minhas irmãs, meus amigos, meus colegas de trabalho. Abraçar. Encostar. Chegar perto, junto.

(Em vez de ver as pessoas recuando a cada vez que chego perto para falar alguma coisa.)

Levar meu filho ao parque. Fazermos um piquenique, só nós três – ou podendo chamar quantas pessoas quisermos!

(Em vez de estender a toalha no chão da sala e chamar de piquenique para alegrar o Luiz.)

Fazer uma festa reunindo todo mundo da família. Encher uma mesa de bar com os amigos para celebrar meu aniversário, a qualquer tempo.

(Em vez de fazer uma videoconferência insossa e ter o pior aniversário da minha vida.)

Ir ao cinema. Ir a um show lotado de alguma banda incrível. Viajar para os cantinhos de Minas que eu amo. Ou para a praia. De avião.

 

Ah, neste ponto do texto não deu para continuar.

Infelizmente, não é possível ser Pollyanna diante do cenário que estamos vivendo, com perspectiva de milhares de mortes no Brasil em pouco tempo.

Pegar um avião e ir à praia ou ir ao cinema me parecem coisas surreais enquanto escrevo um texto no dia em que a Praça da Liberdade teve que ser interditada para frear as pessoas que insistem em passear por lá, colocando as vidas delas e de outros em risco.

E, por outro lado, haverá cinemas diante da crise econômica que esta doença avassaladora está trazendo para todo o planeta?

Um dia, vai passar, vai sim. E a humanidade vai se reerguer, como se reergueu em outras crises. Como se reergueu depois de suas tantas guerras.

Mas é importante ter em mente que o coronavírus é uma guerra sem precedentes na História moderna. Teve a peste negra, que dizimou milhões de pessoas na Europa e Ásia ao longo de seis anos, no século 14. Mas a peste de agora, a Covid-19, já matou mais de 50 mil pessoas, segundo dados desatualizados, e está só no primeiro trimestre.

No último mês, eu tenho respirado coronavírus da hora que acordo à hora que vou dormir. Aliás, até durante o sono, já que passo a noite inteira sonhando com trabalho. Como jornalista, sei da importância do meu trabalho para conscientizar a população sobre o que está acontecendo e sobre a importância de se proteger. Mas é um trabalho ingrato, em tempos em que as pessoas acreditam mais em vídeos apócrifos que chegam pelo WhatsApp e fake news espalhadas pelo presidente do que em trabalhos cuidadosos de apuração jornalística.

Me parece inacreditável que faz só dois meses que minha maior preocupação era qual filme ganharia o Oscar. Para uma coisa esta pandemia está servindo: para mudar nossas preocupações e valores. Que ela ajude o mundo a cultivar menos o ódio e a ignorância, que estavam tão em alta nestes tempos de extrema-direita, de pessoas defendendo abertamente torturas e a volta da ditadura militar, de terraplanistas e movimentos antivacinas.

A Terra é redonda, sim senhor, e que venham logo as vacinas para conter este vírus!

E aí sim, quem sabe, um dia, poderemos todos voltar a abraçar, abraçar, abraçar, abraçar…

 


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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

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