Em 5 anos, Carnaval de BH quintuplica número de foliões

carnavalbh

 

Te convido a dar uma boa olhada neste gráfico aí em cima, feito por mim a partir de dados da Belotur.

Repare que, em 2013, ano do “boom” do Carnaval de Belo Horizonte, a estimativa de público circulante (fluxo de pessoas) girava em meio milhão.

Naquele ano, a estrutura que a prefeitura tinha montado era para um Carnaval com até 150 mil pessoas. Afinal, até então, a capital mineira virava uma cidade-fantasma no feriadão, enquanto cidades como Ouro Preto, Diamantina, Tiradentes, Bom Despacho, Abaeté e outras bombavam de gente.

Carnaval de 2015: A multidão do bloco do Peixoto, no bairro Santa Efigênia. Foto: CMC

Carnaval de 2015: A multidão do bloco do Peixoto, no bairro Santa Efigênia. Foto: CMC

Depois do susto que a PBH notou com o público mais de três vezes maior que o previsto (leia AQUI uma notícia da época), BH passou a atrair mais e mais foliões e teve que repensar radicalmente sua relação com a data. Em 2014, o fluxo de pessoas ainda dobrou. Em 2015, aumentou mais meio milhão. Idem, em 2016. E, neste ano, a estimativa da Belotur já é de que 2,4 milhões de pessoas participem da festa, sendo 500 mil turistas.

Você tem o direito de duvidar desses números, porque a população moradora da cidade, segundo o IBGE, é de 2,5 milhões. Mas uma coisa é fato: nunca se viu Beagá tão lotada assim! E, a cada ano, nosso Carnaval bomba mais.

O que isso significa, na prática? Segundo o Observatório do Turismo de Minas Gerais, significa:

  • Receita turística direta de R$ 54,7 milhões (dado de 2016)
  • Cidade cheia de solteiros (71%), com ensino superior (57%) e em turmas de amigos (63%)
  • 96,2% dispostos a participar da próxima edição (a deste ano, eeeeê!)

Se você é da turma que não gosta de Carnaval, deve se lembrar com algum saudosismo da era pré-2013, quando a cidade ficava tão vazia no feriado que dava para caminhar pelado pela avenida Afonso Pena sem ser notado. Em 2012, os pesquisadores Leandro Martins Vieira e Solano de Souza Braga, da faculdade de Turismo da UFMG, enviaram para a Revista Brasileira de Ecoturismo um artigo em que lamentavam:

“O Carnaval de Belo Horizonte não conseguiu até hoje envolver e sensibilizar a
maior parte da população da cidade. Mesmo com o público nos desfiles sendo cada vez
maior nos últimos anos, nota-se que a maioria permanece alheia às festas.”

O pessoal do bloco do Peixoto descendo a rua...

Carnaval 2015: O pessoal do bloco do Peixoto descendo a rua…

No artigo, eles trazem alguns dados que mostram que a maioria dos brasileiros (57,4%) não gostam de Carnaval e que, durante o feriado, só 15% dos brasileiros entrevistados gostam de pular Carnaval (a maioria, 49%, prefere “descansar em casa” no feriado).

Mas não se iluda: o Carnaval faz parte da cultura nacional de um jeito tão arraigado que é quase inescapável. E, mesmo na ex-pacata Beagá, a história da folia é antiga. Segundo o mesmo artigo de Vieira e Braga, a capital mineira tinha apenas 67 dias de vida quando o primeiro Carnaval aconteceu por aqui. Veja a história:

“A História do Carnaval de Belo Horizonte remonta à criação da nova capital. Com apenas 67 dias da instalação, sob a denominação de Cidade de Minas, começou o carnaval do ano de 1898 nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro. Segundo Barreto (1929), nesses primeiros dias de vida da Capital um bom número de mascarados saiu às ruas, mesmo timidamente, para brincar o Carnaval. Paralelamente, vários bailes particulares aconteceram em residências promovidos pela juventude. Alguns boêmios alugaram um grande salão na Avenida Paraopeba, entre as Ruas da Bahia e Espírito Santo, e realizaram bailes de máscaras durante as três noites ao som polcas, valsas, schottisk, quadrilhas e maxixes até ao amanhecer.
Já no ano de 1904 houve a fundação do Clube Matakins e, através dele, os primeiros desfiles com carros ornamentados e fantasiados denominados O Corso. Esses desciam a Avenida Afonso Pena, a partir da Avenida Carandaí, lentamente até a Praça Sete. “Os blocos fantasiados nos carros trocavam confetes, serpentinas e lança-perfume, um com os outros e com as pessoas que estavam nas calçadas”. (VELOSO, 1995).
Paralelamente, existiam os desfiles de fantasia e bailes infantis de clubes como o Automóvel Clube, Minas Tênis e outros. Também, nessa época, os bares da rua da Bahia, Trianon e Bar do Ponto forneciam uma boa infraestrutura para o carnaval nessa mesma rua. Outro bloco de destaque foram “as gatinhas”, que era composto por moças que vestiam calças compridas, luvas, capuz no rosto com orelhinhas na cabeça, abertura na altura dos olhos e com bigodes de gatos pintados.”

Carnaval 2015: Vista geral do bloco e da multidão na Praça da Liberdade. Foto: CMC

Carnaval 2015 atrai multidão na Praça da Liberdade. Foto: CMC.

Ou seja, pode-se dizer que Belo Horizonte foi fundada com o espírito do Carnaval, que ficou adormecido por algumas décadas, mas agora despertou com todo o vigor. Será moda passageira ou uma festa que veio para ficar de vez no nosso calendário municipal, como aconteceu com o Rio de Janeiro? Só o tempo dirá.

Enquanto isso, os que são de Carnaval, que curtam bastante, e os que preferem “ficar em casa descansando”, que descansem! Se conseguirem 😉

 

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