Já contei aqui das marchinhas politizadas do Carnaval de Beagá. São sempre as vencedoras no concurso de marchinhas, que acontece todos os anos, desde 2012. Neste ano, como não podia deixar de ser, a grande vencedora foi o Baile do Pó Royal, que apresentei aqui no blog antes de todos os veículos, no dia 15 de janeiro, logo que ela foi publicada no YouTube.
Leio agora na “Folha de S.Paulo” deste domingo que as marchinhas do Rio também estão muito politizadas, mas de um jeito diferente. O pessoal fez paródias com aquelas canções carnavalescas mais clássicas de todas, como “Mamãe eu quero”, “Turma do Funil” e “Me Dá um Dinheiro Aí”, colocando o clima de protesto em todas as letras. Há críticas de sobra contra políticos como Eduardo Paes e Sérgio Cabral, contra a Copa e, principalmente, contra a Polícia Militar e sua truculência, que persegue até jornalistas no exercício da profissão, como aconteceu ontem com o colega Reynaldo Turollo Jr.
Vejam algumas letras:
(Me dá dinheiro aí)
Ei! Você aí!
Me dá um vinagre aí, me dá um vinagre aí!

(Maria sapatão)
Lá vem o batalhão, batalhão, batalhão
De dia é UPP, de noite é caveirão

(Cachaça não é água)
Se você pensa que a Copa é nossa
A Copa não é nossa não
A Copa é das empreiteiras
Não sobra nada pro povão

(Máscara negra)
Quanto tiro, oh, quanta polícia!
A tropa de choque em ação
Ditador de helicóptero e, no meio da cidade,
um monte de caveirão…

(Mamãe eu quero)
Tarifa zero, tarifa zero
O imposto é que vai pagar
Pula a roleta, pula a roleta
Pula a roleta que eu também vou pular!

(Remador)
Se o governo não mudar
Olê-olê-olá
Eu vou ocupar
(Alah-lá-ô)
Alá-lá-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
O professor ô-ô-ô-ô-ô-ô
Sai pelas ruas e a cidade toda para
Prefeito ignora, a polícia dá na cara
Sugiro que todos nós comecemos a treinar bastante, pra cantar tudo isso, em alto e bom som, durante o Carnaval. Quem disse mesmo que o Carnaval é uma festa alienante? ;)
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