10 textos para refletirmos sobre o respeito a TODA FORMA de amor

paradagay2011

Abraço coletivo, de pura felicidade, que cliquei ao final da Parada Gay de 2011, em São Paulo, na avenida Paulista. Foto: CMC

Desde sexta-feira, as redes sociais, notoriamente o Facebook, foram coloridas pelo arco-íris que é reconhecido mundialmente como o símbolo do ativismo LGBT. Além de milhares/ões de pessoas físicas que trocaram suas fotinhos pelo avatar mais alegre (com uma mãozinha do Facebook), várias empresas também aderiram à comemoração. Os veículos de comunicação, por exemplo: no Brasil, vi páginas de jornais e portais importantes, como o jornal O Tempo (onde trabalho), iG, Terra, Revista FórumBrasil Post, Correio Braziliense, o Blog do Noblat, e vários outros, alterando até logotipos muito tradicionais para participar da festa. A página da Folha de S.Paulo colocou pelo menos uma foto na capa. Veículos de fora também entraram na onda, como o Guardian e o Huffington Post (de todas as sucursais), além de times de futebol e baseball. Isso para não falar dos artistas e famosos em geral. #LoveWins foi a hashtag mais citada no Twitter do mundo todo, e olha que verifiquei em vários países.

Bom, se você estava de férias em Marte e ficou boiando com tanta celebração do amor universal (porque não se trata aqui de celebrar só o amor gay, mas celebrar que todas as pessoas, sejam quais forem suas sexualidades, possam se casar e constituir uma família, legalmente — e ser felizes para sempre, como nos contos de fadas!), pode clicar AQUI e ver uma breve explicação que escrevi.

No Brasil, a união estável entre gays foi reconhecida pelo STF em maio de 2011 (veja o post da época), mas o casamento civil entre homossexuais ainda não foi analisado por nossa suprema corte, como aconteceu na sexta-feira nos Estados Unidos. A diferença jurídica entre as duas formas de união é pequena, mas existe. De qualquer forma, em 2013, uma simples resolução do Conselho Nacional de Justiça, então presidido por Joaquim Barbosa, já obrigou todos os cartórios do país a registrar casamentos de quem quiser, independente da sexualidade dos pombinhos. Foi um passo gigante (e tão simples!), mas que ainda pode ser contestado no STF (veja o post que escrevi na época).

Até hoje, (apenas) 22 países já reconheceram o casamento gay em todo o território, segundo este levantamento do G1. São muito poucos países, mas todos eles de muita importância, política e econômica, no mundo. Concentrados principalmente nas Américas e Europa (enquanto, em alguns outros recantos do planeta, gays ainda são presos — é considerado crime gostar de alguém do mesmo sexo — e até mesmo condenados à morte pelo Estado!).

Daí porque a decisão da maior potência do planeta (lembrando que, até sexta-feira, 36 dos 50 Estados norte-americanos já permitiam o casamento gay) é tão significativa na conta e pesa tão favoravelmente nesta luta lenta e moderna dos direitos humanos. Além disso, é importante que aconteça numa época de recrudescimento da intolerância religiosa em todo o mundo (vide atentados terroristas do Estado Islâmico naquela mesma sexta-feira).

Para fechar este post, que teve mais um objetivo de registro histórico, vou fazer uma compilação aos moldes da que já fiz duas vezes antes do blog, quando destaquei “13 textos para refletirmos sobre o que é ser MULHER ainda hoje” e “10 textos para refletirmos sobre a importância de respeitar a OPINIÃO dos outros“. Seguem abaixo 10 textos para refletirmos sobre o respeito a toda forma de AMOR:

  1. Pelos “valores da família”, em que mostro que não existem valores universais de uma família ideal, mas valores relativos de cada família, e que o respeito e a tolerância deveriam ser os principais.
  2. O dia de todas as famílias, em que mostro as dezenas de formas familiares que existem hoje, inclusive computadas pelo Censo.
  3. A era da homofobia e do machismo incontestados, em que relato uma cena corriqueira de preconceito vivida por um casal homossexual e presenciada por mim.
  4. Um pequeno anjo chamado Alex, em que conto a história (mais triste do mundo) do menininho de 8 anos que foi espancado até a morte pelo pai que o achava “muito afeminado”, por gostar de lavar vasilhas e ajudar a mãe nas tarefas domésticas.
  5. Stephen Fry versus Jair Bolsonaro, em que compartilho um documentário da BBC mostrando casos de homofobia no Brasil e suas consequências terríveis.
  6. O escarcéu com a bagagem do papa, em que o querido Francisco diz: “Se a pessoa é gay, quem sou eu pra julgá-la?”, dando uma bela resposta, vinda de quem vem, para os fanáticos religiosos e patrulheiros de plantão.
  7. Um beijaço diferente, em que uma leitora evangélica escreve que o pastor Feliciano não a representa e explica por quê.
  8. Somos todos complexos demais, em que falo do skinhead que encontrei em plena Parada Gay de São Paulo, em 2011.
  9. Revolução de costumes, em que falo sobre a decisão do STF de reconhecer a união estável de homossexuais, em 2011, e relembro batalhas anteriores, como o direito ao divórcio.
  10. Agora os gays podem se casar no Brasil, em que falo da decisão histórica do CNJ, de 2013.
paradagay2012

O arco-íris no Conjunto Nacional, na avenida Paulista, durante a Parada Gay de 2012. Foto: CMC

P.S. Pra fechar meeeesmo, um breve puxão de orelha: no Brasil de hoje, tudo está virando briga, intolerância e ódio, até mesmo as campanhas mais bonitinhas, como esta de colorir foto de Facebook. Por incrível que pareça, vi gente brigando com amigos porque eles não quiseram colorir a foto (a propósito, apesar de ter achado a movimentação dos outros bem bonita, eu não colori a minha foto, assim como não me fotografei com a placa de “eu não mereço ser estuprada” e nem mudei meu nome para guarani caiová em outras ocasiões. Nem por isso sou menos preocupada com a questão da homofobia e todas as outras sobre as quais sempre escrevi). Me lembrou a vez em que vi amigos super inteligentes e sensatos se rebaixando ao nível sem noção de Marcos Feliciano e me obrigando a escrever no meu blog um post em “defesa” (entre aspas, porque relativa) do pastor. Cuidado para não nos tornarmos bárbaros até com quem é nosso amigo apenas por termos um ponto de vista ou uma atitude diferentes! Vale até reler o primeiro post entre os relacionados abaixo 😉

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