Perfeito, mas não pode levar 10

Não deixe de assistir: WHIPLASH: EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
Nota 9

whiplash

Enquanto eu assistia a Whiplash, ia me lembrando imediatamente de “Cisne Negro“. Da mesma forma que o jovem Andrew, Nina também almejava a perfeição. De um lado, o jazz, de outro, o balé. De um lado, dedos sangrando de tanto praticar na bateria. De outro, pés sangrando de tanto rodopiarem. Nos dois casos, o resultado é de uma beleza incrível. Nos dois filmes, rola a competição ferrenha entre os colegas-artistas e a tirania dos regentes. E uma tensão e uma angústia a cada nova prova de obsessão.

Em ambos os longas, o resultado final é perfeito, para nós, espectadores.

A diferença é que gosto mais de jazz que de balé. Então passei o filme todo de boca aberta, mais escutando que assistindo. Dispensável dizer que a trilha sonora é toda fantástica. Mas vale anunciar que a câmera do jovem diretor Damien Chazelle também chama a atenção, e é jazzística por si só, alternando as imagens de acordo com a música do momento. Ele também adora cenas em close, valorizando os detalhes das coisas. Vemos as gotas de suor pingando nos pratos da bateria, o band-aid saindo na mão do baterista, deixando o sangue escorrer, a boca do trompetista soltando o primeiro sopro etc. É uma nova perspectiva de uma orquestra de jazz.

Mas a marca registrada do filme são seus personagens. O roteiro se fixa em apenas dois: Andrew, o aluno que quer se tornar um grande deus do jazz e está disposto a tudo por isso, e Fletcher, o professor-regente, que exige de seus alunos como um comandante de um batalhão em guerra. Ambos são personagens com muita personalidade e interpretados por dois excelentes atores: Miles Teller (que realmente toca bateria ao longo de todo o filme) e o veterano J.K. Simmons, que já levou o prêmio do Globo de Ouro e do Bafta e com certeza vai ser o melhor ator coadjuvante no Oscar também.

Esses personagens nos fazem questionar a todo momento se vale a pena nos sacrificarmos tanto para atingir um objetivo tão difícil, que é o de sermos “perfeitos” naquilo que fazemos. Até que ponto vale a pena seguir o caminho que Andrew resolve seguir? Ou será que não era melhor ele ter seguido aquele outro rumo, que acabou escolhendo por um tempo? Mesmo o final do filme, como vocês verão, abrirá margem para este debate.

Enfim, Whiplash é um filme perfeito, seja na edição, na direção, na fotografia, nas atuações, na trilha ou no roteiro. Só não vai levar um 10 porque aprendi com Fletcher que não dá pra sair falando “Good Job!” com todo mundo e um 10 é só para Charlie Parker pra cima 😀

Veja o trailer:

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6 comentários sobre “Perfeito, mas não pode levar 10

  1. Acho que a melhor vingança seria ele se tornar um baita baterista de rock e montar uma banda de cover do Deep Purple (os solos dele me lembram muito os do Ian Paice), só pra sambar na cara do imbecil. Mas o moleque tem sangue de barata, então se merecem.

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