A saga do Galo na Copa do Brasil, em 13 estrofes

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1

Paredão após paredão
— Palmeiras, Corinthians, Flamengo –,
Fomos derrubando, tabu ou não
Sem dancinha, freguês ou arenga

2

Nada podia segurar o Galo
Fora de casa, eles com os 100 anos,
E já o Luan cabeceava o regalo
Só não fez mais porque não precisamos

3

Na volta, Independência lotado,
Jemerson e Luan nos põem nas quartas
Dois gols em 4 minutos, coitados!
Surge o artilheiro do mata-mata

4

Curíntia abre o placar com 2 em casa
Mano Menezes faz dancinha, bem patético
Imprensa paulista dá fatura liquidada
Parece mesmo que não conhecem meu Atlético

5

A volta é em casa, Mineirão, salão de festas
E foi heroica, foi histórica, foi épica
Com 4 gols seguimos à semifinal
Mas, naquela aula, 8 gols seriam o normal

(Fez dancinha? Então tchau!)

6

Flamengo no Maracanã — outro tabu
Vem freguesada!, solta jornal fluminense
Dois a zero fazem mesmo os urubus
Mas a manchete ainda estava bem nonsense

7

Lá vem a virada, suada, emocionada
Com direito a placar sendo aberto por rival
Mas a massa gosta é de ser maravilhada
E viu 4 gols repetindo um ritual

Desta vez não foi “eu acredito”,
Foi “tenho certeza”, pessoal!

(Fez manchete errada? Então tchau!)

8

Na final, contra o Cruzeiro, em nosso Horto
Podia ser mais, mas ficou 2, saiu de graça
Se o rival não saiu morto foi por pouco
E nosso Galo já tocou a mão na taça.

9

Na volta, no Mineirão dos 4 gols
Primeiro tempo só deu mesmo o Galão
E primeiro gol foi aos 47 minutos
Foi o Tardelli entrando em plena combustão

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10

Segundo tempo e só deu o Galo de novo
Até com Dátolo batendo em travessão
E o Cruzeiro não marcou nem um golzim
Galo levou a taça com toda razão!

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11

Equipe inteira foi brilhante
São Victor e os outros campeões
Mas destaco os três novos gigantes:
Jemerson, Dátolo e São Luan
E Levir, claro, que fez história
Renovando sua massa de fãs.

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12

O novo hino, “eu sei que você treme”,
Passou a ser o mais ouvido em Beagá
E os cruzeirenses, temendo virar meme,
Começaram, então, a desdenhar.

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13

Mas “eu vi o gol do Vanderlei
E o Fábio de costas a chorar”
Não esqueça o velho ditado, também:
No fundo, quem desdenha, quer comprar.

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***

Escrito por Cristina Moreno de Castro em 26.11.14 (26 = 13 dobrado, e 13 é Galo)
Pode compartilhar à vontade, mas com link pra fonte, plis 😉


 

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O dia em que quase fui atropelada (e as 6 lições que aprendi)

chupchup

 

Tudo era diferente quando eu era criança.

O transporte escolar não era uma van moderna, com poltronas confortáveis, cinto de segurança e até cadeirinha, no caso de crianças muito pequenas. Era um ônibus grande, do tamanho dos coletivos, com bancos duros e sem cinto, onde as crianças ficavam pulando e correndo e brincando mesmo com o veículo em movimento. O motorista, conhecido como Marreco (não sei se era sobrenome ou apelido), tinha os cabelos cacheados longos e costumava dirigir sem camisa. Sua mulher, acho que Rosângela, vendia chup-chup “sabor vermelho”, que devorávamos diariamente, sem nos preocuparmos com o fato de ficarem soltos num isopor encardido, cheio de gelo derretendo numa aguinha escura. E éramos felizes assim.

A única coisa de que eu não gostava nesse escolar era que ele sempre atrasava. Eu tinha lá meus 6 ou 7 anos de idade e ficava aflita com a perspectiva de perder o começo da aula. Já era uma criança responsável e já não gostava de me atrasar, desde aquela época. Todos os dias, eu ficava lá numa esquina a um quarteirão de casa, para ajudar o Marreco e poupar o tempo dele com voltas desnecessárias, e ele sempre atrasava alguns minutos.

Num desses dias, ele atrasou mais do que o normal. Eu já estava angustiada, porque a aula começaria em instantes, e nada de o Marreco virar a esquina. Quando finalmente vi o ônibus aparecer, saí correndo em direção a ele, atravessando a rua sem olhar se vinha carro. E vinha. O carro (seria demais lembrar de que marca, modelo ou cor) parou a centímetros de mim, numa freada brusca e barulhenta, dessas que fazem as janelas dos prédios próximos se abrirem, com curiosos.

O motorista, lá pelos seus 50 anos, saiu do possante aos berros, xingando a mim ou ao adulto que devia estar me acompanhando à espera do escolar, já não me lembro quem. “BLABLABLABLABLABLA…!” Não capturei nem uma palavra do que o homem disse, tamanho meu estado de choque. Eu estava paralisada. Na verdade, só consegui apreender um dos gritos: “Deus!” Teria dito que só não morri por forças divinas? Ou que graças a deus que o freio do carro funcionou direitinho? Ou que deus tenha misericórdia de minha pressa e afobação? Só sei que ele estava bravíssimo: comigo, com meu acompanhante ou com o Marreco descamisado, não sei ao certo.

Entrei no ônibus aos prantos e passei toda a viagem para a escola chorando, sendo adulada pelos amiguinhos. Acho até que ganhei um chup-chup de graça, como consolo.

Com esse meu trauma de infância, de que recordo quase nitidamente mais de 20 anos depois, aprendi seis lições: que, quando sobrevivemos, temos que ouvir um sermão para compensar; que crianças têm grande temor a/de deus; que o transporte escolar não era tão seguro assim; que a pressa não vale a pena; que um chup-chup e um monte de amigos falando palavras doces são ótimos para acalmar um susto; e, sobretudo, que, mesmo quando estamos errados, o pedestre é sempre a vítima.

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