Mazico (1940-2014): grande repórter fotográfico

Waldemar Sabino, o Mazico, em uma de suas coberturas pelo JB

Waldemar Sabino, o Mazico, em uma de suas coberturas pelo JB

Texto escrito por José de Souza Castro:

Waldemar Sabino de Castro Filho, o Mazico, foi o melhor fotógrafo com quem trabalhei, em mais de 40 anos de profissão. Não era o de melhor técnica, mas o mais arrojado. Não por acaso, pilotava um velho teco-teco, que comprou no ferro-velho, recuperou trabalhando em suas horas de folga no quintal de casa, em Vespasiano. Neste avião, ia e voltava de sua pequena fazenda no Serro, onde plantou café e colheu prejuízos lá pela década de 1980.

Quando entrei como estagiário na sucursal do Jornal do Brasil em Belo Horizonte, em junho de 1972, Mazico era o fotógrafo. Quando saí, em janeiro de 1989, ele continuava lá, e ali permaneceu até mesmo depois do primeiro fechamento da sucursal, em 1993. Ele chegou a ser demitido, mas o jornal teve que readmiti-lo, pois era diretor do Sindicato dos Jornalistas e tinha imunidade. Foi trabalhar com a correspondente do JB, Roselena Nicolau, numa sala alugada, na rua Guajajaras, perto do Mercado Central e do escritório de Acílio Lara Resende, que por mais de 20 anos foi chefe dele na sucursal.

Quando a sucursal foi reaberta, em 1996, Mazico era seu fotógrafo. Só saiu do JB quando se aposentou, após o novo fechamento da sucursal, em 2002. Ele iniciou a carreira de repórter fotográfico em 1966, como frila, e dois anos depois teve sua carteira assinada pelo jornal.

Por muitas vezes, ouvi do editor de fotografia do JB elogios a Mazico. Não me surpreendi quando, entre todos os bons fotógrafos do jornal, ele foi escolhido para cobrir a Guerra das Malvinas, em abril de 1982. Ficou entusiasmadíssimo. E eu muito preocupado, por conhecê-lo bem. E fui entrevistá-lo. Ele estranhou minhas perguntas pessoais e quis saber o motivo. “Vou preparar seu necrológio”, disse, “para o caso de você morrer nessa missão”.

Na guerra morreram mais de 650 soldados argentinos e 250 britânicos. Mazico não conseguiu, em Buenos Aires, permissão para embarcar. Mas publicou muitas fotos. De tropas em treinamento ou embarcando para a guerra e, principalmente, do povo argentino em tempos difíceis.

Em Minas, foram muitos os tempos difíceis, nesses anos todos. Não me esqueço, por exemplo, das enchentes de 1979 e 1980. Mazico, o ex-cabo, tinha boas relações na Aeronáutica, da qual era um saudosista. Ele saía de casa bem cedo, em Vespasiano, e seguia direto em seu próprio carro para a Base Aérea da Pampulha, onde pegava carona num dos aviões da FAB que levavam alimentos e remédios para vítimas das enchentes. E sempre voltava com boas fotos aéreas exclusivas. Enquanto durou o drama das inundações, nossa equipe produziu textos e fotos para preencher, pelo menos, uma página do jornal, diariamente.

Havia também bons tempos, como quando a seleção brasileira treinava na Toca da Raposa, na Pampulha. Mazico cobria os treinamentos e às vezes viajava para fotografar jogos. Numa dessas viagens, o técnico Telê Santana dormiu numa poltrona do aeroporto do Galeão, enquanto esperava o próximo voo da seleção. Mazico fotografou-o de boca aberta, e a foto foi publicada pelo JB. O técnico não escondeu sua irritação. De outra vez, quem ficou irritado com nosso valente fotógrafo foi o editor de fotografia, no Rio. Ele não sabia o que fazer com uma foto de Pelé em nu frontal no vestiário do Mineirão, enviada, por telefoto, pelo Mazico, com a legenda “o rei está nu”.

De outra vez, quando o governador Newton Cardoso foi visitar a Penitenciária de Segurança Máxima de Contagem, na etapa final da construção, Mazico fotografou-o atrás das grades. Segurando-as, como se estivesse preso. Publicada com grande destaque pelo JB, a foto serviu de inspiração para a charge de Millôr Fernandes, no dia seguinte. Naquele tempo, o humorista tinha espaço na página de opinião do JB e Newton gozava de péssima fama. Mazico não sabia redigir uma reportagem, mas suas fotos valiam por mil palavras. Seu corpo será sepultado neste sábado em Sete Lagoas, mas o espírito irrequieto do grande fotógrafo não será esquecido pelos que o conheceram.

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Novo fuso horário

fusohorario

O corpo e, mais especificamente, o cérebro da gente sempre me surpreende.

Imaginem vocês que, até poucos dias atrás, minha rotina era a seguinte: ia dormir entre 1h e 2h da madrugada, acordava entre 9h e 10h da manhã, tinha os momentos de lazer, de dona de casa e de blogueira até umas 15h, e trabalhava a partir das 16h, chegando em casa no começo da madrugada. Uma hora de trânsito para o trabalho na ida, 20 minutos na volta.

Subitamente, meu dia se inverteu: tenho que acordar às 5h30, trabalhar a partir das 7h, tenho o momento lazer/dona de casa/blogueira na metade da tarde e começo da noite e me esforço pra estar dormindo no máximo às 23h30. 25 minutos de trânsito para o trabalho na ida, 55 na volta.

Resultado da conta: os dias estão mais compridos, as horas de sono estão mais curtas — e o trânsito continua igualmente ruim.

Pensei que eu teria grande dificuldade em mudar tão radicalmente meu uso horário. Mas aí é que entra a surpresa com a capacidade de adaptação do corpo! Não estou tendo problema algum em acordar tão cedo e trabalho ligadona na parte da manhã, mesmo nas noites em que acabei dormindo só 4 horinhas.

Por outro lado, o restante do dia ainda não criou rotina — e rotina é bom pra ajudar nessa adaptação.

Teve dias em que cheguei em casa e me mantive acordada, fiz feira, lavei roupas, lavei vasilhas, nadei, corri, deixei cinco posts do blog agendados para entrar às 8h em ponto nos dias seguintes. Noutros, fiquei numa preguiça modorrenta, pingando de sono ao volante no trajeto de volta, e dormi pesado de 18h às 20h, depois tendo dificuldade em ir pra cama às 23h30. Nesses dias, o cansaço é enorme, o corpo fica mole e foi por que, dia desses, não consegui nem postar.

Como explicar? Essa forma diferente de lidar com a rotina também me surpreende: cérebro, meu caro, decida-se!

Só sei que, enquanto meu corpo não se adapta de vez, me fio no meu otimismo, que já encontrou mais pontos positivos que negativos no novo horário, e naquele ditado dos tempos da minha tataravó:

acordarcedo

 

Você já passou por isso? Como fez para se adaptar? Foi fácil? Conta pra mim! 😀

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