E o movimento “Eu Não Mereço Ser Estuprada”?

Há exatamente duas semanas, o Ipea divulgava sua pesquisa que dizia que 65% da população achava que o jeito que as mulheres se vestem justifica um estupro. No mesmo dia, a jornalista Nana Queiroz criou o movimento espontâneo, via redes sociais, que ficou conhecido como “Eu Não Mereço Ser Estuprada”.

Há exatamente uma semana, este blog conversou com Nana Queiroz e ela contou o que estava fazendo por essa campanha e como sua vida tinha mudado de pernas para o ar.

Um dia depois, o Ipea divulgou que, na verdade, não eram 65% os que achavam que a culpa por um estupro é da vítima, mas 26%. Um erro grotesco, que levantou vários questionamentos sobre a credibilidade do instituto e teses de que não houve erro, mas alguma tentativa de manipulação de dados etc. O fato é que, se um quarto da população segue pensando que as mulheres são corresponsáveis pelos estupros que sofrem, a coisa continua feia na nossa sociedade.

E agora, passada mais uma semana, pouco temos ouvido falar dos rumos do movimento. O suposto erro do Ipea contribuiu para enfraquecer um debate saudável, que, acho eu, estava rendendo bons frutos (talvez estivesse até ajudando a revolver a consciência dos homens e mulheres machistas que podem ser nossos vizinhos ou o colega que divide o elevador com a gente).

Curiosa, fui procurar saber em que pé o movimento está. E li que Nana Queiroz fez um “balanço”, na página oficial da campanha, há duas horas. Vejam que boas iniciativas estão surgindo a partir do debate que ela ajudou a fortalecer:

  • “conseguimos apoio do deputado Jean Willys e da bancada do PT pra defender inclusão de temas de gênero no Plano Nacional de Educação
  • conseguimos o comprometimento da ministra da secretaria da mulher em fazer uma campanha anti-assédio sexual antes mesmo da Copa
  • conseguimos representação entre movimentos jovens para encontro com a presidente que ocorrerá hj
  • estamos traçando um plano com especialistas voluntários para prevenir estupro intrafamiliar nas escolas e no SUS. A secretaria nacional da juventude concordou em nos encontrar para um papo sobre o plano
  • conseguimos uma maravilhosa campanha publicitária junto a marcas de roupas femininas contra a culpabilidade da vítima no estupro. Melhor: não gastamos um real para isso.
  • finalmente, como vocês podem ajudar? Assinem a petição do PNE e divulguem aos amigos!!!!!!”

Além disso, há dois dias ela postou que o Instituto Maria da Penha lançou um adesivo para lojas que vendem roupas femininas colocarem em suas vitrines. Vejam que bacana:

adesivo

Nana Queiroz está de parabéns: soube aproveitar a súbita “fama” que ganhou para fazer crescer uma mobilização nacional das ideias em que acredita. Em pouquíssimo tempo, duas semanas, conseguiu transformar essa mobilização em atos políticos e projetos de lei que podem render frutos permanentes na sociedade. Quantos de nós já conseguimos fazer o mesmo?

Leia também:

Anúncios

Um comentário sobre “E o movimento “Eu Não Mereço Ser Estuprada”?

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s