BH em pé de guerra pelos 20 centavos

Foto: Cristiano Trad / O Tempo

Foto: Cristiano Trad / O Tempo

Beagá está em pé de guerra por causa do aumento de 20 centavos na passagem de ônibus. E porque:

  1. esse aumento foi calculado com base em uma consultoria contestada por movimentos da sociedade civil e pelo Ministério Público;
  2. a Justiça concordou com o MP e suspendeu a cobrança até que uma perícia fosse feita no estudo, mas, mesmo assim, as empresas de ônibus peitaram a decisão por mais de um dia (embolsando, indevida e impunemente, 20 centavos x todos os passageiros transportados), enquanto o prefeito veio a público dizer que o reajuste é “justo“;
  3. os ônibus continuam péssimos e os do Move viraram moeda de troca para os consórcios barganharem lucros maiores — enquanto o trânsito segue insolúvel;
  4. foi por causa de aumentos de ônibus que os protestos começaram a acontecer em junho do ano passado (ganhando força com os ingredientes repressão policial + cobertura intensa da mídia e transmissão forte via redes sociais + presença da Fifa para a Copa das Confederações, que são um ensaio para a contestada Copa do Mundo no país) e estamos a menos de 100 dias da Copa, quando os movimentos voltarão a se organizar cada vez mais para protestar de novo e de novo, em nome de seus interesses vários.

Enfim, por enquanto há trégua. Mas, daqui a 30 dias, novos protestos devem acontecer. E, a esta altura, estaremos a um mês da Copa. E os movimentos estarão mais organizados. Fico me perguntando como estão as reuniões de gerenciamento de crise na prefeitura e no Estado, para conter eventuais fervuras na sociedade? Ou apostam alto que nada na dimensão do que aconteceu em 2013 irá se repetir e, por isso, dão de ombros e insistem no aumento das passagens de ônibus? (OBS.: Em Minas nós falamos “passagem”, não “tarifa”. Não sei de onde tiraram o nome do movimento Tarifa Zero, mas deve ter sido de outro lugar).

Eu, pessoalmente, não acredito que teremos protestos daquele tamanho de novo. E acredito que, em 30 dias, ou pouco mais, as passagens de ônibus de BH estarão devidamente mais caras, em 20 centavos ou pouco menos, ou até pouco mais.

E também acredito que, passados 30 anos, ou pouco mais, ou pouco menos, nossos ônibus seguirão com prioridade zero e com todos os defeitos, falhas e problemas que possuem hoje, mas embebidos em um trânsito muito mais caótico.

Quem viver, verá.

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