Os políticos que responderem, bem ou mal, vão se dar bem

Político

Como eu disse nos últimos posts, tenho mantido sempre atualizado o levantamento com as respostas que os três poderes vêm dando às manifestações das ruas.

Pelas minhas contas, já passaram de 30.

Todos se mexeram: Congresso, Dilma, prefeituras (mais de 60) e Estados como Bahia, Paraná, Goiás, Minas e São Paulo.

Um dos que mais anunciaram respostas foi Geraldo Alckmin, o governador tucano paulista. Entre elas, aumentou o bolsa-aluguel de famílias desabrigadas, reduziu a passagem do metrô, suspendeu o aumento do pedágio nas rodovias paulistas e, “para não ver os cortes impactando nos investimentos”, segundo disse, fez o que outros deveriam também fazer: enxugou a máquina do seu governo, fechando ou fundindo secretarias, fundações e autarquias e cortando gastos com veículos e combustíveis.

Pode-se chamar essas medidas tanto de populistas (seriam realmente boas, ou apenas atenderiam ao clamor das ruas, prejudicando, no fundo, o paulista em geral?) quanto de oportunistas. Mas são medidas concretas, que funcionam como respostas. Ele capitalizou os protestos a seu favor, do ponto de vista político.

Enquanto isso, o também tucano Aécio Neves só veio a público para criticar as respostas dadas pelo governo federal petista, sem apresentar nenhuma sugestão do que realmente deveria ser feito, sem mostrar respostas alternativas. Seu afilhado político, o governador Antonio Anastasia, também pouco fez em Minas e sua polícia agiu de forma despreparadíssima (inclusive pela omissão) na última quarta-feira. O amigão de Aécio, o governador fluminense Sérgio Cabral, tampouco nada apresentou por aquelas bandas.

Lembrando que todos os políticos, de todos os partidos, estão perdendo popularidade desde o início das manifestações, segundo pesquisas de opinião divulgadas.

O que quero dizer com isso: aqueles que responderem a contento, e rapidamente, de preferência mostrarem boa vontade com os demais partidos, que são todos alvos dos protestos, vão ganhar pontos para as eleições de 2014. Os que só surgirem para bater nos que tentam fazer algo, bom ou ruim, mas concreto, vão se afundar ainda mais na lama de insatisfações populares.

Quem viver até 2014 verá.

***

Sobre isso, meu pai escreveu o ótimo editorial abaixo, que saiu publicado na edição de hoje do jornal “Hoje em Dia“:

“O governador Geraldo Alckmin, do PSDB, anunciou na sexta-feira a redução dos gastos públicos, para continuar investindo. Vai vender um helicóptero do governo paulista que é usado por ele, para economizar R$ 4,5 milhões por ano. Outros R$ 6,5 milhões deixarão de ser gastos com o aluguel de 436 carros para uso de funcionários. Além disso, serão vendidos 1.044 veículos do governo, o que deve gerar receita de R$ 3,1 milhões, e estabelecidas metas de economia de água, luz, combustível, passagens aéreas e diárias de hotel.
Esse plano, que inclui a não contratação de 2.036 servidores em cargos comissionados para preencher vagas existentes nos diversos órgãos do governo, tem como objetivo garantir a execução das medidas tomadas ao longo das manifestações, como a revogação dos reajustes das tarifas do metrô e dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Para seus deslocamentos, o governador do Estado mais rico do país – e um dos oito governados pelo PSDB, maior partido de oposição ao governo Dilma Rousseff – vai usar um helicóptero Águia, da Polícia Militar, que já estava à disposição do Palácio dos Bandeirantes. Coerente com o discurso de seu partido de crítica ao número excessivo de ministérios, Alckmin anunciou a reestruturação administrativa, com a extinção da Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano, criada há apenas dois anos e meio. Suas funções ficarão a cargo da Casa Civil. Vai juntar três autarquias do Estado numa. Outra será extinta, bem como a Companhia Paulista de Eventos e Turismo. Com essa reestruturação, o governador espera economizar R$ 355 milhões nos próximos 18 meses.
Desse modo, o governo paulista vai melhorar a eficiência do gasto público e compensar a redução das tarifas, sem necessidade de reduzir os investimentos do Estado em trens e metrô. Na semana anterior, Alckmin havia previsto cortes nos investimentos por causa da redução das tarifas, mas acabou descobrindo que era possível fazer diferente. Até planeja novos investimentos. Conta com os recursos para mobilidade urbana que foram prometidos por Dilma, durante a reunião com governadores e prefeitos das capitais. Ele quer gastar R$380 milhões para a construção de 24,5 km de vias férreas; R$1,2 bilhão para a ampliação e modernização de 30 estações da CPTM na Grande São Paulo; e R$ 2 bilhões na ampliação da Linha 5-Lilás, do Metrô.
Os mineiros estão à espera dos planos do governador Antonio Anastasia.”

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