Conrado Corsalette (1978-2026): jornalista e colega generoso, humano e gentil

A última vez em que vi o Conrado, na minha festa de despedida de São Paulo, em setembro de 2012. Foto: arquivo pessoal
A última vez em que vi o Conrado, na minha "festa" de despedida de São Paulo, em setembro de 2012. Foto: arquivo pessoal

Resolvi interromper as “férias” do blog por um motivo muito-muito triste. Hoje, pouco antes das 13h, fiquei sabendo que o jornalista Conrado Corsalette morreu, com apenas 47 anos.

Tive a sorte e o privilégio de trabalhar com o Conrado quando fui repórter da “Folha de S.Paulo” e ele era o editor-adjunto de Cotidiano, editoria em que eu trabalhava.

A última vez em que conversei presencialmente com ele deve ter sido nesta aí da foto, no dia em que fiz minha despedida de São Paulo, e ele foi lá para a pizzaria onde estava acontecendo o “bota-fora”. Ou seja, em 30 de setembro de 2012.

Desde que voltei a morar em BH, ainda mantive contato com muita gente da época da Folha. Tem uma turminha que é amiga do peito, de cruzar o país para ir a aniversários etc, mas a maioria eu converso por meio das redes sociais. Só que o Conrado nunca foi muito presente nas redes sociais, então acabei perdendo totalmente o contato com ele.

Para continuar a acompanhar seu excelente trabalho como jornalista, assinei por muito tempo a newsletter do Nexo, portal que ele ajudou a fundar, em 2015. Conversa mesmo, não me lembro de ter tido mais nenhuma, nesses anos todos, infelizmente.

Mas guardo na memória as várias conversas que tivemos naquele período de Redação. Guardo o sujeito alegre, alto astral, criativo, inteligente, cheio de ideias, bom colega, bom chefe, sempre com este sorriso completo que aparece aí na foto (o sorriso que chega até os olhinhos espremidos).

Guardo também vários ensinamentos e incentivos que ele me deu, que me marcaram muitíssimo. Às vezes as pessoas nem imaginam como o que elas dizem aos outros podem marcar, né? Para o bem e para o mal. As palavras do Conrado me marcaram para o bem.

Naquela época, eu me comunicava muito com as pessoas por email. Na verdade, todo mundo trocava emails freneticamente, porque não existia zap ainda (sim, estou mesmo ficando velha). E meu email pessoal ainda é o mesmo, então dei uma pesquisada aqui e encontrei várias mensagens que citam o trabalho cuidadoso do Conrado como editor, ou a vez em que fiquei ofendidíssima por ter recebido uma avaliação “regular” na Folha e ele me tranquilizou, ou a vez em que elogiou meus textos e disse que eu “ia longe” porque tenho muita sensibilidade como repórter. Como eu já disse, era sempre generoso, pronto pra ajudar, pessoa de bom coração.

Também encontrei emails comemorando que ele ficaria com a vaga de editor-adjunto de Cotidiano, em março de 2011, e feliz por ele quando aceitou o cargo de editor de Política do Estadão, em maio de 2012, poucos meses antes de eu também pedir demissão da Folha.

O que deixa a gente mais triste é que ele se foi muito cedo, e a gente sempre espera que as pessoas boas fiquem mais tempo por aqui, espalhando suas boas ideias e deixando boas marcas nas pessoas com quem convivem.

Desejo meus sentimentos e ofereço meu abraço apertado para a família e os amigos deste querido ser humano e jornalista que se foi. Em especial para a Júlia, que foi sua “companheira de uma vida”, como destaca a bela matéria do Nexo, e para as duas filhas dos dois, de 13 e 11 anos.

***

Recomendo a leitura dos obituários dos quatro jornais onde ele trabalhou por mais tempo: Nexo, Estadão, Poder360 (onde ele estava no momento, como secretário de Redação adjunto) e Folha. Lá vocês vão encontrar todas as informações sobre a história e carreira desse grande jornalista e colega, que partiu cedo demais.

Abaixo, vou colocar algumas falas de outros colegas sobre o Conrado, que saíram nessas matérias ou neste post do Poder360 (que tem mais de 200 comentários, todos lamentando imensamente esta morte precoce), e que sempre reforçam esse lado humano, generoso e afetuoso que ele tinha:

Renata Lo Prete: “Conrado era um homem doce, afetuoso, solar, generoso nas palavras, nos gestos e nos sorrisos. Foi um ótimo jornalista e um extraordinário colega, ensinando todo dia que nosso ofício não precisa de mal-querer nem de agressividade para ser bem feito, mas de humildade, humanismo e respeito aos fatos e às pessoas”.

Talita Bedinelli: “Generoso, gentil, um dos melhores chefes e uma das melhores pessoas com quem cruzei no jornalismo. Tristeza imensa.”

Xico Sá: “Muito triste, muito triste, uma pessoa incrível, maravilhosa, camarada… ❤️”

Vera Magalhães: “A cobertura frenética nos aproximou. Mas mais do que isso, se tornou um amigo próximo, desses de trocar músicas, impressões sobre a vida e rir junto no chope depois do fechamento. Vai fazer uma falta imensa para seus familiares e amigos e também como jornalista, pela sua capacidade de análise rigorosa e comprometida com a democracia e a defesa das liberdades. Está muito difícil de assimilar essa perda completamente fora de hora”.

Reynaldo Turollo Junior: “Um grande amigo que foi decisivo no início da minha carreira na Folha, me apresentou a cidade de São Paulo e me ensinou a pensar e trabalhar grande. Adorava jornalismo e era amado por todo mundo.”

Francesca Angiolillo: “Tive a sorte e a alegria de compartilhar alguns anos de Folha com o Conrado. Sempre me recebia com sorriso e generosidade quando eu precisava de algo em Cotidiano e, se não fomos amigos, sei que compartilhamos uma estima mútua. Depois admirei à distância seu empenho na fundação do Nexo. Não mantivemos contato, mas gostava genuinamente dele. Meus sentimentos sinceros a todos, amigos, colegas e família.”

Fernando Rodrigues: “Conrado era um dos mais brilhantes jornalistas de sua geração. Admirado e querido por todos. Um profissional que tinha grande perspicácia para entender o que era uma notícia e como fazer bom jornalismo profissional. Uma pessoa de caráter, era generoso com os mais jovens e demonstrava grande paixão pela profissão. (…) Estou triste com essa perda irreparável.”

Fábio Zanini: “A grande característica profissional de Conrado era não se limitar a dar a notícia, mas explicar seu contexto para o leitor. Fez isso como editor e escritor. Os amigos lembrarão de outras duas qualidades: a generosidade e o afeto, atributos em falta na nossa profissão”.

Eduardo Scolese: “Sou da mesma geração do Conrado e tive o prazer de conviver com ele ao longo de anos. Cada encontro era especial, pelo conhecimento, pelas trocas, pela generosidade, pelo afeto. Conrado foi um jornalista incrível, uma pessoa especial, radiante.”

Paula Miraglia: “Ele sempre me impressionou muito. Principalmente por três fatores: a gentileza, a ética em relação ao jornalismo e o seu repertório, que englobava política, música, literatura.” (Ela escreveu um texto lindo no LinkedIn, vale a pena ler.)

Rubens Cavallari: “Trabalhei com ele no Agora SP. Parceiro de primeira! Ponta firme! Nosso aniversário era no mesmo dia. Até brincávamos com isso. Meus sentimentos a família! Vai com Deus camarada!”

Alice Rabello: “Nossa, que perda, muito triste. Um querido, gentil, amigo, leal. Uma pessoa sensacional e um incrível jornalista. Vai deixar muita saudade. Meus sentimentos para a família e demais amigos. Uma pessoa iluminada mesmo 😢”

Mario Cesar Carvalho: “Que notícia devastadora. Conrado era um grande jornalista, sempre leve e tranquilo, e um companheiro adorável.”

Leonardo Cruz: “Entrava de cabeça e coração em todos os projetos em que se envolvia, fosse no programa de rádio que fizemos juntos ainda na Cásper Líbero, fosse no Nexo, jornal que conduziu desde a fundação até o fim de 2024. Um amigo de ouvido atento, de espírito brincalhão. E um profissional que nunca perdeu a humildade nem a vontade de aprender.”

Fabrício Corsaletti (o poeta é primo do Conrado): “Foi das pessoas mais generosas e justas que eu conheci. Um amigo muito alegre, cativante, entusiasmado com a vida e carismático. Era um agregador, estava sempre pensando nos amigos e tentando ajudar as pessoas. Um profissional com uma ética irrepreensível e um amigo muito delicado, amoroso e engraçado”.

 


Relembre outros nomes do jornalismo que nos deixaram:

Como comprar o livro de crônicas (Con)vivências, de Cristina Moreno de Castro, do blog da kikacastro.

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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