Há algumas semanas, eu estava saindo do clube onde faço spinning quatro vezes por semana, e fui pagar os R$ 4 e pouco do estacionamento. Como sempre, só tinha levado o celular, e ia pagar com PIX.
Só que o PIX estava fora do ar. Fiquei na maior angústia, sem saber o que fazer. Não tinha nem um centavo comigo, nem um cartão, só o bendito celular, que era totalmente inútil com o sistema do Banco Central inoperante.
Na verdade eu nem sabia ainda que estava fora do ar, só fui descobrir mais tarde, ao ler o noticiário. No momento eu era só uma pessoa diante de um erro persistente, mesmo com várias tentativas, e falando com um atendente que também não sabia como podia me ajudar.
Até que uma boa alma chamada Elisabeth viu o meu aperto e se ofereceu para pagar minha conta com o cartão. Anotei o celular dela, mandei um oi, e prometi que, assim que o PIX voltasse, a reembolsaria.
Não sei se é por eu ter trabalhado tanto tempo no setor de renegociação de dívidas de um banco, mas detesto a sensação de estar devendo alguém. Não sosseguei enquanto não vi que o PIX tinha voltado a funcionar, exatamente uma hora depois. Mas, quando fui pedir a chave para fazer a transferência para ela, Elisabeth me respondeu assim:
“Não precisa não!
Ta de boa!
Um dia que eu precisar você me ajuda também 👍🏻🥰”
E foi isso, não me passou a chave e nunca pude pagar pela gentileza dela.
Mas tampouco me esqueci: fiquei com aquilo na cabeça. Hoje fui fazer uma compra no supermercado e notei que todos os caixas tinham uma plaquinha com o aviso: “PIX fora do ar“. Fiquei tranquila porque, depois daquele dia, eu já tinha incluído meu cartão de débito na carteira digital do celular, para emergências. Mas a menina que estava comprando na minha frente não viu a plaquinha, nem tinha outra forma de pagar por suas compras.
Depois de avisada, ela falou para a moça do caixa cancelar a compra que já tinha registrado, porque ela ia tentar reativar um cartão no celular, mas isso ia demorar muito. Só que a operadora do caixa disse que não tinha como cancelar, e as duas ficaram naquela sinuca de bico. Enquanto isso, fui para outra fila e paguei meu lanche.
Não fosse pela Elisabeth e seu gesto de um mês antes, talvez eu não teria tido essa ideia, mas, vendo a aflição das duas, voltei para o caixa anterior e me ofereci para pagar pelas compras com meu cartão.
A menina fez um PIX pra mim (só estava fora do ar na rede do supermercado), a caixa pôde encerrar a compra e voltar a liberar a fila, e as duas ficaram felizes e agradecidas com meu gesto.
Mal sabem elas que eu fiquei muito mais.
***
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Me lembrou um pouco aquele filme “A Corrente do Bem” com o Kevin Spacey. O poeta gentileza estava certo: gentileza gera gentileza.
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Também pensei naquele filme depois que saí do supermercado, sabia? Filme lindo demais da conta! Faz um bem danado pra gente quando podemos ajudar os outros…
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