‘Rustin’: um personagem que ninguém conhece e que mudou a História

Capa do filme 'Rustin' na Netflix
Capa do filme 'Rustin' na Netflix

Vale ver na Netflix: Rustin
2023 | 1h46 de duração | Classificação: 14 anos | nota 8

Para a minha geração e as posteriores, o discurso do dr. Martin Luther King na marcha de Washington, em 1963, é apenas um capítulo bonito dos livros de História.

Não acompanhamos essa história, não vimos sua transmissão, apenas aprendemos sobre ela e lemos ou ouvimos as belas palavras do inteligentíssimos advogado, pastor e pacifista.

Cena do filme Rustin, sobre organização da marcha em Washington que culminou no discurso mais famoso de Martin Luther King.
Cena do filme Rustin, sobre organização da marcha em Washington que culminou no discurso mais famoso de Martin Luther King.

Mas 250 mil pessoas não brotam do nada. Existe uma organização por trás de uma manifestação desse porte – possivelmente a maior manifestação pacifista até hoje.

Este belo filme, “Rustin“, é sobre uma liderança de bastidor, um sujeito corajoso, destemido, que não aparece nos livros de História, e que foi tão importante, ou quase tão importante, quanto Martin Luther King para que esse evento entrasse para a História. Foi Bayard Rustin que organizou toda a parte prática deste ato.

Ele que convenceu as pessoas – inclusive Luther King –, ele que angariou os assistentes, e que, com apoio deles, conseguiu encher os ônibus, pensar nos sanduíches, nos sanitários, na engenharia de som, no treinamento dos policiais, na comunicação com a imprensa, nas celebridades que apoiariam a causa, que, além de tudo, aconteceu no melhor timing para funcionar como uma pressão para o então presidente Kennedy conduzir a aprovação de uma lei pelos direitos civis nos Estados Unidos.

Movimento negro se uniu por esta causa pacifista, mas não era totalmente unido, como mostra filme Rustin.
Movimento negro se uniu por esta causa pacifista, mas não era totalmente unido, como mostra filme Rustin.

O filme mostra todo esse processo e mais um lado interessante dessa história: o fato de que o movimento negro estava longe de ser coeso e unido em torno dessa causa tão fundamental. Pelo contrário: havia rachas internos, fissuras, disputas, brigas. Bayard Rustin foi alvo de tudo isso, com o agravante, para a época, de ser gay – um crime ou pecado, para a mentalidade vigente.

“No dia em que nasci negro, também nasci homossexual. Ou acreditam na liberdade e na justiça para todos, ou não”, diz ele a Martin Luther King, em certo momento do filme, um dos vários em que querem sua cabeça.

É isso: direitos civis devem valer para todos, não só para causas parciais. Negros, mulheres, gays. Passaram-se mais de 60 anos, e ainda não aprendemos isso.

O filme concorre ao Oscar em apenas uma categoria, mas crucial: a de melhor ator principal. Colman Domingo, que interpreta Rustin, está brilhante. Não à toa, foi indicado também a outros prêmios importantes, como o Globo de Ouro, o Bafta e o prêmio do sindicato dos atores. Ele dá alma ao filme.

Colman Domingo concorre ao Oscar por sua brilhante interpretação de Bayard Rustin.
Colman Domingo concorre ao Oscar por sua brilhante interpretação de Bayard Rustin.

Fora isso, há ainda um roteiro impactante, com lastro na história real que poucos conhecemos, e uma trilha sonora ótima, com nomes como Ruth Brown, Stevie Wonder e Little Richard.

Eu só tirei dois pontinhos da minha nota final porque achei que a primeira parte do filme foi bastante confusa para quem não estava tão a par da história, demorando a nos situar sobre o contexto. Mas nada que comprometa a importância da narrativa como um todo, e a emoção que ela provoca na gente.

Terminei de assistir pensando: que bom que existiram pessoas como Rustin e Martin Luther King, que acreditaram na força do movimento pacifista como uma “arma” contra as injustiças do mundo.

‘Rustin’ foi indicado a 1 Oscar em 2024 (não venceu):

  1. Melhor ator principal (Colman Domingo)

Assista ao trailer de ‘Rustin’:

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Por Cristina Moreno de Castro (kikacastro)

Mineira de Beagá, escritora, jornalista (passagem por Folha de S.Paulo, g1, TV Globo, O Tempo etc), blogueira há mais de 20 anos, amante dos livros, cinéfila, blueseira, atleticana, politizada, otimista, aprendendo desde 2015 a ser a melhor mãe do mundo para o Luiz. Autora dos livros A Vaga é Sua (Publifolha, 2010) e (Con)vivências (edição de autor, 2025). Antirracista e antifascista.

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